Reimplante de mãos de jovem de Quixeramobim contou com 15 profissionais e durou 12h; entenda

Em média, o Instituto Dr. José Frota (IJF) atende 15 mulheres por lesões de agressões por mês.

Escrito por
João Lima Neto joao.lima@svm.com.br

A jovem de 21 anos, vítima de um ataque violento em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará, passou por uma cirurgia de 12 horas para reimplante das mãos no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza. O crime ocorreu na última sexta-feira (1º), quando um homem e o irmão dele foram presos após mutilarem a ex-namorada de um deles com uma foice.

De acordo com o superintendente do IJF, João Gilberto Gomes Macedo, a paciente foi atendida ao chegar à unidade. “Quando ela deu entrada no Instituto, a equipe já estava pronta para atendê-la de imediato. Sabemos que o tempo de evolução de uma amputação é extremamente importante para um desfecho favorável”, afirmou.

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O IJF mantém um serviço de reimplante que funciona 24 horas por dia, sendo um dos poucos do tipo no Nordeste. “Temos uma equipe de 13 cirurgiões de mão e microcirurgia. Esse serviço, pelo SUS, 24 horas por dia, só existe no Ceará e em Pernambuco”, afirmou o superintendente.

O hospital realiza, em média, quatro reimplantes por mês — número considerado elevado, devido à complexidade dos procedimentos. “São cirurgias delicadas, que exigem profissionais com alta qualificação e experiência”, ressaltou.

Cirurgia envolveu reconstrução completa

O procedimento exigiu a atuação de uma equipe multiprofissional especializada em cirurgia de mão e microcirurgia. A jovem teve uma das mãos totalmente amputada e a outra permaneceu ligada ao corpo apenas por tecidos.

“Foi necessário reconstruir a parte óssea, os tendões extensores e flexores, além de vasos, nervos e veias. É uma cirurgia muito complexa”, explicou o superintendente.

Após o procedimento, o quadro da paciente é considerado estável. “O reimplante está evoluindo de forma satisfatória, com boa perfusão dos membros. Agora seguimos acompanhando a evolução e o processo de reabilitação”, disse.

15 atendimentos por lesões contra mulheres por mês, diz gestor

O superintendente também chamou atenção para o aumento de casos de violência contra mulheres atendidos na unidade. “A média de atendimentos por agressões contra mulheres é de 14 a 15 por mês. É um fato preocupante”, alertou.

Ele destacou ainda que os números podem ser maiores devido à subnotificação. “Muitos casos não são relatados, então esses dados podem não refletir a realidade completa”, afirmou.

Segundo o gestor, as lesões variam e podem atingir diferentes partes do corpo. “Essas pacientes sofrem agressões na face e em diversas regiões. Muitas vezes, os antebraços são atingidos, pois funcionam como mecanismo de defesa”, explicou.

Reabilitação será longa

Apesar do sucesso inicial da cirurgia, o processo de recuperação da paciente deve ser prolongado. “O primeiro passo é salvar a vida. Depois, buscamos restabelecer a função e, por último, a estética”, explicou.

A paciente segue internada na UTI, sendo acompanhada por uma equipe multidisciplinar. “Ela está estável, sem uso de drogas vasoativas e com boa perfusão dos membros. Agora, entramos na fase de reabilitação, que exige tempo e dedicação para que ela recupere a funcionalidade”, concluiu.

IJF teve estrutura reforçada após crise

O superintendente também comentou sobre melhorias recentes no hospital após um período de dificuldades. “Recebemos o hospital com apenas 20% do estoque de materiais e insumos. Hoje, a realidade é diferente: não falta material necessário para as cirurgias”, disse.

Ele ressaltou investimentos em infraestrutura e ampliação de atendimentos. “Em março, batemos recorde com 1.430 cirurgias realizadas. Já entregamos 39 leitos de UTI e 99 leitos de enfermaria reformados”, afirmou. 

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