Episódio final de temporada de Sigilo Quebrado mostra expectativa pelo júri e o legado de Kaianne

Capítulo encerra a 3ª temporada do podcast nesta segunda-feira (22), expondo as acusações contra o marido e o alerta sobre a violência invisível.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 17:53)
Montagem da capa do podcast Sigilo Quebrado com os rostos de Leonardo Chaves e Adriano Ribeiro
Legenda: Os dois réus devem sentar perante ao Tribunal Popular do Júri no primeiro semestre de 2026.
Foto: Kid Júnior

Após percorrer os caminhos de uma investigação que desmontou a farsa de um assalto para revelar um feminicídio calculado, o podcast Sigilo Quebrado: Sol Nascente chega ao desfecho desta temporada. O quinto e último episódio, intitulado "O Tribunal do Júri", estreia nesta segunda-feira (22), focando no embate jurídico e na busca da família por uma resposta definitiva da Justiça.

O editor de Segurança, Emerson Rodrigues, conduz o ouvinte pelo "ato final" do caso que chocou o Ceará. O episódio faz questão de destacar que a reviravolta no caso, de latrocínio para feminicídio — foi fruto de uma investigação técnica de elite.

"Toda essa construção só foi possível graças à dedicação primorosa e incansável dos delegados e inspetores da Delegacia Metropolitana de Aquiraz, que desde o início recusaram-se a aceitar a farsa do assalto", afirma Emerson Rodrigues no encerramento da temporada.

As qualificadoras do crime

O episódio detalha as pesadas acusações que pesam sobre Leonardo Chaves (marido de Kaianne) e Adriano Ribeiro. O assistente de acusação, advogado Jader Aldrin, explica no podcast que a brutalidade do crime será julgada sob várias qualificadoras, incluindo o motivo torpe e o meio cruel.

"A Kaianne demorou para morrer. A Kaianne lutou para tentar sobreviver e ela foi cruelmente morta. [...] Eram três homens dentro daquela residência para ceifar a vida dela", pontua Jader Aldrin, reforçando a impossibilidade de defesa da vítima.

Outro ponto de destaque é a indignação dos assistentes da acusação em relação ao terceiro executor, um adolescente de 16 anos. O episódio revela a disparidade entre a gravidade do ato e a medida socioeducativa prevista em lei: "A pena máxima que esse menor pode pegar no Brasil hoje é de 3 anos... deve estar próximo de sair, se é que já não saiu", lamenta o advogado.

O Inimigo ao lado e o legado da força

Para a advogada Fernanda Melo, o julgamento no Tribunal do Júri representa o "fechar do caixão" para a família, mas o caso deixa uma lição amarga sobre a violência patrimonial e psicológica.

"A violência contra a mulher não é só a física... às vezes o inimigo dorme do seu lado", alerta a advogada.

Veja também

A irmã caçula, Brenda Bezerra, conta como levou o nome de Kaianne para o centro da luta anti-feminicídio e se uniu às famílias de outras vítimas. 

"É que essa luta anti-feminicídio, a gente não tá só. A gente buscou se unir com outras famílias que também tiveram casos repercutidos, como a Cris Lameu, como a Clarissa, que também não teve o caso julgado ainda, para que essa nossa dor se transformasse em força e que a gente pudesse lutar pela vida delas e de outras mulheres para que essa voz não fosse calada." 
Brenda Bezerra
Publicitária, irmã de Kaianne

O encerramento é marcado pela emoção de Luciana, mãe de Kaianne. Em um depoimento sensível, ela transforma o luto em um chamado para que a história da filha inspire outras mulheres a buscarem independência e força.

"Eu quero essa força que ela tinha. Que as pessoas estudem, lutem pelos seus sonhos, que corram atrás, que não desistam. É esse legado que ela deixou para a gente", diz Luciana sob forte emoção.

O Episódio 5, "O Tribunal do Júri", já está disponível em todos os agregadores de podcast e YouTube do Diário do Nordeste.

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