Portos e aeroportos tomam medidas para manter negócios no Ceará

Rigidez na higiene de colaboradores e visitantes é a principal decisão tanto de Pecém quanto Mucuripe no combate ao coronavírus. Nos aeroportos regionais, funcionários recebem orientações especiais para alto fluxo

Legenda: Orientações são repassadas a todas as 4 mil pessoas que passam pelo Pecém por dia, entre funcionários e tripulações. No Mucuripe, uma das principais medidas é levar mais informação aos funcionários e visitantes para tomarem medidas de higiene
Foto: FOTO: NATINHO RODRIGUES

O temor de o novo coronavírus se alastrar no Ceará levou as principais portas de entrada e saída de negócios do Estado a aumentarem o rigor na identificação e higiene. Os portos do Pecém e do Mucuripe, responsáveis pela movimentação de exportações e importações locais, acentuaram nas ações de limpeza e conscientização dos funcionários e visitantes. As medidas visam, além de garantir a saúde dos funcionários e visitantes, manter os contratos e a economia local ativas.

No Pecém, de onde chegam e partem embarcações para New York (Estados Unidos), Sines (Portugal), Le Havre (França) e Valência (Espanha) - todos países com casos confirmados de Covid-19 -, foi determinada a obrigatoriedade dos profissionais da área operacional (inclusive motoristas) que tenham contato com tripulações dos navios usar luvas descartáveis e máscaras do tipo N95/PFF2 ou cirúrgica.

Desde o Carnaval, quando a preocupação com o novo coronavírus se acentuou, mais de 60 navios circularam pelo Porto do Pecém. Diariamente, cerca de 4 mil pessoas circulam pelas instalações, entre colabores do Porto e de empresas prestadoras de serviços, além de visitantes.

Toda embarcação é obrigada, antes de desembarcar, a apresentar Declaração Marítima de Saúde para Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o qual relata o estado de saúde dos tripulantes. "O Complexo do Pecém comunica ainda que no momento não existe nenhum caso confirmado da doença (Covid-19) nas dependências do Porto e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE)".

Outros esforços foram feitos: fim das reuniões presenciais, inclusive com estrangeiros residentes fora do Ceará; substituição do ponto biométrico pelo ponto de papel pelos próximos 15 dias; higienização diária dos ônibus das rotas utilizadas pelos colaboradores; reforço na limpeza (maçanetas das portas das salas, garrafas de café e banheiros) e adoção de contato restrito entre colaboradores (evitar aperto de mão, abraço e beijo). A instalação de dispenser de álcool gel nos prédios administrativos e operacionais do Complexo do Pecém, bem como a restrição no uso dos elevadores foram implantadas juntamente com o cancelamento de visitas ao Porto e à ZPE.

Mais informação

Já no Porto do Mucuripe, em Fortaleza, pelo qual passaram dois cruzeiros (com bandeiras das Ilhas Marshall e da Holanda) e 54 navios de cargas (com destino e origem entre Argentina, Estados Unidos, China e Peru), investiu na conscientização de seus colaboradores estabelecendo medidas que trazem mais informações às 500 pessoas que circulam diariamente nas instalações do terminal.

Assim, a Companhia Docas promoveu palestras com autoridades da área da saúde; cartazes com dicas de prevenção (português e inglês) nos principais pontos de acesso do Porto de Fortaleza; além de atualização das notícias oficiais sobre o coronavírus.

Colaboradores enquadrados dentro dos grupos de risco entraram em trabalho remoto e os que tiveram sintomas semelhantes ao do Covid-19 tiveram 5 dias abonados, e o atestado foi aceito em formato digital.

Aeroportos regionais

Recém-inaugurados com voos comerciais regulares na expectativa de aumentar o turismo e os negócios em cada região do interior do Estado, os aeroportos regionais também alteraram a rotina normal para garantir o funcionamento e as atividades que dependem destes voos. Camocim (11 pessoas/dia), Sobral (20 pessoas/dia), São Benedito (10 pessoas/dia), Crateús (10 pessoas/dia), Tauá (9 pessoas/dia), Campos Sales (5 pessoas/dia), Iguatu (12 pessoas/dia), Quixadá (10 pessoas/dia) orientaram os funcionários para lidar com o fluxo dos passageiros.

"Com relação às tripulações, as próprias companhias aéreas estão divulgando orientações gerais sobre o coronavírus, como forma de transmissão, sintomas e cuidados básicos para evitar o contágio", acrescenta a Superintendência de Obras Públicas (SOP) do Governo do Estado.

No Aeroporto de Jericoacoara, onde o fluxo soma 700 pessoas por dia, e Aracati, com média de 50 pessoas, "os colaboradores foram orientados para, em momentos de maior fluxo de passageiros, utilizarem máscaras. Essa orientação igualmente foi transmitida aos funcionários da área de limpeza", diz em nota a SOP.

"Além disso, as ações de limpeza foram incrementadas e álcool gel foi disponibilizado para uso pelos colaboradores e também passageiros", acrescenta a SOP.

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