Evandro pede à Câmara Municipal para adiar efetivação do novo Plano Diretor de Fortaleza
Projeto de lei foi enviado nesta segunda (18) em regime de urgência para votação por vereadores.
O prefeito de Fortaleza Evandro Leitão (PT) enviou, nesta segunda-feira (18), projeto de lei à Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) para adiar a efetivação do novo Plano Diretor de Fortaleza, aprovado em novembro de 2025.
A proposta pretende mudar o momento em que a legislação entra em vigor na capital cearense. No texto original, ela deveria ser implementada seis meses após a aprovação, ou seja, a partir da próxima semana, mais especificamente no dia 26 de maio.
Agora, o projeto será implementado 18 meses depois da aprovação, o que significa que o novo Plano Diretor só entraria em vigor daqui a um ano, em maio de 2027.
O projeto de lei teve o regime de urgência solicitado por Evandro Leitão e, se aprovado, deve ser analisado diretamente no plenário da CMFor.
Veja também
Necessidade de aprovação de nova legislação
No projeto de lei, Evandro Leitão justifica o pedido de adiamento da implementação do novo Plano Diretor: a necessidade de atualização do Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS).
"O Plano Diretor é a lei estruturante da política urbana. Contudo, sua plena eficácia e aplicação segura dependem intrinsecamente da harmonização com a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS)", afirma.
"A entrada em vigor do novo Plano Diretor sem a devida atualização da LPUOS e a necessária adaptação dos sistemas digitais de licenciamento poderia acarretar insegurança jurídica, inconsistências regulatórias e prejuízos ao setor produtivo e à sociedade civil".
Ainda segundo o prefeito, durante o ano de adiamento da efetivação o Plano Diretor, serão concluídos "estudos técnicos em curso, a consolidação do novo zoneamento e a modernização tecnológica dos fluxos administrativos, garantindo uma transição governamental responsável e eficiente".
O Plano Diretor de Fortaleza em vigor na atualidade foi aprovado em 2009, ainda durante a gestão da ex-prefeita Luizianne Lins (Rede). Ele deveria ter sido atualizado no prazo de 10 anos, esgotados em 2019.
Contudo, com atrasos em gestões consecutivas, a atualização foi aprovada 6 anos após o prazo.
Votação deve ser no 2º semestre
Presidente da Casa, Léo Couto (PSB) disse que o novo texto para a Lei de Uso e Ocupação deve ser analisado pelos vereadores no 2º semestre deste ano. Ele reforçou ainda que não considera que a campanha eleitoral, no mesmo período, deve atrapalhar essa expectativa.
"Nós estipulamos esse planejamento e essa meta para o Plano Diretor (em 2025), que era bem mais complexo e já estava represado desde 2019. (...) Então, a gente está fazendo esse planejamento para que até o final do ano a gente consiga", disse.
Ele também defendeu o adiamento da efetivação do novo Plano Diretor, que ficaria "capenga" sem a atualização da Lei de Uso e Ocupação do Solo, segundo ele.
"A gente ia estar com o Plano Diretor novo, discutido, mas ia estar com a lei de ocupação do solo antiga. Então, nós íamos ter muitas discrepâncias com relação a isso", disse.
Críticas ao adiamento para 2027
O adiamento gerou críticas na Câmara. Gabriel Aguiar (Psol) ressaltou que, se o Plano Diretor entrar em vigor apenas em 2027, isso "cancela a proteção de todas as áreas ambientais" criadas nesta lei.
Líder do Governo Evandro na Casa, Bruno Mesquita (PSD) chamou de "totalmente abstrata" a crítica feita. Ele reforçou que o novo Plano Diretor teve um aumento tanto em áreas de proteção social como das ZEIS, em uma discussão "ampla" com a sociedade, "sem atropelamento".
"A gente nunca vai agradar todo mundo. Isso é o parlamento, aqui as visões são diferentes. Aqui, vamos dizer assim, é onde tem a maior salada de pensamento. Cada um pensa uma coisa e defende uma causa, que assim milita, que trabalha, que é de vida. São pensamentos diferentes que a gente respeita", acrescentou.