Por que lealdade e gratidão foram as palavras mais ditas por Ciro no lancamento da pré-candidatura

O pré-candidato do PSDB tenta incluir essa abordagem moral pela desavença com Cid e Camilo e quer que o eleitor seja o árbitro

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Eleição de 2026 será palco para um tira-teima sobre lealdade e traição entre ex-aliados
Foto: Fabiane de Paula

Antes de qualquer proposta objetiva, a disputa de 2026 já tem um campo de batalha praticamente definido: a guerra de versões sobre o que aconteceu em 2022, ano do rompimento entre os irmãos Ferreira Gomes e Camilo Santana. Não à toa, Ciro usou como fio condutor do discurso de lançamento de sua pré-candidatura duas expressões: lealdade e gratidão. 

Naturalmente, esta não é uma provocação filosófica, mas a inclusão de uma abordagem moral no campo das narrativas eleitorais. Nas entrelinhas, Ciro quer convocar os eleitores a refletir sobre o caráter dos ex-aliados, antes mesmo de qualquer proposta de governo. 

Disputa pela memória 

Em 2022, sucessão de Camilo Santana no governo, o amplo castelo político conduzido até então pelos irmãos Ferreira Gomes, desmoronou após um racha sobre preferências eleitorais. Camilo, com apoio de Cid, defendia o nome de Izolda Cela. Ciro queria Roberto Cláudio como sucessor. 

Lealdade como pauta eleitoral 

Ao repetir lealdade e gratidão no ato de lançamento, Ciro não está apenas desabafando, mas tentando fazer com que o tema seja pauta da campanha. A pergunta inicial que ele quer que o eleitor faça não é "quem governa melhor", mas "quem foi leal e quem traiu". 

O outro lado da história 

Cid e Camilo também têm uma narrativa de traição, e ela aponta na direção oposta. No embate de 2026, as duas versões vão coexistir, se confrontar e disputar credibilidade.  

Ciro quer que o árbitro seja a população:

“Quando eu lancei o Cid ele era desconhecido. Depois se tornou um grande líder. Ele me acusa de ter mudado de rumo. Se o povo cearense achar isso, ok”. 
Ciro Gomes
Pré-candidato a governador pelo PSDB

Eleitor no meio do fogo cruzado 

Em 2026, o eleitor será chamado a navegar entre versões pessoais de lealdade e ingratidão.  

Como ele vai processar esse conflito é uma das incógnitas da eleição.