Dupla acusada de matar a contadora Kaianne deve permanecer presa e ir a júri popular, decide TJCE

Segundo a acusação, Leonardo Chaves, que era marido da vítima, tramou a morte da esposa para receber um seguro de vida. O outro réu participou do crime, conforme a denúncia

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Redação seguranca@svm.com.br
(Atualizado às 14:41)
kaianne
Legenda: O caso teve a primeira reviravolta duas semanas após o assassinato, quando Leonardo foi preso.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) manteve as prisões e a sentença de pronúncia de Leonardo Nascimento Chaves, acusado de tramar o assassinato da esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves; e de Adriano Andrade Ribeiro, motorista contratado para participar do crime. As defesas dos réus entraram com recurso em 2º Grau no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e ficaram mantidas as idas dos denunciados a júri popular.

A decisão proferida na 2ª Câmara Criminal, nessa quarta-feira (26), é de que eles não respondam ao crime em liberdade. A reportagem entrou em contato com o advogado do esposo da vítima, que não respondeu até a publicação desta matéria. A defesa do outro réu não foi localizada.

Nas redes sociais, amigos da vítima celebraram a decisão e disseram que esta é "mais uma vitória rumo à Justiça". Ainda não há data marcada para o julgamento acontecer.

Conforme nota do TJCE, "ao analisar os autos, o colegiado negou o recurso e manteve, portanto, a decisão que determinou que os réus sejam julgados pelo Tribunal do Júri (composto por sete pessoas da sociedade que formam o Conselho de Sentença). Não havendo recurso, a Justiça poderá marcar a data do julgamento. O caso tramita em segredo de Justiça e mais informações não podem ser repassadas".

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Feminicídio

De acordo com a acusação, Leonardo e Kaianne eram casados, "sendo ele o responsável por arquitetar o crime de feminicídio, visando a obtenção de vantagem patrimonial, haja vista ser um dos herdeiros necessários de seguros contratados pela vítima".

Leonardo teria decidido que executaria a esposa "visando angariar fundos para arcar com suas dívidas pessoais, planejando o crime" e contratando Adriano Ribeiro para a ação criminosa. Após o assassinato, os envolvidos subtraíram bens da casa para simular que o crime se tratava de um latrocínio.

De início, a versão contada pelo marido da contadora ficou como principal linha investigativa da Polícia. O caso teve a primeira reviravolta duas semanas após o assassinato, quando Leonardo foi preso. 

Kaianne morreu aos 35 anos, no dia 26 de agosto de 2023.

As primeiras investigações apontavam que a contadora foi morta com uma paulada na cabeça. No entanto, o laudo pericial elaborado pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) atestou que ela foi morta por "asfixia mecânica em decorrência de esganadura".

A Polícia Civil teve acesso ao conteúdo de câmeras de um estacionamento de um shopping, em Aquiraz. As imagens mostraram Leonardo Nascimento Chaves conversando com o motorista de veículos por aplicativos Adriano Andrade Ribeiro e um adolescente, por volta de 20h35 da noite de 26 de agosto, poucos minutos antes da morte de Kaianne Bezerra.

Conforme as investigações policiais, Leonardo foi para casa e simulou o assalto, junto da dupla contratada. O marido de Kaianne teria decidido aguar plantas de fora da residência, com o intuito de ser abordado pelos supostos assaltantes.

Leonardo teria ainda deixado separados uma corda - para os "assaltantes" o amarrarem - e um pedaço de pau - para matarem a própria esposa. E ainda teria pedido para os comparsas o agredirem, para fortalecer a versão do latrocínio.

Após matarem Kaianne, os criminosos roubaram objetos da casa, como TVs, aparelhos celulares, outros aparelhos eletrônicos, bebidas alcoólicas e as alianças do casal. O próprio Leonardo Chaves teria ajudado a colocar os pertences no carro dos comparsas. O serviço dos criminosos teria custado R$ 1,2 mil, pagos por Leonardo, com a promessa de um novo pagamento após o recebimento do seguro de vida da esposa.

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