Saiba quais são as 4 cidades cearenses que ainda não aplicaram 50% da primeira dose contra a Covid

A média estadual para aplicação da D1 se aproxima da marca dos 70%. Baixa imunização em determinadas localidade pode representar potencial aumento de casos

Legenda: Acelerar o processo de imunização é tido como fundamental para o efetivo combate à pandemia do novo coronavírus
Foto: Diário do Nordeste

Apenas quatro das 184 cidades cearenses ainda não imunizaram nem a metade da população com a primeira dose (D1) da vacina contra a Covid-19. Enquanto o Estado, de um modo geral, avança no processo de vacinação, com 6.424.403 doses referentes à D1 aplicadas (69,92%), os municípios de Catarina, Morrinhos, Arneiroz e Caridade apresentam morosidade na aplicação do imunobiológico.

Conforme dados do Vacinômentro, plataforma oficial da Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado, e que foram compilados pelo Diário do Nordeste, a cidade cearense com a mais lenta aplicação é Catarina, com apenas 40,24% da população vacinada com a primeira dose. Em seguida aparecem Cariridade (45,72%), Morrinhos (47,76%) e Arneiroz (49,91%). Os dados foram extraídos nesta quarta-feira (20).

Para especialistas, a lentidão neste processo, ainda que pontual, pode representar uma postergação do fim da pandemia. "Menos gente vacinadas significa que o vírus tem mais chance de infectar pessoas. O vírus ainda continua circulando, portanto é preciso imunizar e rápido, para que os casos não se multipliquem novamente", alerta o médico infectologista Ivo Castelo Branco.

Apesar dos baixos índices nestas cidades, a presidente do Conselho das Secretárias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Sayonara Moura de Oliveira Cidade, considera que "que o quadro geral de imunização tem avançado bem dentro do que está ao nosso alcance" e pontia que o órgão "se mantém no suporte aos municípios para que possamos andar juntos na imunização de toda a população".

A representante destacou ainda que, se analisado a população vacinável, isto é, pessoas a partir de 12 ou mais anos, "todos os municípios ultrapassam os 50% de doses D1 aplicadas". Contudo, os próprios especialistas, ao considerarem a marca de 90% da populaçao vacinada como índice "mágico", eles estão contemplando toda a população.

Em contato com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), a assesssoria também informou que o cálculo para identificar a população vacinada é feito baseado na população geral, assim como ocorre nos índices nacionais verificados pelo consórcio de veículos de imprensa e em outros países. 

Todos os municípios, junto ao Governo do Estado, têm se empenhado muito para imunizar a população,  mesmo diante das adversidades encontradas no início da Campanha, como falta de insumos e a demora de disponibilidade de vacinas por parte do Ministério da Saúde levando ao atraso na distribuição para os municípios.
Sayonara Cidade
Presidente do Cosems

A presidente do Cosems justifica ainda que a diferença nos percentuais de vacinação entre os municípios cearenses - uns com alto índice de vacinação e outros com percentual abaixo do esperado - se dá pelo cadastro no saúde digital.

"Apesar da distribuição do Ministério da Saúde ser por populações elegíveis e IBGE, aqui no Ceará pactuamos que o município recebe pelo cadastro no saúde digital, e o cadastro tem estágios diferentes nos municípios, pois os municípios foram aderindo aos poucos, por diversos fatores. Temos municípios, por exemplo, que têm mais pessoas com dificuldade de acesso, entre outros problemas específicos", destacou.

A secretária da Saúde de Morrinhos, Mayrla Keyla da Costa Barroso, também destacou que, em se considerando a população geral do município, a porcentagem de vacinados é um pouco maior.

"Hoje (21 de outubro), foram administradas 428 de doses D1, que só serão contabilizadas no próximo monitoramento, atingindo assim 11.572 pessoas vacinadaa, correspondente a 50,68% da população total estimada pelo IBGE, que é de 22.830 pessoas". Número ainda baixo se comparado à média estadual, que é de quase 70% para D1.

Ainda segundo a titular da pasta, "o município não está medindo esforços para alcançar a totalidade das cobertura vacinal de todos os nossos munícipes, visto que tão logo recebemos vacinas, essas são imediatamente administradas".

Ela reconheceu, no entanto, que o grande gargalo para avançar no processo de imunização é a baixa adesão população referente ao cadastro no Saúde Digital, que está atrelado ao recebimento das vacinas.

Já lançamos diversas estratégias na tentativa de sanar essa problemática, como divulgação em redes sociais, cadastramento pelos Agentes Comunitários de Saúde, pontos de cadastro em todas as localidade do município e mesmo assim ainda não foi logrado o êxito esperado.  
Mayrla Keyla da Costa
Secretária de Saúde de Morrinhos

A titular da Secretaria de Caridade, Jucianne Cavalcante, justifica que "a plataforma que é utilizada pela Secretaria de Saúde encontra-se desatualizada, não sendo responsabilidade do município as informações divergentes" e pondera que, ao considerar a população vacinável, o índice é sensivelmente melhor.

"A quantidade de pessoas vacinadas com a primeira dose ou dose única em 20 de outubro é de 10.739 o que equivale a 56,14%, considerando a população acima de 12 anos". Cavalcante, assim como a secretária de Morrinhos, externa preocupação quanto à baixa adesão da população ao cadastro no Saúde Digital.

"A secretaria já realizou e continua realizando diversas campanhas através da rádio local, das redes sociais e carros de som para incentivar a população a realizar o cadastro na plataforma Saúde Digital, de modo a garantir a vacina contra Covid-19", salientou Jucianne.

Legenda: O Estado se aproxima do índice de 70% de aplicação da D1 na população geral
Foto: Diário do Nordeste

Ela acrescenta ainda que a prefeitura disponibiliza "pontos de cadastros nas unidades de saúde, nas escolas na zona rural, na secretaria de saúde, bem como os Agentes Comunitários de Saúde estão também realizando o cadastro". Essas ações têm o objetivo de acelerar o cadastro da população ao sistema da Sesa.

Sayonara Moura reforça que o Cosems está atento a esta dificuldade de os gestores municipais avançarem no cadastro da população e diz que órgão tem estimulado as prefeituras a "buscarem junto a suas equipes de saúde esse reforço".

"No entanto, é preciso lembrar das inconsistências apresentadas pelo próprio sistema que dificultam a alimentação dos dados por parte dos municípios", critica Sayonara.

O Diário do Nordeste tentou contato por e-mail e por telefone com as prefeituras de Catarina e Arneiroz para saber os motivos na morosidade do processo de vacinação e quais ações estão sendo desempenhadas no intuito de acelerar a imunização da população.

A população perguntou ainda, por e-mail, se há campanhas informativas incentivando os moradores a se cadastrarem no Saúde Digital, plataforma necessária para que seja agendada a vacinação. No entanto, não houve retorno até a publicação desta matéria.

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