BBB 26: Como investir o prêmio de R$ 5,44 milhões e quais erros evitar ao gastar o dinheiro?

Especialistas apontam caminhos para investir o prêmio, diversificar aplicações e evitar erros comuns.

Escrito por
Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
Pessoa contando dinheiro, em notas de R$ 100.
Legenda: Após a aplicação da alíquota de 27,5% do imposto de renda retido na fonte, o participante vencedor vai receber aproximadamente R$ 3,94 milhões.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em 2026, o Big Brother Brasil (BBB 26) vai oferecer o maior prêmio da história do programa para o participante vencedor.

O montante anunciado é de R$ 5,44 milhões brutos — o dobro dos R$ 2,72 milhões que a cearense Renata Saldanha recebeu como campeã do reality em 2025.

O que você faria com o dinheiro ao receber um prêmio milionário? Especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste sugerem evitar gastos por impulso, buscar orientação de um profissional e diversificar os investimentos.

O valor recorde que será pago no BBB 26 é uma ação do Mercado Pago, banco digital do Grupo Mercado Livre, que estreou como patrocinador do reality neste ano.

E o prêmio ainda vai ficar rendendo durante os 100 dias de programa. “É um prêmio para vocês lutarem com a alma”, disse o apresentador Tadeu Schmidt.

Sem considerar esse rendimento durante o confinamento dos “brothers”, o valor que deve chegar à conta do participante, após a aplicação da alíquota de 27,5% do imposto de renda retido na fonte, é de aproximadamente R$ 3,94 milhões líquidos.

Com o prêmio em mãos, o vencedor deve estar atento para não gastá-lo imediatamente, alerta Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon Ceará).

“É importante que ele possa se estruturar, montar um planejamento para criar uma reserva para os primeiros anos”, continua. Inicialmente, conforme o presidente do Corecon Ceará, o vencedor pode optar por um investimento mais seguro, como a aquisição de títulos de renda fixa.

Planejamento personalizado

Um dos primeiros passos, segundo Almeida, é entender o próprio perfil do investidor. “(Ele precisa) definir o que quer no curto, médio e longo prazo. Tendo como base quais são os seus reais objetivos financeiros, ele vai poder direcionar melhor (os investimentos). Se é viver daquela renda, garantir a faculdade dos filhos, comprar bens, comprar imóveis, fazer outras aquisições. Isso ajuda a fazer a melhor definição da aplicação”, recomenda.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Érico Veras, pesquisador de Finanças Comportamentais, também destaca a importância de considerar o perfil de risco do investidor e sua situação financeira na definição da estratégia de aplicação.

“Tem gente que vai comprar imóvel, porque quer uma moradia própria, tem gente que vai investir em negócio. Só temos que tomar cuidado porque investimento em renda variável tem um pouco mais de risco”, ressalta.

Quais investimentos fazer

Feita a análise de perfil, é possível planejar os investimentos — e para isso a diversificação é importante.

Para começar, Almeida recomenda investimentos de menor risco, priorizando a preservação do patrimônio.

Ele cita aplicações de renda fixa como o Tesouro Selic e Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que acompanham a taxa básica de juros e oferecem maior previsibilidade de retorno.

Nesse momento, o presidente do Corecon Ceará alerta para que o investidor escolha bem as instituições financeiras em que vai aplicar o recurso. “É importante não escolher qualquer instituição financeira, aquelas instituições que oferecem produtos com um valor bem extraordinário, acima do mercado”, alerta.

Outra indicação é incluir títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, protegendo o poder de compra no longo prazo.

“Dependendo do perfil, (o investidor pode) fazer algumas aquisições de ações e fundos de ações e ETF (Exchange Traded Fund) para ter um crescimento maior. E também pode casar com fundos imobiliários para poder ter uma renda recorrente”, complementa.

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Sobre as aplicações de menor risco, Veras explica que, atualmente, elas dão um rendimento bruto de 15% ao ano, mas a tributação varia conforme o prazo em que o recurso permanece aplicado

“Em termos gerais, nós teríamos um rendimento bruto perto de 1% (por mês). Então, depois de tirar a tributação (sobre o prêmio de R$ 5,44 milhões) e ficar com cerca de R$ 4 milhões, vamos ter algo em torno de R$ 40 mil por mês”, projeta o professor.

A estratégia não é imutável. Com o passar dos anos, Almeida aponta que o planejamento pode ser revisto e ajustado conforme o cenário econômico e as mudanças de planos do investidor.

Veja abaixo uma simulação dos investimentos com o prêmio do BBB26, feita por Eldair Melo, conselheiro do Corecon-CE, a pedido do Diário do Nordeste.

Quais erros evitar ao ganhar um prêmio alto

Seja em loterias ou no BBB, quem ganha grandes quantias pode acabar cometendo alguns erros que colocam o prêmio em risco. Alguns deles são comprar por impulso e não fazer uma reserva de emergência.

“O erro mais comum é achar que tem muito dinheiro e começar a gastar, aí você faz viagem, compra carro, compra casa de praia e gera um monte de passivo, começa a dar festa. Você tem que tomar cuidado e colocar o seu dinheiro onde te dê retorno. Uma coisa é gastar, outra é investir”, destaca Veras.

Além disso, o planejamento também deve prever a tributação dos investimentos e os custos das taxas administrativas — aspectos que, às vezes, são ignorados.

O professor explica que, geralmente, o imposto de renda é cobrado tanto sobre o valor do prêmio inicial quanto sobre o valor investido. “‘E se eu comprar imóveis?’ Quando vender, vai ter o imposto sobre o ganho de capital, que também é um imposto de renda”, afirma.

Almeida destaca, ainda, a importância de procurar um profissional capacitado para prestar assessoria nesse processo, evitando “cair em conto de influencer”. “Tem que ter cuidado com essas falsas ilusões de multiplicação de prêmios. Ele (o vencedor) tem que realmente procurar alguém que compreenda, que entenda (do assunto), para proteger seu patrimônio”, finaliza.

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