Sefaz montou comitê de retomada para apoiar plano do Governo

Secretária revelou que grupo paralelo no órgão visa articular contribuintes para potencializar a economia na reabertura pós-pandemia. Perspectiva foi apresentada durante transmissão ao vivo realizada pelo Corecon-CE

Legenda: A secretária da Fazenda disse que o Estado registrou uma grande queda na arrecadaçã
Foto: FOTO: FABIANE DE PAULA

A Secretaria da Fazenda do Ceará organizou um comitê especial para dar apoio ao plano de retomada do Governo do Estado. A informação foi confirmada pela secretária Fernanda Pacobahyba durante uma transmissão ao vivo realizada pelo Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), ontem (22).

"O Estado do Ceará se adiantou e já temos um comitê de retomada. Temos um trabalho extraordinário para montarmos um plano, com aspectos de saúde. Nós estamos replicando na Sefaz essa retomada para ver quais atividades podemos empreender para dar um apoio. Estamos aqui para construirmos juntos", disse Pacobahyba.

A live contou com a presença da vice-presidente do Corecon, Silvana Parente.

A secretária da Fazenda ainda afirmou que o órgão deverá enviar ao governador Camilo Santana um pacote de medidas e ações para dar suporte ao plano de retomada. As iniciativas deverão estar relacionadas às demandas tributárias das empresas e as dificuldades enfrentadas durante o período da pandemia do novo coronavírus no Ceará.

"Faremos um pacote, apresentaremos ao governador, vamos ouvir do setor produtivo as suas dores", disse.

Pacobahyba ainda reforçou a importância do papel das empresas no período pós-crise para que se pudesse ser feita a reativação da economia. "Só tem Fisco forte quando tem empresas fortes e menos desigualdade. Estamos com a faca e o queijo na mão para refazer o crescimento", disse.

Para a secretária, a movimentação financeira é que garante a arrecadação do Estado para que se mantenham os serviços públicos. "A importância do tributo nesse momento é gigante. As empresas são fundamentais. Grandes governos enviam grandes pacotes de ajuda porque as empresas são um grande tesouro", completou Pacobahyba.

Ela também mencionou a enorme demanda da área da saúde para manter os atendimentos dos casos graves da covid-19. Os gastos com os plantões médicos e os equipamentos de proteção individual, além dos respiradores, foram citados como pontos de pressão nos cofres estaduais.

"O nosso foco é muito sério, que é garantir o pagamento de saúde", explicou.

União

A titular da Sefaz ainda ressaltou a importância do apoio da União aos Estados para que se possa atravessar a crise. Ao todo, o pacote de suporte do Governo Federal deverá direcionar R$ 916 milhões ao Ceará em quatro parcelas, mas Pacobahyba ainda citou outros mecanismos da política monetária e fiscal da União para mitigar os efeitos da crise causada pelo novo coronavírus.

"O custeio da saúde aumentou muito. Como vamos pagar, se a União, que pode se endividar, emitir moeda, controlar câmbio, não faz? Se ela não fizer isso, não teremos como pagar as contas", afirmou.

Folha salarial

A secretária ainda confirmou que a folha salarial dos servidores está garantida para o mês de maio. Contudo, por conta do impacto na arrecadação causado pela redução da atividade econômica, o futuro ainda é incerto.

"O maior desafio do Ceará é liquidez. É o fluxo. Dia 31 eu tenho de mandar para o banco a folha de pagamento do Estado. Estamos nos equilibrando e esperando a ajuda do Governo Federal. A folha de maio vai ser paga, mas o dia de amanhã está em standby", afirmou Pacobahyba.

Para dar apoio ao plano de retomada da economia cearense, a Sefaz montou um comitê paralelo ao projeto do Governo do Estado. O órgão ainda deverá ouvir empresários repassarem suas demandas