Saiba o que fazer para seu animal voar com segurança

Companhias aéreas têm regras similares, mas tamanhos de caixas de transporte e peso do animal para embarcar com você na cabine divergem e causam confusão. Veja também que documentos e exames vai precisar para seu pet seguir na mesma aeronave

Legenda: Para a publicitária Liana Barboza, antes de viajar com cães, uma das principais medidas é treiná-los para se acostumarem ao kennel
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Quem tem um animal de estimação, seja cão e/ou gato, sabe bem o prazer que é estar com eles e a preocupação e cuidados que os animais demandam. Quando é necessária uma viagem para longe, geralmente uma mudança de país, ou mesmo uma viagem de turismo, ninguém quer que eles sejam colocados no setor de cargas do avião ou muito menos deixá-los para trás. Mas quais são as regras para embarque de animais em aeronaves?

As regras variam de empresa para empresa, especialmente o peso do cão para ir na cabine com o dono. Na Latam, junto com a caixa de transporte (fixa ou maleável) é 7kg. Na Gol, o conjunto precisa ter, no máximo, 10kg. Na Azul são 5kg, incluindo o equipamento para levar o pet.

Tanto para voos nacionais quanto internacionais. TAP (Portugal) e Air Canada, destinos preferenciais de brasileiros para deixar o Brasil ultimamente, limitam até 8kg e 10kg, respectivamente, e, em ambos os casos, já contando a caixa. 

Quando é preciso despachar os animais, os pesos são diferentes também. Na Latam, no bagageiro do avião, o limite de peso é de no máximo 45kg, incluindo a caixa de transporte (em rotas com origem e/ou destino na Europa, Oceania, Argentina e Aruba, o limite é de 32kg).

Na Gol, no compartimento de carga podem embarcar animais que pesam mais de 10kg, até o limite de 30kg. Na página da TAP há informação de que levam animais de até 32kg e no da Air Canada pets de até 45kg contando o kennel (equipamento para o transporte). A Azul não transporta os animais no porão da aeronave. 

Legenda: Sem padrão único para as caixas de transporte, às vezes é preciso ter mais de uma para cada trecho com companhias diferentes
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Cães de apoio

Pessoas com depressão se utilizam de animais domésticos para ajudá-los no tratamento. Logicamente nunca irão abandoná-los. Para levar os pets precisam contar com as companhias aéreas. Na Latam, o serviço de transporte de cães de suporte emocional está disponível para as rotas que tenham como origem ou destino Estados Unidos, México e Colômbia, sempre em voos operados pela companhia.

“Para os demais destinos operados pela Latam, os passageiros contam com os serviços de transporte de animais domésticos na cabine e também no bagageiro da aeronave”, garante a companhia.

Para utilizar o serviço de transporte de cães de suporte emocional, os clientes devem encaminhar um formulário de solicitação preenchido por um profissional de saúde mental e submetê-lo à companhia por meio do formulário de contato.

Essa solicitação deve ser feita entre 10 dias e 48 horas antes da saída do voo para avaliação da companhia. Ainda segundo a Latam, não há limite máximo de peso para cães de suporte emocional, desde que ele caiba no espaço entre os pés do passageiro e a poltrona da aeronave, sem obstruir os corredores da aeronave.

Segundo a assessoria de imprensa da Gol, o transporte do animal de apoio emocional requer laudos psiquiátricos do passageiro assinados pelos profissionais de saúde, ou seja, o estado de saúde do cliente pode ser reconhecido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. O dono do pet também deve apresentar atestado sanitário, carteira de vacinação e outros documentos de saúde do animal.

“No Brasil, não há legislação para o transporte de animais de apoio emocional. Por esta razão, a Gol apenas presta o serviço de cães de apoio emocional a bordo em voos com origem ou destino aos Estados Unidos e Cancún (no México), onde há essa legislação vigente. Infelizmente, cães das raças pitbull e pitbull terrier não são aceitos pela companhia”, informam. 

