Com falta de insumos para a indústria têxtil, roupas podem ficar até 35% mais caras no Ceará

Consumidor deve sentir a diferença nos valores a partir de dezembro. Aumento deve persistir até primeiro trimestre de 2021

Legenda: Segundo o presidente da Sindconfecções, Elano Guilherme, o encarecimento dos produtos deve se estender até o primeiro trimestre de 2021
Foto: Arquivo

Em meio à aceleração de preços dos alimentos em Fortaleza, que acumula alta de 6,10% no ano, os consumidores devem se deparar com o encarecimento das roupas no fim do ano. A elevação dos custos pode chegar até 35% no Estado, aponta o Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas do Ceará (Sindconfecções).

A alta demanda reprimida somada à redução da importação de insumos da China resultaram na carência de matéria-prima para a indústria têxtil do Ceará, que vai influenciar o preço das roupas. Segundo o presidente da Sindconfecções, Elano Guilherme, o encarecimento dos produtos deve se estender até o primeiro trimestre de 2021.

“Retomar essa importação dos fios leva no mínimo 45 dias. Aí chega na fábrica, tem o processo produtivo do tecido. Isso aconteceu porque as indústrias estavam desabastecidas, boa parte dela, de matéria prima, e quando foi ao mercado buscar esses insumos, os revendedores, os fabricantes, estavam sem nada no estoque ou muito baixo”, explica. 

A falta de insumos afeta toda a cadeia produtiva da moda, desde a indústria do jeans a moda íntima, afirma Elano, das pequenas às grandes confecções de forma semelhante, independentemente do tamanho da empresa. Dentre os produtos que estão ausentes no mercado, estão algodão, tricoline, malha, microfibra, lycra, lingerie e bojo.

“O Brasil também não produz fio suficiente de algodão para atender às nossas necessidades do mercado interno, então a gente tem que buscar fora. Assim nem tem produto nacional e nem teria produto externo para consumir”, atribui.

Consumo

O período de isolamento social influenciou nas mudanças dos hábitos de consumo dos brasileiros. Ao passar mais tempo em casa, as pessoas começaram a valorizar mais artigos de decoração e eletrodomésticos, por exemplo. Com a retomada da economia, é esperado que os hábitos de consumo comecem a voltar ao que era visto antes, avalia Wilton Daher, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef).

“Em outros produtos, como os da indústria têxtil, o aumento deve vir nos próximos meses, já que as pessoas vão começar a sair de casa e começar a consumir mais. Antes, a indústria estava parada e as pessoas não estavam comprando, agora que a máquina vai voltar a girar e a pressão do dólar vai se refletir para o consumidor”, explica.

O preço mais caro, por sua vez, não deve reduzir o consumo, segundo o presidente do Sindconfecções. “O mais importante não é só o aumento. Porque o aumento ainda vai ter algumas pessoas que vão conseguir adquirir. A nossa preocupação é que a pessoa mesmo tendo condição de comprar, não tenha o produto que ela deseja”, explana.

Na tentativa de conter a escalada do dólar, o Governo brasileiro tem margem para adotar algumas estratégias, como explica o vice-presidente do Ibef. “O Brasil tem uma reserva cambial muito forte, o que é importante porque, se houver uma pressão muito grande, o Banco Central pode lançar dólares no mercado, como já fez”.

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