Reinvenção profissional será necessária após pandemia do novo coronavírus

Habilidades comportamentais e competências subjetivas ganharão cada vez mais importância em processos seletivos

Legenda: A CLT dará lugar a outras formas de contratação já existentes e que ganharão maior evidência nos próximos anos
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

A pandemia do novo coronavírus está afetando diretamente o mercado de trabalho atual que deverá passar por mais mudanças quando o cenário voltar à normalidade. Uma das características analisadas por especialistas do mercado é a reinvenção profissional.

De acordo com a diretora de Operações da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH) Nordeste, Mariângela Schoenacker, a pandemia está fazendo as pessoas aprenderem a lidar com demandas de maneira integrada, com a digitalização, com novas habilidades e com o desenvolvimento da resiliência. 

"Pós-pandemia, acreditamos que as soft skills (habilidades comportamentais e competências subjetivas) vão continuar importantes. A capacidade de aprender e se adaptar aos novos cenários e lidar com as ferramentas digitais vão ser chaves. Cada vez vamos ter mais processos seletivos digitais ou híbridos, uma tendência que já estava ocorrendo e que vai ser acelerada pós-pandemia. Aprendemos que é possível se comunicar, ser produtivo e tomar decisões virtualmente", avalia.

Schoenacker diz também que a reinvenção está ocorrendo principalmente em mercados muito atingidos pela pandemia. "Quando falamos que o profissional vai ter que se “reinventar” é que tem mercados que estão sendo drasticamente afetados pela pandemia e pela transformação digital, o que vai demandar dos profissionais aprenderem novas habilidades e buscar novas soluções para que sejam competitivos".

Para ela, é importante o profissional ter em mente que não adianta esperar passar a pandemia para agir e se requalificar. "Deve aproveitar este momento, para ampliar seu autoconhecimento, buscar ampliar seu portfólio de habilidades. Muitos cursos estão sendo disponibilizados de maneira gratuita nas redes sociais por várias universidades nacionais e multinacionais renomadas, por isto, é hora de encontrar um cantinho na agenda para desenvolver novas habilidades e se manter atualizado", pontua.

Novas formas de trabalho

A nova legislação trabalhista, a maior digitalização e as mudanças do cenário de negócios têm feito com que novas formas de contratação de trabalho ganhem mais importância. Schoenacker cita algumas, como:

  • 1. Trabalho PJ
  • 2. Trabalho por Projeto
  • 3. Trabalho freelancer por job.
  • 4. Trabalho por plataforma, mesmo para especialistas e executivos
  • 5. Trabalho temporário

"Os profissionais devem buscar quebrar o paradigma que a única forma de trabalho é o contrato CLT. Precisam parar de buscar emprego e estar aberto às novas alternativas de trabalho e desenvolvimento profissional", considera.

Lições

De acordo com a diretora de Operações da LHH Nordeste, as principais lições para empregadores e colaboradores é a colaboração e apoio mútuo para sair da crise. 

"Paciência, tolerância e capacidade de escuta empática, inovação vão ser importantes habilidades para a transformação dos negócios. Num cenário de incertezas, a curiosidade e a capacidade de estar presente para buscar juntos soluções rapidamente serão habilidades demandadas. Os empregadores por sua vez, mesmo num mundo de incertezas, vão ter que comunicar com clareza seus desafios e direcionamentos ou mesmo assumir que não sabem e quando souberem vão compartilhar", explica.

Ela também afirma que deve ocorrer necessidade de readequação da estrutura dos negócios. "O desafio é como fazê-la aproveitando, requalificando a mão de obra e negociando novas relações de trabalho, para evitar o aumento do desemprego e redução significativa da produção e consumo".

Profissões do futuro

  • Detetivo de dados: investiga mistérios em Big Data.
  • Walker/Talker: profissional autônomo, como motoristas de Uber. Há também as pessoas que passam o tempo com clientes idosos através de uma plataforma online para escutá-los e conversar com eles. 
  • Facilitador de TI: explora tendências digitais e cria uma plataforma self-service automatizada para que usuários construam seus próprios ambientes colaborativos, incluindo assistentes virtuais.
  • Gerente de equipe humanos-máquinas: cria um sistema de interação para que seres humanos conversem melhor. A formação deste profissional envolve psicologia ou neurociência, além de qualificação em ciência da computação, engenharia ou recursos humanos. Também será preciso ter experiência em áreas como machine learning ou interação entre humanos e robôs.