Escassez de insumos para embalagens afeta indústria química do CE

Segmentos de cosméticos, farmacêuticos, de produtos de limpeza, dentre outros, podem ficar sem estoque de matéria-prima já nos próximos 30 dias, caso a oferta não seja normalizada. Preços de insumos subiram

Legenda: As indústrias que precisam de resinas plásticas já estão sendo impactadas pela alta de cerca de 30% no preço dos insumos
Foto: Rodrigo Carvalho

A dificuldade enfrentada por alguns setores da indústria cearense para encontrar insumos - e absorver os custos mais elevados - podem complicar o atendimento à demanda nas próximas semanas. O problema vem atingindo segmentos que utilizam, por exemplo, materiais plásticos e papelão, e há indústrias que só têm estoque para os próximos 30 dias.

Segundo José Dias, industrial da área química e vice-presidente da Federação das Associações do Comércio, Indústria, Serviços e Agropecuária do Ceará (Facic), as indústrias que precisam de resinas plásticas já estão sendo impactadas pela alta de cerca de 30% no preço dos insumos. E, segundo avaliação dele, não há perspectiva de que a situação seja normalizada.

"As indústrias química, farmacêutica, de cosméticos, de limpeza e de tintas não têm material de embalagem para mais 30 dias. Essas indústrias estão sem resina para produzir por mais de um mês. E está faltando embalagens plásticas no mercado pela falta de polietileno e polipropileno", diz José Dias. "O preço da matéria prima já aumentou 30% mas a gente não está conseguindo comprar", diz.

Reciclagem

Segundo o industrial, o problema vem ocorrendo no mundo inteiro, mas no País há o agravante de o setor de reciclagem ter ficado praticamente parado durante a quarentena. "Esse é um problema mundial, mas, no Brasil, a reciclagem é muito relevante e os catadores pararam de trabalhar durante a pandemia. Praticamente 100% do PVC é reciclado. Com isso vem faltando plástico, papelão e alumínio no mercado e a indústria não tem capacidade para entregar seus produtos".

Outros setores

Apenas do setor de cosméticos, o problema vem afetando cerca de 100 indústrias no Ceará. "As empresas de embalagens de papelão só estão conseguindo entregar para o próximo ano. E quase 100% do papelão também é reciclado. A pandemia parou muitas fábricas e a produção desse período que ficou parado está fazendo falta agora", diz José Dias.

De acordo com o Sindicato Interestadual das Indústrias Misturadoras, Envasilhadoras de Produtos Derivados de Petróleo (Simepetro), em agosto o preço do PVC sofreu um aumento de 27,2% e redução de fornecimento na ordem de 20%. E, em setembro, houve nova alta de 25% nos preços e redução de fornecimento de 40%, "sem identificação de disponibilidade de fornecimento por outros potenciais fornecedores".

Já os produtos de Pead (polietileno de alta densidade) e PP (polipropileno) registraram um aumento de 21,6%. "O cenário retratado deverá acarretar o aumento do preço das embalagens", diz o Simepetro em nota dirigida aos seus associados. No documento, o Sindicato diz que uma nova crise de abastecimento tende a afetar o segmento de óleos lubrificantes acabados gerando uma crise de abastecimento de PVC e Pead-PP.

Na semana passada, Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), já havia alertado sobre a falta de insumos para a indústria, ressaltando os impactos da falta de PVC sobre a indústria calçadista e de itens básicos para o setor da construção civil, como tijolos, aço e cimento.

Cavalcante disse esperar que esses gargalos sejam resolvidos em cerca de 40 dias, tempo necessário para que as cadeias produtivas que ainda estão desestruturadas por conta da paralisação na quarentena voltem ao normal.

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