'Eu sou do Centrão', diz Bolsonaro sobre aliança com o PP

O presidente disse ter nascido do grupo de partidos conhecido pela troca de apoio por cargos e emendas

Bolsonaro falando
Legenda: Bolsonaro confirmou o movimento para garantir uma base de apoio no Congresso
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a aliança e admitiu fazer parte do Centrão, nesta quinta-feira (22). Segundo ele, o termo utilizado para se referir ao bloco político é “pejorativo”.  As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio Banda B, de Curitiba.

Na ocasião, Bolsonaro confirmou o movimento para garantir uma base de apoio no Congresso, com a  ida do senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista (PP), para o comando da Casa Civil. 

"O Centrão é um nome pejorativo. Eu sou do Centrão. Eu fui do PP metade do meu tempo, fui do PTB, fui do então PFL (hoje DEM). No passado, integrei siglas que foram extintas, como PRB, PPB. O PP, lá atrás, foi extinto, depois nasceu novamente na junção do PDS com o PPB, se eu não me engano”, disse.

Bolsonaro aproveitou a entrevista para rebater críticas por sua aproximação com o Centrão, o que ele e aliados condenaram durante toda a campanha presidencial de 2018.

Naquela época, o atual titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chegou a cantar "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". Agora, ele defende essa aliança.

“Agora, nós temos 513 parlamentares. O tal Centrão, que eu chamo de pejorativamente isso, são alguns partidos que lá atrás se uniram na campanha do Alckmin e ficou, então, rotulado Centrão como algo pejorativo, danoso à nação. Não tem nada a ver. Eu nasci de lá”, reforçou Bolsonaro. 

"São pouco mais de 200 pessoas. Se você afastar esse partido de centro, sobram 300 votos para mim. Se afasta cento e poucos parlamentares de esquerda, PT, PCdoB e PSDB, eu vou governar com um quinto da Câmara. Não tem como governar com um quinto da Câmara", calculou. 

Pressão aumenta

As mudanças serão feitas em meio a uma série de pressões sobre Bolsonaro, incluindo mais de cem pedidos de impeachment na Câmara, perda de popularidade, desvantagem sobre Lula nas pesquisas eleitorais para 2022, investigação da CPI da Covid no Senado, instabilidades na base governista e negociações do fundo eleitoral bilionário.

A aliança de Bolsonaro com o Centrão, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que já se acumulavam na Câmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaustão durante a campanha de 2018, de que o presidente não se renderia ao que chamava de a velha política do "toma lá, dá cá".

Para atender o Centrão, o Governo faz promessas de liberação de bilhões em emendas parlamentares e agora prepara até a recriação de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da máquina pública.

Hoje, o Governo Bolsonaro tem 22 ministérios, 7 a mais do que os 15 prometidos na campanha eleitoral (sob a gestão de Michel Temer (MDB), seu antecessor, eram 29 ministérios). A administração atual chegou a ter 23 ministérios, mas o Banco Central perdeu este status com a aprovação de sua autonomia.