Bolsa dispara puxada por ações de estatais e dólar cai para a faixa de R$ 3,75

A cotação da moeda norte-americana de R$ 3,75 é quase R$ 0,10 menor que o valor de fechamento da sexta-feira (5)

A confirmação da liderança de Jair Bolsonaro (PSL) na preferência dos eleitores faz a Bolsa operar em forte alta nesta segunda-feira (8), acima dos 85 mil pontos. O dólar cai com força e é negociado ao redor de R$ 3,75, quase 10 centavos abaixo do valor de fechamento da sexta-feira (5).


No domingo (7), eleitores deram 46,04% dos votos válidos a Bolsonaro, enquanto o petista Fernando Haddad, que vai disputar com ele o segundo turno, ficou com 29,26%. O PT ficou com 57 cadeiras na Câmara dos Deputados, a maior bancada, e o PSL, com 51.


"Nosso time político destaca que o desempenho de Bolsonaro no primeiro turno o mantém como favorito na disputa, seja pela votação recebida -muito próxima dos 50%- seja pelo quadro das disputas nos Estados ou ainda pela equiparação de armas na campanha de segundo turno", escreveu a XP em relatório.


A corretora destaca ainda a distribuição da bancada na Câmara dos Deputados, com partidos de centro-direita alcançando quase 380 das cadeiras, ante pouco mais de 130 da esquerda. Segundo a casa, o número "joga a favor da governabilidade de Bolsonaro caso seja eleito, assim como na potencial aprovação das reformas".


A agência de classificação de risco Moody's foi mais cautelosa em sua avaliação do cenário eleitoral.


"Independentemente de quem vença, o novo presidente terá que formar alianças no Congresso que permitam a aprovação de reformas fiscais -especialmente a da Previdência- para que se encaminhe uma fragilidade fundamental no perfil de crédito do Brasil", diz Samar Maziad, vice-presidente e analista sênior da Moody's.


"A polarização valoriza a capacidade do novo presidente de estabelecer uma boa relação com os legisladores para aprovar reformas, o que vemos como necessário para a manutenção da confiança do investidor, preservação da estabilidade financeira e criação das bases para um crescimento sustentado", acrescentou Maziad.


O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote da dívida do país, cai quase 7% nesta segunda, a 241.9.


Antes da eleição, a S&P havia expressado preocupação com a vitória de Bolsonaro porque considerou que ele oferecia mais risco à agência econômica que seu rival, Fernando Haddad (PT).


O desempenho da Bolsa nesta segunda é impulsionado por ações de estatais. Às 12h20, o Ibovespa subia 3,84%, a 85.487 pontos.


O Banco do Brasil chegou a subir mais de 12% no começo do pregão e puxou o desempenho dos outros bancos na Bolsa. Petrobras ganhava quase 10% no mesmo horário, assim como as ações da Eletrobras.


"Petrobras é um papel que vinha barato comparado com pares internacionais. E aí teve sinalização positiva do ponto de vista política, o que fez o mercado olhar para o Brasil. Outras ações são mais por euforia. [A alta da] Eletrobras não tem fundamentos", diz Nicolas Takeo, analista da Socopa.


As estatais têm se beneficiado de afirmações de Bolsonaro de que pretende privatizar empresas, o que foi repetido em entrevista à rádio Jovem Pan na manhã desta segunda. Ele não detalhou ainda quais companhias devem ser vendidas e nem quanto espera arrecadar com as operações.


A Cemig ganha mais de 17%. Em relatório, a Rico Corretora atribui o desempenho ao avanço do candidato do Novo, Romeu Zema, na corrida pelo governo de Minas Gerais. "Durante sua campanha, Zema defendeu a recuperação financeira e a possível privatização da Cemig com o objetivo de reduzir as tarifas aos clientes", diz a corretora.


O dólar caía cerca de 2,5%, a R$ 3,7510 nesta manhã. Comparado a uma cesta de moedas emergentes, o real é a que mais avança sobre o dólar nesta segunda. De 24 divisas, apenas 5 se valorizam ante a moeda americana.


Os juros futuros também operam em forte queda nesta segunda, também reflexo da euforia com a vantagem de Bolsonaro ante Haddad no primeiro turno da eleição.


"Num claro sinal de apoio ao candidato Jair Bolsonaro, os juros longos recuam na esteira da perspectiva que o candidato do PSL e seu assessor econômico Paulo Guedes irão encaminhar uma série de políticas de cunho liberal, entre elas a venda de ativos e corte mais robustos dos gastos públicos", escreveu André Perfeito, economista-chefe da Spinelli, em relatório.


O contrato de DI para janeiro de 2019 cedia de 6,645% para 6,537%. O vencimento janeiro 2021 caía de 9,39% para 8,94%.

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