Setor se organiza para demanda na temporada de exportação de frutas

Apesar da pandemia, agronegócio cearense vê crescimento na demanda por produtos in natura e se planeja para dar conta das frequências internacionais previstas, duas para a Europa e uma para os Estados Unidos

Legenda: Temporada de exportação do melão começa em agosto
Foto: Foto: Natinho Rodrigues

Prevista para começar com mais intensidade no início de agosto, a exportação de melão partindo do Ceará terá duas frequências semanais para atender a mercados da Europa e do Oriente Médio, apesar da queda da demanda causada pela pandemia de coronavírus. Segundo Elber Justo, diretor presidente da MSC Mediterranean Shipping Company do Brasil (MSC), empresa responsável pelo transporte marítimo das frutas, ainda é cedo para estimar o volume a ser escoado neste ano, mas há sinais de aumento da procura por produtos in natura, o que deverá atenuar os impactos negativos pela crise.

"O que a gente tem notado é que houve um aumento do consumo de fruta in natura sobretudo na Europa, com uma procura maior, o que é muito positivo para o nosso segmento", diz Justo. O diretor presidente da MSC ressalta ainda que, seja qual for a demanda externa e a necessidade de escoamento por parte dos produtores locais, a empresa está preparada para garantir a logística dos envios.

Apesar do cenário para os exportadores ter melhorado nas últimas semanas, a expectativa é de queda no volume total a ser exportado. "O horizonte melhorou em relação ao que estava em março. A gente conseguiu confirmar alguns contratos, mas muito abaixo do que a gente estava neste mesmo período do ano passado", diz Luiz Roberto Barcelos, presidente da Associação das Empresas Produtoras Exportadoras de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e sócio da Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora de frutas do Brasil.

Barcelos diz que, se os números deste ano foram equivalentes a 80% ou 85% do que foi registrado no ano passado, já será "um grande lucro". "No mercado de melão, a produção deverá cair algo entre 15% e 25%. Mas está melhorando e, quem sabe, voltando as atividades, a gente consiga retomar as exportações como foram no passado".

Safra 2020

A temporada de exportação da safra de 2020, que deverá seguir até meados de fevereiro de 2021, contará com duas frequências semanais para Europa e uma para os Estados Unidos, a partir do Pecém, sendo uma para o norte da Europa, que abastece Holanda e Reino Unido e uma para o Mediterrâneo, para Espanha e Itália, de onde segue para os Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio.

"A gente espera poder crescer neste ano. Estamos preparados para absorver o crescimento do volume de frutas. Em dois anos, 2018 e 2019, nós crescemos 151% as nossas exportações de frutas. Apenas no ano passado, foram mais ou menos 5 mil contêineres", diz Justo, que reconhece que o momento ainda é difícil para fazer projeções. "Pelo que a gente vê ainda é incerto". Hoje, a MSC atende cerca de 20 clientes que exportam frutas pelo Porto do Pecém. O terminal cearense é responsável por 70% das frutas enviadas ao exterior pela companhia.

Expectativa

Segundo Raul Viana, gerente de negócios Portuários do Complexo do Pecém, no início do ano, antes da crise gerada pelo novo coronavírus, a expectativa era de crescimento das exportações de frutas tanto para a Europa, que responde por cerca de 95% dos envios, como para os Estados Unidos, responsável por 5%, por meio da companhia Hamburg Süd. Mas, após os impactos gerados pela crise, negociações para captar novas linhas foram adiadas e a nova expectativa é de, pelo menos, manter o volume registrado em 2019.

"Em 2019, movimentamos 11,5 mil TEUs (equivalente a um contêiner de 20 pés), volume 65% superior ao de 2018. A nossa participação de mercado aumentou. E a expectativa para 2020 era de um bom aumento, inclusive com novas linhas. Agora, esperamos, no mínimo, manter o volume, e acredito que pode até ter algum incremento, porque a Covid-10 não afetou tanto o agronegócio", diz Viana sobre as exportações de frutas. "Neste momento, as empresas estão analisando novas perspectivas de investimentos e as negociações estão temporariamente suspensas". O Porto do Pecém escoa frutas produzidas no Ceará, em Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, sendo o melão o principal produto exportado.

Em 2019, o Ceará exportou, apenas de melão, 61,6 mil toneladas, totalizando US$ 41,4 milhões, sendo o período de setembro a dezembro os meses com os maiores volumes. O pico foi registrado em outubro, com o envio de 20,4 mil toneladas, somando US$ 13,8 milhões. Os principais destinos foram Holanda (27,5 mil toneladas), Reino Unido (16,4 mil t), Espanha (10,2 mil t), Emirados Árabes Unidos (2,1 mil t) e Itália (1,6 mil t).

 

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