PIB recua 9,7% no segundo trimestre e sofre queda mais intensa desde o início da série histórica

De acordo com o IBGE, a pandemia do novo coronavírus foi um dos principais agravantes para o resultado do período

Escrito por Redação / Agência Brasil/ Estadão Conteúdo,

Negócios
Legenda: O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no Brasil
Foto: Reuters

O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve queda de 9,7% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior. De abril a junho, o País somou R$ 1,653 trilhão, os dados foram divulgados hoje (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 "Essa é a segunda queda trimestral seguida e o menor resultado para a economia desde o início da série histórica, em 1996", pontua o Instituo em nota.

O PIB caiu 11,4 % na comparação com o segundo trimestre de 2019. Ambas as taxas foram as quedas mais intensas da série, iniciada em 1996. No acumulado dos quatro trimestres terminados em junho, houve queda de 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

A pandemia do novo coronavírus foi um dos principais agravantes para este recuo.“Esses resultados referem-se ao auge do isolamento social, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para enfrentamento da pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, em nota.

No primeiro semestre de 2020, o PIB caiu 5,9% em relação a igual período de 2019. Nesta comparação, houve desempenho positivo para a Agropecuária (1,6%) e quedas na Indústria (-6,5%) e nos Serviços (-5,9%).

“Essa foi a primeira taxa semestral negativa desde 2017, quando estávamos saindo da crise econômica que ocorreu, principalmente, entre 2015 e 2016. Agora, voltamos a uma nova queda no PIB”, pontua Palis.

Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2020 totalizou R$ 1,653 trilhão, sendo R$ 1,478 trilhão em Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 175,4 bilhões em Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios

Consumo das Famílias

De acordo com a pesquisa, o consumo das famílias que representa 65% do PIB, registrou queda de 12, 5%. A coordenadora do Instituto, pontua que o recuo não foi mais acentuado devido ao auxílio do governo.

“O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do governo. Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, disse Rebeca Palis.

 O consumo do governo também apresentou queda, com recuo de  8,8% no segundo trimestre. Na análise de Palis, o resultado ocorreu por conta da queda nos gastos de saúde e educação.

Exportações

As exportações cresceram 1,8% no segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro trimestre de 2020, segundo o IBGE. Na comparação com o segundo trimestre de 2019, as exportações mostraram alta de 0,5%.

As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, caíram 13,2% no segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro trimestre de 2020. Na comparação com o segundo trimestre de 2019, as importações mostraram queda de 14,9%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

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