Cearense abre mão de festa de casamento para construir escola na África

A gerente comercial Taina Pessoa manteve a cerimônia religiosa, mas suspendeu a festa. O dinheiro será usado na edificação de uma unidade de ensino em Moçambique

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Legenda: Taina Pessoa e o noivo Renato Marques durante missão humanitária na África, em janeiro deste ano
Foto: Arquivo pessoal

Há um ano e quatro meses, quando ficou noiva, a cearense Taina Pessoa passou a planejar a festa de casamento com o carioca Renato Marques. Buffet, decoração, convidados, cerimônia e recepção… o preço de cada detalhe do pós-cerimônia religiosa já havia sido sondado, até que uma viagem ao continente africano em janeiro passado mudou e “para melhor” os planos do casal.

Conforme a gerente comercial, seriam necessários cerca de R$ 100 mil para custear a festa. O dinheiro, porém, terá um novo destino. Os noivos, que também suspenderam a lista de presentes, optaram por aplicá-lo em uma campanha para a construção de uma escola em Matuba, aldeia moçambicana onde eles participaram durante sete dias de uma missão humanitária no início deste ano. 

O cenário de vulnerabilidade do local fez o casal abrir mão do “sonho de uma vida” para que outro plano pudesse chegar. “Aqui no Brasil a gente vê pobreza, situações difíceis, mas lá na África é uma miséria ao extremo, principalmente nas aldeias onde a gente passou. Já voltamos com a ideia de não fazer casamento e sim algo para deixar um legado. Assim surgiu a ideia de construir a escola”, explica Taina. 

Em Matuba, a única escola existente chamou a atenção dos noivos pela precariedade da estrutura: paredes de pau a pique (taipa) em um espaço pequeno e sem energia elétrica, banheiro e com mobiliário comprometido.

“Somos filhos de professores e sempre tivemos a educação como ponto prioritário na nossa vida. E daí a gente decidiu construir a escola e começamos a ver projeto e o local da construção. Lá a gente já olhou e pensou ‘aqui dá um escola’”, detalha Taina. 

Arrecadação

Da ideia, o plano foi ganhando forma. Inicialmente, eles procuraram a Organização humanitária Fraternidade sem Fronteiras (FSF), que organizou a caravana voluntária a Moçambique, para apresentar a proposta. Com o projeto aceito, o casal abriu uma vaquinha virtual para arrecadar mais fundos. A meta é conseguir R$ 220 mil. A cada real doado, Taina e Renato também doarão o mesmo valor. 

No site da vaquinha, os noivos colocaram uma lista de parte dos itens usados na construção da unidade de ensino, como carteira escolar (R$ 100), lata de tinta grande (R$ 250), milheiro de tijolos (R$ 500), quadro negro (750) e bancos para o refeitório (R$ 1000). A escola terá capacidade para 300 crianças.  

“A gente está fazendo a vaquinha, mas também vai participar dela. Para cada R$ 1 que qualquer pessoa doar, a gente também vai doar R$ 1. A gente vai fazendo aportes ao longo da arrecadação. A gente conseguiu arrecadar 27 mil e ontem a gente fez a nossa primeira dobra de mais R$ 27 mil”, pontua.

Link para doar

A expectativa é que em até um ano e meio a escola seja inaugurada com seis salas de aula, um refeitório, uma área de lazer e um campo de futebol. A execução do projeto e a gestão da escola serão realizadas pela FSF. “A gente quer que todo mundo que ajudou, todo mundo que doou e vem participando, vá para África junto com a gente para a inauguração dessa escola. E a gente quer fazer uma festa de casamento com eles e aquela celebração bonita deles”, diz Taina.

Já o casamento religioso acontece no próximo sábado (7) na Igreja de São Pedro, na Praia de Iracema.  “Abrimos mão da nossa festa por um bem maior que é a educação porque ela é que move a gente e dá possibilidade de sermos diferentes. A cerimônia vai ser bem simples, mas é isso mesmo. Vamos atrás que vai dar certo”, ressalta a cearense natural de Catarina, no Sertão dos Inhamuns e moradora de Brasília há seis anos.

 

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