Iguana: saiba quanto custa, o que come e como ter uma

O animal silvestre pode ser mantido como bicho de estimação em algumas situações específicas

Legenda: A legislação permite que exemplares legalizados do réptil vivam sob a responsabilidade de um tutor
Foto: Shutterstock

Gatos e cachorros são opções domésticas de animais de estimação, ou seja, espécies acostumadas a conviver com humanos. No entanto, no Brasil, é possível manter bichos silvestres e exóticos, que não têm hábitos influenciados pelo homem, como companhia. Um exemplo é a iguana.  

A lei permite que exemplares legalizados do réptil vivam sob a responsabilidade de um tutor. Mas, para que isso ocorra, é necessário oferecer condições, como ambiente e alimentação, ideais para a manutenção do lagarto fora da natureza. Abaixo, saiba o que é preciso para ter uma iguana como animal de estimação.  

Veja também

O que é uma iguana   

A iguana é um réptil pertencente à ordem Squamata e à família Iguanidae. Ela possui coloração que varia entre verde e cinza. Na fase adulta, pode chegar a medir cerca 180 centímetros, sendo que dois terços do cumprimento total equivalem à cauda, conforme explica o veterinário especializado em animais silvestres, Marcelo Jucá*.  

Esse tipo de lagarto possui hábitos arborícolas, ou seja, passa boa parte da vida nas árvores. Herbívoro, tem uma alimentação baseada, principalmente, em vegetais e pode viver, em média, 15 anos. Também é ectotérmico, ou seja, usa fontes externas de calor, como a luz solar, para realizar a manutenção da temperatura corporal.  

Iguana verde descansado em cima de uma pedra na natureza
Legenda: Ao se sentir ameaçada, a iguana pode se defender através de mordidas e de arranhões, além de desferir chicotadas usando a cauda
Foto: Shutterstock

Os machos são dominantes e possuem características que os diferem das fêmeas, como o tamanho da cabeça, maior neles, além de possuírem papo avantajado, crista e espinha. Eles têm período de reprodução sazonal e são ovíparos — animais em que os embriões se desenvolvem dentro de um ovo em ambiente externo, sem ligação com o corpo da mãe.  

O bicho é encontrado em regiões tropicais, conforme o especialista, estando presente desde o México, na América do Norte, e seguindo por diversos países da América Central e da América do Sul. No Brasil, se concentra principalmente no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.   

Conforme o especialista, atualmente, existem 44 espécies do réptil no mundo. Somente a Iguana-verde (Iguana iguana) é encontra em território nacional. O tipo é o mais comercializado como animal de estimação no País, segundo o médico.    

Como ter uma iguana de estimação?    

Interessados em manter uma iguana como animal de estimação devem realizar a aquisição dela através de criadouros regulados junto aos órgãos responsáveis. Animais silvestres que vivem na natureza não podem ser retirados do habitat por indivíduos que desejam mantê-los em cativeiro, porque isso configura crime ambiental

Esses lagartos possuem necessidades que incluem espaços grandes, tridimensionais, fontes locais de calor — atingindo 36,7° C quando houver mudanças bruscas de umidade e temperaturas —, fontes fortes de luz ultravioleta (UV) ou exposição direta ao sol, uma dieta vegetariana balanceada e substratos adequados para o comportamento da espécie. 

Então, para abrigar um exemplar do tipo o tutor deve dispor de gaiolas espaçosas — com, pelo menos, 3 metros de comprimento, 1 metro de largura e 2 metros de altura ou profundidade. Segundo o veterinário, o indicado é que o local onde o animal será mantido seja, no mínimo, 1,5 a 2 vezes maior que o comprimento do réptil.   

Ainda conforme Marcelo Jucá, aquários voltados para iguanas jovens se tornam inadequados após poucos meses de usos, e gaiolas feitas sob medida devem ser planejadas para atender às necessidades do bicho em todas as fases. Gaiolas externas do tipo de aviários, com proteção contra o sol e temperaturas extremas, são recomendadas em climas quentes ou durante os meses de verão. 

Galhos secos, com aproximadamente o mesmo diâmetro do corpo do lagarto, devem ser colocados diagonalmente no cativeiro. Eles devem ser ancorados para evitar caírem. Também é recomendada a disposição no ambiente de plantas vivas e não tóxicas, desprovidas de espinhos e superfícies escorregadias, grandes o suficiente para aguentar o peso do lagarto. 

Uma iguana verde estava descansando em um galho de madeira de espiga depois de uma refeição
Legenda: O réptil possui hábitos diurnos e gosta de locais luminosos, com acesso à luz do Sol
Foto: Shutterstock

Por serem ectotérmicos, eles requerem calor suplementar durante o cativeiro para otimizar os processos metabólicos, incluindo digestão, crescimento, cicatrização, reprodução e função imune. O ideal é instalação de um gradiente térmico, tanto no eixo horizontal quanto no vertical, que pode ser criado através do fornecimento de uma fonte de calor focal em um lado da gaiola, cobrindo menos de 25% da mesma, usando-se lâmpadas suspensas com refletores ou cerâmica aquecedora com infravermelho. Esses materiais devem ficar bem fixos para impedir que se inclinem ou queimem o lagarto.  

