Conheça a tecnologia que deverá ser usada na usina de dessalinização

Planta que será instalada na Praia do Futuro terá área de cerca de 2,3 hectares (20,3 mil metros quadrados). Água do mar será captada a uma distância de 2,5 quilômetros da costa e 14 metros de profundidade

Legenda: Procurada para comentar o processo de licitação da usina de dessalinização que será instalada no litoral de Fortaleza, a Cagece não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição
Foto: FOTO: TALLES FREITAS

A usina de dessalinização que vai ser construída na Praia do Futuro, em Fortaleza, deve utilizar a tecnologia por osmose reversa - também conhecida como osmose inversa - para obtenção de água potável. De acordo com os estudos divulgados pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), o processo de dessalinização por osmose reversa é o mais indicado para a planta cearense.

"Com base nas informações apresentadas e considerando que comercialmente não haveria outro processo ou tecnologia disponível e viável para a vazão requerida neste projeto (1m³/s), verifica-se que o processo de dessalinização por osmose inversa é o mais indicado para este caso", informa o anteprojeto de engenharia.

Ainda segundo os documentos, há hoje 55 plantas de dessalinização em funcionamento no mundo que utilizam o sistema de osmose. Esse processo é uma técnica que separa o solvente (água) do soluto (sal) por meio da aplicação de uma pressão sobre a água. Pressionada sobre uma membrana, a solução mais concentrada não penetra, mas a solução mais diluída atravessa o filtro, separando as duas soluções. Os estudos apontam que além da osmose reversa existem ainda outras seis tecnologias e processos de dessalinização.

Área

De acordo com os estudos, a área selecionada para a implantação da usina é a Praia do Futuro. O anteprojeto aponta a região com o melhor conjunto de atributos. "Não se esperam concentrações elevadas destes compostos (material coloidal, silte e patógenos) na área selecionada para o presente projeto. As informações disponíveis não indicam risco de floração de algas na área selecionada para a torre de captação", justifica o documento.

O anteprojeto informa ainda que a área da usina corresponde a um terreno de duas quadras parcialmente desocupadas. "A área total corresponde a 2,3 hectares (ha) ou 20,3 mil metros quadrados, sendo 2 ha referentes às duas quadras. O acesso principal à área da usina de dessalinização dar-se-á através da Rua Francisco F. Di Ângelo e Av. Dioguinho".

A usina captará água do mar a uma distância de 2,5 mil metros da costa e 14 metros de profundidade. "Para entrada de água do mar, é proposta uma torre de coleta submersa a, aproximadamente, 2.500 metros da costa e cerca de 14 metros de profundidade.

A água capturada será conduzida através de vasos comunicantes para um tanque de água do mar localizado em terra. Na câmara de água do mar, um sistema será projetado para aumentar o tempo de permanência e permitir que as possíveis areias sejam capturadas e depositadas na costa ou no local aprovado durante a realização do estudo de impacto ambiental".

O anteprojeto também aponta que foi proposto um sistema de disposição final do concentrado salino via emissário submarino, distante 1,2 mil metros da costa onde serão instalados difusores de salmoura para garantir a rápida mistura da salmoura com o mar.

"Os pontos de captação de água marinha e da descarga de salmoura foram escolhidos tendo em conta o sentido das correntes para evitar a recirculação da salmoura da descarga para a captação. Deve-se verificar que a zona prevista para a descarga de salmoura não é uma área de proteção ambiental especial, nem que há fauna ou flora bentônica a ser protegida ou muito sensível", diz ainda o conteúdo do anteprojeto.

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