Ciro lança pré-candidatura, fala de 'lealdade', critica 'frouxos' e diz que vai resolver a segurança
Ele oficializou a pré-candidatura ao Governo do Ceará neste sábado (16) em Fortaleza.
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) oficializou a pré-candidatura ao Governo do Ceará neste sábado (16) em evento com grande presença de público no bairro Conjunto Ceará em Fortaleza. Ele fez críticas ao Governo Elmano de Freitas (PT), sobretudo na área da segurança pública, alfinetou antigos aliados e falou sobre as "contradições" na aliança da oposição.
"Eu virei candidato, não era meu plano nem de longe", ressaltou Ciro Gomes. "Eu estou vindo para a honra maior de todas que um homem pode ter que é servir ao seu estado. (...) Dá para consertar, mas o desmantelo, vocês não tem ideia o que é o tamanho".
Lealdade e gratidão
O pré-candidato falou que será guiado por "lealdade e gratidão" e fez críticas às ações não apenas do governador Elmano de Freitas como de gestões anteriores, como a do ex-governador e senador Camilo Santana (PT), antigo aliado de Ciro.
"Prometeram o Ceará três vezes mais forte, papo furado", disse em referência ao slogan de Elmano em 2022. "Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos 10 anos por esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum", disse.
Segurança pública na mira
A segurança foi um dos principais focos do discurso de Ciro Gomes, que criticou o avanço das facções criminosas no Ceará.
"Hoje, o povo do Ceará vive falando baixo. Vive olhando o capim para um lado, com medo, aterrorizado, humilhado pelas facções criminosas, pelo crime organizado. Nunca se avançou tanto no crime no Estado diante da omissão quase absoluta das autoridades do Estado", disse.
Ciro também fez críticas a áreas como Saúde, Finanças e infraestrutura, chamando os integrantes da atual gestão de "novos coronéis" e "magote de irresponsáveis e frouxos".
'Consigo resolver, mas precisa do enxame todinho'
Ciro também falou sobre o grupo que reúne em torno na sua pré-candidatura, que tem nomes como Capitão Wagner, presidente da federação União Progressistas, e o deputado federal André Fernandes (PL), presidente do PL Ceará — os dois pertencentes a grupos que antagonizaram com Ciro ao longo dos anos.
"As contradições não são pequenas entre eu e meus amigos, mas é porque o problema é gravíssimo. Eu consigo resolver, mas precisa do enxame todinho", disse.
O pré-candidato afirmou que seguiu uma "lógica" ao unir o grupo, chamando os dois candidatos derrotados nas eleições de 2022, Roberto Cláudio e Capitão Wagner, cuja derrota seria devido ao "rolo compressor" dos adversários, segundo Ciro.
Ele também elogiou André Fernandes, a quem chamou de "fenômeno, e em quem afirmou ter votado no 2º turno das eleições. Mas, ele admitiu, que a antiga animosidade entre os agora aliados pode ser usado durante a campanha.
"Se quiser recuperar coisas que um andou dizendo do outro no passado, vai ser uma beleza para quem quer fazer sabotagem", acrescentou. "Mas a pergunta que se deve fazer é: essa reunião é para quê? É para atender o benefício pessoal ou é para libertar o Ceará do inimigo maior, do mal maior, da pobreza maior?. Eu estou com a consciência tranquila".
União da oposição começa em 2025
O nome de Ciro Gomes começou a ser cotado como pré-candidato ao Governo do Ceará em maio do ano passado, quando ele participou do Café da Oposição na Assembleia Legislativa do Ceará.
Na época, durante a coletiva de imprensa, ele defendeu que Roberto Cláudio (União) deveria concorrer ao cargo e defendeu uma união da Oposição para "salvar o Ceará". Os deputados estaduais que participaram do encontro, no entanto, afirmaram que a possibilidade de pré-candidatura de Ciro foi discutida e admitida por ele.
Também foi naquele momento o primeiro aceno de Ciro ao PL, quando declarou o desejo de votar em Alcides Fernandes (PL), deputado estadual e pai de André Fernandes, presidente do PL Ceará.
Contudo, a mobilização para unir a oposição no Ceará passou por idas e vindas, principalmente na relação entre Ciro e o PL Ceará e no impasse pelo comando da federação União Progressistas.
Confirmação de apoio
Capitão Wagner (União), pré-candidato ao Senado Federal, foi oficializado na presidência da federação em abril, após meses de indefinição e disputa com a ala governista da agremiação. Apesar da oposição ter vencido o embate, os aliados ao governo conseguiram uma liberação da Executiva nacional tanto do PP como do União Brasil para apoiarem a pré-candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas.
A aliança com o PL Ceará demorou mais a ser confirmada: apenas na última quinta-feira (14), André Fernandes anunciou que o partido irá apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes para tirar o PT do Governo do Ceará "de uma vez por todas". "Discordamos em praticamente tudo que dava pra discordar e, provavelmente, discordaremos de mais algumas coisas quando essa eleição passar", disse.
O anúncio foi feito depois de meses de suspensão das negociações por conta das críticas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chamou de "precipitada" a aliança entre o PL Ceará e Ciro Gomes, em novembro.
Apesar disso, parlamentares do PL afirmaram que as conversas sobre o apoio nunca foram interrompidas na prática e o nome de Ciro Gomes estava em papel escrito por Flávio Bolsonaro como o nome para o Governo do Ceará apoiado pelo PL.