Entrega da Casa Civil ao centrão revela a fragilidade do governo Bolsonaro

O presidente quer chegar vivo e com chances de eleição em 2022. Para isso, mostra estar disposto a pagar qualquer preço

Bolsonaro ao lado dos deputados Ricardo Barros, Arthur Lira e do senador Ciro Nogueira
Legenda: O namoro de Bolsonaro com o centrão virou casamento, mas há o preço a ser pago. E ele está cada vez mais alto
Foto: Divulgação

Há muitos elementos no jogo de poder em Brasília que levam à indicação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Casa Civil de Bolsonaro. O mais evidente, indubitavelmente, é o momento de fragilidade do governo.

Independentemente de a indicação vir a se confirmar ou não - esse filme já foi visto - está claro o avanço do centrão ao coração do poder federal.

Até o início do governo, o bolsonarismo desdenhava do centrão. Agora, precisa se agarrar a ele para sobreviver.

A essa altura do campeonato, em que já foram para o espaço o discurso liberal, a austeridade e até a falácia da "nova política", entregar o núcleo do governo ao PP era questão de tempo. E o momento chegou.

O presidente dará a principal pasta do governo a Ciro Nogueira, que já elogiou Lula e o chamou de 'fascista', porque ele é uma das peças centrais da engrenagem do Congresso, principalmente no Senado, onde o governo encontra extrema dificuldade.

Enfrenta uma CPI que desgasta o Planalto a cada sessão e impõe dúvidas sobre indicações de Bolsonaro como no caso de André Mendonça ao STF.

O governo considera Nogueira como a pessoa que baixará a temperatura do Congresso em tempos de crises. O centrão sabe jogar esse jogo, mas cobra um preço alto. Cada vez mais alto, por sinal.
 

Bolsonaro quer chegar vivo, sem impeachment, e com chances de vitória em 2022. E indica que fará isso a qualquer preço.