"Árvore da vida", criada por professora aposentada, distribui máscaras gratuitas

​A aposentada Maria Auricea Cavalcante, de 68 anos, teve a ideia de confeccionar as próprias máscaras e ainda ajudar os mais próximos

No Jardim das Oliveiras, a iniciativa da professora Maria Auricea Cavalcante, de 68 anos, surpreendeu e gerou admiração por parte dos vizinhos do bairro. Nas últimas semanas, a aposentada resolveu usar os conhecimentos em costura para confeccionar máscaras de pano e distribuir para moradores próximos e pessoas que necessitem do item, mas não têm recursos para comprar o equipamento, arma essencial contra o avanço do novo coronavírus

A ideia, ela conta, surgiu da vontade de agradecer por momentos vividos no último ano. “Eu estive com um problema muito sério de saúde e acabei pensando como poderia retribuir minha recuperação, agradecer a Deus de alguma forma”, diz. Na casa onde mora, local que também tem a presença do neto nos dias normais antes do isolamento, ela disse que começou a fazer as máscaras por conta própria. 

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Depois da primeira feita, a iniciativa se espalhou entre a vizinhança. "Postei uma das minhas máscaras nas redes sociais e uma vizinha se ofereceu para doar um material de TNT para que eu fizesse mais. Como eu tinha muito, pensei: 'posso fazer para doar a outras pessoas'. E assim eu comecei”, revela. 

Ao assistir um filme na televisão, a ideia de como deveria distribuir surgiu. “Estava assistindo e vi uma cena com tênis pendurados nos fios. Foi assim que surgiu a ideia de pendurar as máscaras, dentro de saquinhos, na árvore que fica na porta da minha casa. Chamei de árvore da vida”. Após isso, bastou pouco tempo até que a procura começasse a ser intensa. 

“Muita gente começou a vir até minha porta para pedir e a coisa foi se espalhando. Assim eu comecei a fazer com tecidos recebidos e em uma quantidade ainda maior do que já estava antes”, afirma ao também revelar que pelo menos 300 máscaras já foram confeccionadas. E a intenção é não parar. 

“Continuo produzindo agora. Já estou até com os dedos todos cortados de tanto usar a tesoura. A remessa dessa vez é destinada aos meus conterrâneos lá de Morada Nova, que vai vir um pessoal responsável para pegar”, diz sobre as que devem ser destinadas ao município onde nasceu, de onde saiu há 27 anos. 

Agradecimento 

Para Nicole Freitas, 36 anos, que vive há seis no mesmo bairro de Maria Auricea, a criatividade da aposentada deixou muitos moradores gratos. "É uma forma de mostrar para as pessoas como se prevenir e ainda ajudar quem não tem condições de comprar uma máscara, por exemplo, que agora é um item tão procurado e que custa uma quantia que muitos não têm", afirma. 

De passagem por perto da tal "árvore da vida", ela conta que pegou peças para o marido e o filho. "Perguntei para ela quanto custava e quando ela disse que era gratuito achei bastante legal", diz.

Já para Maria Auricea, a iniciativa deve continuar como uma oportunidade de chegar até quem mais precisa. "Sempre foi essa a minha intenção. Queria ajudar pessoas mais necessitadas, que vivem em condição de rua", relata ao mostrar a felicidade em agradar os que vivem pertinho.