Quanto ao transporte do cão-guia pertencente ao cliente com deficiência visual, o serviço é feito gratuitamente em voos nacionais e internacionais da Gol, e o animal pode ir na cabine, sem ocupar assento.

Segundo a assessoria de imprensa da Azul, não há legislação que regulamente ou obrigue o transporte de cão de suporte emocional no Brasil, mas a empresa permite seu embarque exclusivamente para a rota Brasil-EUA-Brasil e nas conexões domésticas que o cliente tiver. O transporte é gratuito.

Indo no porão

Legenda: Chanel sempre viaja na cabine, mas cães maiores nem sempre tem a mesma sorte e o destino é o porão do avião
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Os tutores dos animais não gostam da ideia de despachá-los como malas. As companhias prometem todo cuidado com os bichos, colocando em locais pressurizados e seguros. Porém, a tensão da viagem aliada com saber que os “filhos” de quatro patas estão no porão da aeronave como objetos não motiva ninguém.

Quem tem cão de médio e grande porte, infelizmente, não tem saída: ou é porão ou enviá-los em um serviço de transporte de carga. 

Gustavo Monastério, engenheiro de manutenção de aeronaves há 30 anos, informa que o avião de carga é adequado para todos os animais grandes, como cavalos. Já para ir no porão, cães de médio e grande porte podem ser transportados e ele afirma que há segurança suficiente para o transporte.

"Os aviões têm dois tipos de porão: pressurizado e não pressurizado. No porão pressurizado, mais comumente o dianteiro (apesar do traseiro também ser), a caixa onde vai ser transportado o cão vai ficar com oxigênio, mas é escuro”, afirma deixando claro que o espaço é seguro, apesar de não exclusivo, ou seja, terá malas junto dos animais. 

Na cabine

Legenda: Chanel e Jane não desgrudam nem mesmo nos voos
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Já para animais de pequenos portes - dependendo das companhias aéreas entre 5kg até 10kg - há a opção de levá-los nas cabines. Essa é uma opção com mais conforto e segurança para o animal e de tranquilidade para os donos. Mas, às vezes, há problemas como o animal ficar estressado e latir, o que pode incomodar outros passageiros e a equipe de bordo. Além deste problema, há também a questão de maior conformidade entre funcionários da mesma empresa quanto às regras.

Jane Matos, empresária na área de Tecnologia de Segurança Pública, tem a cadela yorkshire Chanel. A “filha” de quatro patas viaja com a dona para vários lugares como destinos nacionais como Balneário Camboriú (SC) e algumas cidades dos EUA. Tem até conta no Instagram.

Ela entende que é preciso despachar alguns animais no porão, apesar de sentir que é complicado para os tutores. Mas ela não aceita a falta de conhecimento do padrão da própria companhia aérea para o embarque de pets.

“Já tive que tirar minha Channel do kennel para pesar. Sendo que na regra estava escrito que o peso total era 10kg e claramente ela tinha menos”, afirma ressaltando a falta de conhecimento sobre regras de vacinação e documentação necessárias para os cães em viagem.

A fisioterapeuta Juliana Leal também reclama da falta de padronização do comportamento das equipes de bordo. Ela afirma que já pegou tripulantes que a respeitaram, foram simpáticas, mesmo em voo que fez com o  "animal comum" (já que o cão dela é de suporte emocional), mas também já fez voo onde, “mesmo os cães estarem como apoio emocional, fui tratada sem a mínima simpatia e às vezes de forma grosseira, mostrando, quem tinha o poder naquele momento”, disse Leal. 

A falta de padrão entre companhias também é outra reclamação para a publicitária Liana Barboza. No caso dela, o que pesou foi informação sobre o peso do cão e as malas de transporte mais adequadas.

