Ondas swell podem ter provocado retorno de manchas de óleo à orla cearense, avalia pesquisador

Conforme Rivelino Cavalcante, manchas podem ter mesma origem das surgidas em 2019. Resultado, contudo, será cravado somente após análise técnica

piche na mão de bombeiro militar
Legenda: Vestígios oleosos foram encontrados em pelo menos 10 praias do Ceará
Foto: Corpo de Bombeiros Militar do Ceará

O espalhamento de fragmentos de óleo ou piche (asfalto líquido) pelo Litoral Leste do Ceará, desde a última terça-feira (25), pode ter como causa o fenômeno de ondas conhecido como swell, somado à maré alta registrada desde a semana passada no Estado. Essa é a avaliação prévia do professor e pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), Rivelino Cavalcante, embora frise ser necessário ainda aguardar o resultado das análises.

"A nossa região se caracteriza por, nessa época, final e começo de ano, ter o swell, que nós conhecemos popularmente como ressaca. Além disso, esse swell veio acompanhado de uma maré de grande amplitude, que aconteceu desde a semana passada até agora. Foi isso. Se você olhar, em 2020 aconteceu a mesma coisa". 

Swell é o termo que define as ondas formadas em alto mar, em decorrência de tempestades, que podem ultrapassar três metros de altura. As formações acumulam energia suficiente para remover possíveis blocos de óleo submersos e levá-los até a costa. 

Até o momento, a existência do material foi confirmada oficialmente em, pelo menos, 10 praias em cinco municípios cearenses.

Inspeção técnica

Visando justamente descobrir a origem das manchas de óleo nas praias cearenses, professores do Labomar, da UFC, e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) farão, nesta sexta-feira (28), uma inspeção técnica para saber se as manchas são da mesma origem daquelas surgidas em 2019, ano que marcou o maior vazamento de óleo na costa brasileira.

"Vamos começar por Sabiaguaba, que provavelmente está recebendo esse material, Porto das Dunas, e depois o Litoral Leste todinho, do Pontal do Maceió até Canoa Quebrada", detalha Rivelino Cavalcante.

"O material que vamos coletar amanhã [sexta] é uma coleta especial, não pode ser feita de qualquer forma. Vamos coletar também areia da praia, a água da praia pra ver se tem níveis de hidrocarboneto de petróleo acima do normal", soma.

A partir do material coletado, será feita a chamada Análise da Assinatura Química, a partir da qual será verificada se há alguma similaridade entre e o perfil químico do óleo encontrado nesta semana com o recolhido em 2019. 

"Aparentemente, esse material parece ser antigo mesmo porque ele já está menor de tamanho. Aquele material em 2019 ele veio bem maior, mais parecido com óleo. Esse, pelo que estamos vendo, já está mais reduzido, justamente pelas condições do ambiente", diz, endossando novamente que o resultado vai depender de análises.

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