Nem Lula nem Bolsonaro: estratégia nacional do PSDB favorece decisão de Ciro no Ceará
Aécio Neves quer manter o partido no campo de centro; Ciro pretende liberar aliados no apoio aos candidatos nacionais
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, tem demonstrado disposição de defender uma estratégia nacional que legitima uma decisão tomada por Ciro Gomes na pré-campanha ao governo do Ceará. A legenda ainda avalia possibilidades, mas é praticamente certo que não irá apoiar nem Lula (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL).
"Continuo acreditando que o Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro somados", disse Aécio Neves recentemente em declaração ao jornal O Estado de S. Paulo.
Defesa do debate local
No Ceará, desde que começou a articular uma união da oposição, Ciro tem defendido deixar livres os aliados para apoiarem seus candidatos nacionais. A ideia é concentrar atenções nas tarefas locais para tentar desbancar o PT na eleição de outubro.
Presidente estadual do PSDB, Ciro comanda uma reestruturação do partido, que deve dar novo protagonismo aos tucanos. Este contexto dialoga também com o momento nacional da sigla, que saiu um pouco mais forte da janela partidária, com possibilidade de recuperar o protagonismo perdido na última década.
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Liberdade para construir o palanque
A estratégia partidária beneficia Ciro no Estado. Crítico tanto de Lula quanto de Bolsonaro, o ex-ministro precisava, para construir um palanque competitivo, se aproximar do campo conservador de direita. A aliança significaria mais amplitude política, além de tempo de TV e recursos do fundo eleitoral.
Entretanto, a parceria com o bolsonarismo não livrará o agora pré-candidato ao governo dos questionamentos. No próprio ato de lançamento, Ciro evitou polemizar sobre o tema: "Não vou me distrair com isso".