“Cada companhia tem um tamanho permitido, então, se você escolher o que se encaixa em todas as companhias que vai precisar voar, terá que optar pela menor medida para não ter problemas com as outras, e isso pesa muito do conforto do animal, que irá quase sem espaço para se mexer. Por esse motivo, tivemos que comprar duas bolsas de transporte, que não são nada baratas também. Optamos por um modelo de bolsa de material flexível, para se encaixar mais facilmente em baixo do assento (R$ 295,00 a para Air Canada; e R$ 195,00 para Gol)”, disse a fisioterapeuta.

Barboza inclusive dá dica para quem vai viajar com cães e como deve proceder antes e durante o voo. A principal é treiná-lo para se acostumar com o kennel, tirar o estresse dele. “Fizemos um adestramento e também um tratamento duas semanas antes da viagem dando um calmante natural para ele, tudo por recomendações médicas. Então ele viajou muito tranquilo e sem apresentar nenhum sinal de ansiedade ou desconforto, pelo contrário, demonstrava estar bem relaxado e à vontade”, encerra.

Cuidados médicos

Legenda: Exames médicos pré-viagem são fundamentais, como Liana fez no cão dela
Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Sobre os cuidados com cães antes, durante e depois do voo, o veterinário Ricardo Jucá diz que tudo vai depender de onde o animal está sendo levado. Por exemplo, para a Europa é vital um exame de sorologia para raiva. Já para os EUA basta o documento que comprove a vacinação. E no geral ainda é preciso que o cão ou gato não tenha exame que comprove a ausência de carrapato e pulga (ectoparasitas) e vermes (endoparasitas).

“Para a Europa é exigida sorologia para raiva que é feita em dois ou três laboratórios de Fortaleza. Nos EUA só é exigido o comprovante de vacina. Todos os animais devem ter a vacina da raiva feita 30 dias antes da viagem”, afirmou. 

Sobre a questão de anestesiar ou sedar o animal que vai no porão, Jucá é terminantemente contra.

“Tem algumas empresas aéreas que exigem. Aí falo para o cliente procurar outra companhia, pois muitos cães vão no porão. Lá embaixo pode causar baixa quantidade e qualidade de oxigênio. Animal que vai anestesiado vai ter um pouco menos facilidade para respirar. Às vezes nem é anestésico total, é só um sedativo como a acepromazina que causa isso também. Às vezes o animal está com estresse tão alto que até a acepromazina causa taquicardia - aceleramento do batimento cardíaco. E quando o animal está estressado pode dar uma descompensação cardíaca. Não aconselho”, finalizou.

A veterinária Helena Rocha Lima concorda com Jucá sobre a sedação. Ela é contrária. Porém cita algumas soluções para aliviar a vida do cão na cabine ou no porão. “O que podem ser usados são calmantes naturais que existem no mercado, tem homeopático, tem fitoterápico. Então isso pode ser utilizado”, informa.

Legenda: Adichie, cão de Juliana, de olho na paisagem de dentro do avião
Foto: Foto: Arquivo pessoal

Helena explica que, em relação à alimentação, antes, ela não indica dar alguma comida  pelo menos umas 4 horas antes do voo. “Dependendo do tempo de viagem pode ser analisado. Não é interessante deixar o animal muito tempo sem se alimentar ou beber água. Depois é verificar se está urinando ou defecando, se está com atividades normais”, afirmou. 

Por fim, Daniel Uchoa, médico veterinário e professor universitário que também atua no Kennel Clube do Ceará, informa que o proprietário do animal deve pedir ao médico veterinário para fazer exames básicos no cão antes da viagem. "Como exame cardíaco, hemogramas, funções hepáticas e renais para saber se o cão está com toda a condição clínica tranquila, pois se não fizer isso antes da viagem, o problema pode aparecer durante o voo", disse Uchoa que complementa deixando clara que é necessário verificar se o país destino dos animais exigem microchipagem e que ela deve ser feita tendo o cuidado de que os dados lá contidos sejam idênticos a cardeneta de vacinação e documentação do animal para evitar extradição e até mesmo a eutanásia do companheiro de quatro patas.

Links onde conseguir mais detalhes para embarque com animais:

Latam

Gol

Azul

Air Canada

TAP

 

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