Com alta da carne, quanto custa fazer um churrasco? Saiba economizar

O tipo de carne escolhida, acompanhamentos e mesmo a época do ano podem colaborar para deixar o evento mais caro ou mais barato

Legenda: Base do churrasco brasileiro, a picanha sofreu forte alta de 35,63% no último ano.
Foto: Humberto Leão

Os alimentos foram os itens mais impactados pela inflação no último ano e a carne apresentou altas expressivas, impactando diretamente nos custos de fazer um churrasco.  

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Ceará, a carne vermelha teve aumento de 34,9% entre junho deste ano e junho do ano passado. 

As carnes que mais subiram, inclusive, foram algumas das mais queridas do churrasco brasileiro. Conforme levantamento do IBGE, o contrafilé teve alta de 37,12%, a costela de 37,03% e a picanha de 35,63% no período de um ano na região metropolitana de Fortaleza. 

O planejamento da quantidade de pessoas, os cortes de carne escolhidos, os acompanhamentos e mesmo a época do ano podem influenciar no valor final do churrasco. 

Quanto custa fazer um churrasco em 2021?

Um churrasco para 10 pessoas em Fortaleza gira entre R$ 213 e R$ 287, de acordo com pesquisa de mercado feita pelo Diário do Nordeste em seis supermercados diferentes. Os itens para compor a refeição foram indicados pelo chef de cozinha e churrasqueiro profissional Felipe de Luna.

  • 1 kg de linguiça toscana: de R$ 15 a R$ 25 
  • 1kg de contra filé: de R$ 50 a R$ 60 

  • 1kg de picanha: de R$ 55 a R$ 65 

  • 1kg de pancetta: de R$ 20 a R$ 30 

  • 1kg de coração: de R$ 25 a R$ 35 

  • 1 kg de asinha de frango: de R$ 15 a R$ 25 

  • 15 pães de alho: de R$ 10 a R$ 15 

  • Vinagrete pequeno com 3 tomates e uma cebola e meia cheiro verde: de R$ 5 a R$ 8 

  • Salada de batata com 2 kgs de batata 1 maionese: de R$ 10 a R$ 12 

  • Arroz: de R$ 5 a R$ 7 

  • 1 pacote de farofa: de R$ 3 a R$ 5 

Como economizar no churrasco

Legenda: Dica de especialista é diversificar os cortes
Foto: Shutterstock

Mesmo com o aumento geral nos preços das carnes, é possível economizar na hora de fazer o churrasco optando por cortes mais em conta e substituindo por outras proteínas como frango, porco e linguiça. 

Em um churrasco para muitas pessoas, vale mesclar as carnes colocando a picanha em uma menor proporção e apostando em cortes como alcatra, fraldinha, cupim e maminha. 

“O esquema é ir para cortes mais baratos como costela, carrés de porco. Pode ir para linhas de cortes mais baratos que também funcionam em churrasco. Costela é bem barato e consegue fazer na churrasqueira, rende bem em relação ao preço”, indica o chef de cozinha e churrasqueiro profissional Felipe de Luna. 

Ele afirma que os supermercados costumam oferecer preços mais em conta que os açougues em dias promocionais, mas chama atenção para a qualidade da carne. Como os açougues são mais especializados, normalmente a carne vem melhor trabalhada e mais limpa. 

Para além da carne 

Felipe destaca que se deve levar em conta o objetivo ao realizar o churrasco para calcular todos os custos. A depender do número de convidados, comprar os itens em mercados com venda atacado pode compensar.  

“Para bom churrasco tem que ter um sal legal, um carvão bom. Tem muitas opções para ter um churrasco saboroso, é bom ter uma farofa para acompanhar”, sugere Everton.

Dicas para economizar 

  • Pesquise em supermercados e açougues diferentes para encontrar cortes com o melhor valor.

  • Busque comprar nos dias promocionais. 

  • Na hora da compra mescle diferentes cortes para a soma final sair mais em conta. 

  • Compre linguiça em quantidade em mercados de atacado. 

  • Para um churrasco com maior número de pessoas, utilizar descartáveis para servir pode ser uma opção mais barata. 

 

Por que a carne está cara? 

O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities do mundo e a valorização do dólar perante o real causou desequilíbrio na oferta e demanda nacional. O presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Carnes Frescas e Congeladas de Fortaleza (Sindicarne), Francisco Everton da Silva, destaca que diversos fatores impactam na alta dos preços. 

“A cadeia produtiva da carne é muito longa, envolve a genética do boi, desde o bezerro até o corte tem muitos processos. Tem a vacina, o alimento, a mão de obra, a energia. Tem fatores externos, hoje com a moeda internacional mais forte, que abre preço de exportação para mais de 100 países”, enumera. 

Segundo ele, volume de abate de bovinos teve uma redução importante no ano passado devido ao aumento dos custos com grãos para alimentação. A menor oferta também pressionou os preços para cima. 

Everton também chama atenção para a sazonalidade dos preços de carne bovina. O primeiro semestre do ano costuma ter preços mais baixos já que, devido às chuvas, o gado pode ficar em pastos abertos, reduzindo os gastos com alimentação por parte dos criadores. 

No segundo semestre do ano, chamado de entressafras, o gado migra para semiconfinamento em razão da redução dos pastos, aumentando os custos. Ele considera que devido aos aumentos já expressivos, o preço deve se manter em estabilidade mesmo no entressafras. 

“Não sei se esse ano vai subir mais porque já tem subido muito. Quanto mais sobe, mais cai o consumo e a lucratividade. Eu espero que mesmo no período entressafra tenhamos uma estabilidade”, projeta. 

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