As temperaturas, tanto nas partes mais quentes quanto nas mais frias do viveiro, devem ser mensuradas diariamente. Termômetros-higrômetros digitais são úteis e estão disponíveis em lojas de materiais eletrônicos, detalha o médico.

A segurança visual também é benéfica para iguanas mantidas em cativeiro, especialmente para animais nervosos. Então, conforme orienta o veterinário, deve ser fornecida uma área de abrigo ou escape. Os esconderijos podem ser feitos com caixas de papelão, vasos de terracota ou de plástico, tubos de papelão, folhas de cortiça ou de madeira.  

Também é necessário colocar plantas de verdade ou artificiais para que esses animais arbóreos possam se esconder. Alguns comem pouco ou ficam estressados se não tiverem segurança visual. As gaiolas, as tigelas de alimento e as de água devem ser limpas frequentemente, segundo o especialista.  

O que uma iguana come?   

Herbívoro, a alimentação do animal deve ser baseada principalmente em vegetais verdes folhosos — agrião, chicória, couve, coentro, escarola, catalônia, salsinha, rúcula e almeirão —, e secundariamente por legumes, como brócolis, couve-flor, cenoura, repolho e vagens. A dieta também pode ser complementada por frutas, por exemplo, melão, mamão, morango, maçã sem sementes e banana.  

Segundo Marcelo Jucá, no mercado, existem rações especificas para iguanas, que podem ser utilizadas em associação com os itens citados a cima. Dentre os ingredientes presentes nessas, o tutor deve dar preferência aquelas à base de alfafa ao invés das que incluem milho ou trigo. Outro produto que pode ser adicionado espaçadamente à alimentação é uma fonte de proteína: insetos, como baratas, grilos e tenebrios, são os mais indicados.  

Veja também

Como domesticar uma iguana?   

Iguanas adquiridas de criadouros legalizados de qualidade, geralmente, são condicionadas ao manejo de humanos desde o início da vida, então são mais habituadas ao toque, explica o especialista. O processo promove a dessensibilização do animal aos estímulos, auxiliando na formação de um melhor convívio dele com o tutor e o ambiente em cativeiro.  

Ainda conforme o médico, ter como base ensinamentos de profissionais qualificados e especialista nesse tipo de lagarto, além de conhecer informações a respeito dele, influenciam diretamente em um melhor manejo e convívio com o pet.  

Quando custa uma iguana? 

Iguana tomando sol em Porto Rico
Legenda: Animais se comunicam através de sinais visuais
Foto: Shutterstock

Um exemplar custa, em média, R$ 2 mil, conforme o veterinário, que reforça a importância de se certificar sobre a legalidade do estabelecimento de onde o réptil será adquirido. No Brasil, criadouros permitidos a realizar a comercialização do animal silvestre estão concentrados, geralmente, nas regiões Sul e Sudeste, segundo o médico.  

Ao ser adquirido legalmente, o réptil vem obrigatoriamente portando um microchip de identificação, além de ser acompanhado de documentos como nota fiscal e atestado de origem.  

Iguana é um animal perigoso? 

Marcelo Jucá explica que todo animal submetido a um manejo não adequado pode apresentar risco ao próprio tutor. Ambientes impróprios e rotinas de manejo ineficientes podem ser gatilhos para animais temperamentais, alerta o especialista. Iguanas são compridas, possuem unhas grandes e dentes pequenos, mas afiados, além de conseguirem usar a longa cauda para desferir chicotadas. 

O ideal, conforme o médico, é que o interessado em adquirir uma estude sobre ela antes. Após a compra, também é indicado que o tutor leve o animal em profissionais especializados para que esses possam fornecer as orientações adequadas sobre como manejar o bicho da melhor forma possível. 

Como é o comportamento de uma iguana? 

Iguana verde escalando alguns galhos de árvore em cativeiro
Legenda: Os machos são dominantes e possuem a cabeça maior, papo avantajado, crista e espinha
Foto: Shutterstock

O réptil possui hábitos diurnos e, por ser arborícola, tem preferência por viver no topo de árvores — ambiente em que se sente mais seguro —, onde encontra maior oferta de alimento. Segundo o profissional, na natureza, esse tipo de lagarto costuma descer de uma árvore somente para se deslocar até outra. 

Ele prefere locais luminosos, com acesso à luz do Sol. O calor gerado pelos raios solares atua na termorregulação dele, que é ectotérmico, ou seja, usa fontes externas para realizar a manutenção da temperatura corporal. Além disso, a radiação UV, também fornecida pelo Sol, é absorvida pelo ser e atua na metabolização de cálcio.  

Ao se sentir ameaçada, a iguana pode se defender através de mordidas e de arranhões, além de desferir chicotadas usando a cauda. Também consegue realizar autotomia — amputação espontânea de parte da cauda com a intenção de fugir da predação —, então, como alerta o veterinário, não é indicado segurar ou manejá-la através da cauda, já que ela pode ser descartada. Segundo Marcelo Jucá, o animal se comunica através de sinais visuais

*Marcelo Almeida de Sousa Jucá é médico veterinário graduado pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), pós-graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Silvestres e Exóticos pela Faculdade Qualittas e mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). É sócio proprietário da clínica Bicho do Mato, pioneira no atendimento exclusivo e especializado para pets não convencionais do Ceará. Ainda é membro da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), além de vice-presidente do Instituto Pró Silvestre. 


Assuntos Relacionados