PIB do CE deve cair quase 5%, mas queda é menor que a média nacional

Segundo analistas e técnicos do Ipece, a economia do Estado deverá encolher 4,92% em 2020, como reflexo da crise do coronavírus. Contudo, a média das riquezas geradas pelo País deve apresentar uma queda de 6,5%

Legenda: Queda da exportação prejudicou a agropecuária, mesmo puxada pela produção de leite, carne e ovos, apresentou um queda de 9,1%
Foto: Waleska Santiago

As perspectivas para o desempenho da economia cearense em 2020 não são positivas, considerando todos os impactos da crise do coronavírus, mas ainda podem ser consideradas otimistas. Segundo os técnicos do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado deverá encolher 4,92% neste ano.

Contudo, o resultado deverá ficar acima do acumulado da média nacional, que deve apresentar retração de 6,5%. O cenário otimista, segundo os analistas, está baseado na sanidade fiscal estabelecida pelo Governo do Estado e as medidas de contenção do avanço da pandemia.

Apesar da indicação, a economia cearense apresentou um resultado consideravelmente negativo no primeiro trimestre deste ano, com uma queda de 4,65% quando a comparação é feita em relação ao trimestre diretamente anterior (quarto trimestre de 2019). Frente a igual período de 2019, a queda é menor, mas ainda ficou abaixo do desempenho nacional no período - recuos de 0,45% e de 0,3%, respectivamente.

Segundo o analista de políticas públicas do Ipece, Witalo Paiva, a previsão de que o Ceará deverá sentir um impacto menor causado pela crise do coronavírus está baseada em três pilares. A lista conta com um crescimento estimado para o setor da agropecuária em 2020; a solidez fiscal estabelecida pelo Governo do Estado no últimos anos, dando espaço para medidas de apoio a empresas e contribuintes durante a crise; e o cenário estadual, que vem indicando crescimentos maiores que média nacional nos últimos meses em relação ao PIB.

"Temos muitas variáveis na crise, e temos uma fatura a pagar, mas só saberemos a conta real de 2020 no fim do ano. E os nossos problemas de antes da pandemia vão voltar para a mesa, como o ajuste fiscal do País e as formas de se equilibrar no pós-pandemia. Mas em 2021 já devemos ter taxas positivas de crescimento do PIB, a partir dos números que temos hoje", diz Paiva.

Além disso, comenta que algumas medidas de apoio lançadas pelo Governo Federal também poderão ajudar o Estado a apresentar números melhores que o Brasil para o PIB em 2020. Um dos principais pontos citados por Paiva é a forma como o auxílio emergencial deverá ser usado pela população cearense. Com a tendência de que os beneficiários usem boa parte dos recursos para consumir, há a expectativa de que alguns setores da economia estadual possam ser impulsionados.

Perspectivas

Contudo, segundo o coordenador de Contas Regionais do Ipece, Nicolino Trompieri Neto, não há perspectiva ainda de quando a economia cearense voltará ao patamar anterior à pandemia de Covid-19.

Ele explicou que existem muitas variáveis ligadas ao cenário econômico, mas que a "volta à normalidade" dependerá substancialmente da liberação de uma vacina contra a doença, uma vez que setores importantes da economia local dependem de aglomerações, como os de comércio e serviços.

"Antes, nós tínhamos uma atividade econômica totalmente normal; então, se as notícias sobre as vacinas se concretizarem e elas chegarem no plano esperado, com distribuição em dezembro, poderemos ter um cenário mais previsível", disse Nicolino.

Setores

Apesar de ser um dos segmentos mais representativos para formação do PIB cearense, o comércio não foi o que apresentou a maior queda, por já contar com a possibilidade de uma abertura parcial. A queda do comércio foi de 4,24% na comparação do primeiro trimestre de 2020 ante o trimestre diretamente anterior. O setor de serviços teve uma retração de 3,07%.

A agropecuária, mesmo puxada de forma positiva pelas culturas permanentes - aquelas que não dependem da chuva - e pela produção de leite, carne e ovos, apresentou um queda de 9,1%. Segundo Cristina Lima, assessora técnica do Ipece, o setor de produtos para exportação foi muito prejudicada pela crise.

Já a indústria, puxada por quedas nos segmentos de extrativa mineral e energia, gás e água, apresentou uma retração no mesmo patamar do agronegócio, de 9,81%.