Guerra na Ucrânia pode elevar preço das passagens aéreas

Conflito tem elevado o preço do petróleo, principal matéria-prima para o combustível utilizado na aviação

Escrito por Carolina Mesquita,

Negócios
Aeroporto de Fortaleza
Foto: Kid Júnior

Uma das consequências indiretas do conflito entre Rússia e Ucrânia no Brasil pode ser a elevação dos valores das passagens áreas. Isso porque um dos principais custos da operação é referente ao combustível utilizado pelos aviões, cuja matéria-prima principal é o petróleo.

O barril do óleo tem sofrido sucessivos reajustes desde que a tensão entre os dois países se intensificou e, chegando às companhias aéreas, devem ser repassados posteriormente aos passageiros.

O professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Cláudio Jorge, confirma que pode haver impacto econômico para as empresas por conta do aumento de custos relacionado ao combustível.

No entanto, ele não acredita em uma elevação significativa no preço dos bilhetes. Segundo ele, as companhias estão retomando a quantidade de voos anterior à pandemia, gerando concorrência e, portanto, uma baixa nos valores, que estão em patamares elevados.

Com o impacto do conflito, entretanto, ele prevê que essa redução não ocorra mais, deixando os preços nos níveis atuais.

"Por outro lado, não deixa de ser uma oportunidade para o turismo interno. As pessoas que estavam doidas para voltar para a Europa devem estar pensando duas vezes agora, embora o conflito seja no leste europeu", afirma Jorge.

Novo retrocesso?

Já o especialista em direito aeronáutico e sócio do A.L.D.S Advogados, André Soutelino, prevê que haja um repasse sim do aumento de custos com reflexo para os passageiros.

Além disso, ele indica a possibilidade da retomada do setor acabar sofrendo um novo baque, que ainda está aquecendo após a crise provocada pela pandemia.

"O cenário é imprevisível. Fazer qualquer análise agora é leviana. Com a resposta econômica do Ocidente à Rússia, o dólar e o Euro estão caindo e o Brasil pode receber parte dos ativos que estão sendo retirados da Rússia", avalia.

Soutelino ainda pontua que a melhora em alguns fatores podem levar mais brasileiros a realizarem viagens internacionais.

"Teoricamente, as viagens, no Brasil,  podem sofrer  impactos. Apesar da inflação e estagnação econômica do Brasil e do aumento do barril de petróleo, a queda do dólar e do Euro pode significar mais brasileiros viajando ao exterior"
André Soutelino
Sócio do A.L.D.S Advogados

Ele também indica que o momento pode ser uma oportunidade do Brasil investir na matriz industrial e reduzir a dependência da cadeia global de suprimentos, com o foco em minimizar impactos de momentos como o atual.

"Para mim, o filme da pandemia está se repetindo, vide o caso dos fertilizantes que importamos da Rússia.  Por que o Estado brasileiro não cria investimentos para fazer este tipo de indústria aqui?", argumenta.

Companhias aéreas

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), por meio de nota, informou que acompanha "com atenção os impactos nas cotações do dólar e do petróleo, que podem aumentar ainda mais os custos do setor aéreo".

A entidade ainda manifestou solidariedade às pessoas impactadas pela guerra e reiterou "sua esperança e desejo de que a situação seja resolvida rapidamente por meio da diplomacia".

Procurada, a Gol Linhas Aéreas reforçou o posicionamento da Abear.

Também por meio de nota, a Azul Linhas Aéreas "esclarece que suas operações seguem dentro da normalidade e sem nenhum impacto" e que "um eventual efeito no valor das passagens vai depender do impacto da guerra sobre custos como dólar ou petróleo, que são monitorados constantemente pela companhia".

Já a Latam Brasil, cujo presidente já havia sinalizado a possibilidade de impacto no valor das passagens em decorrência do conflito, pontuou que "não temos previsões de índices de aumento das passagens, mas elas serão impactadas".