Tarcísio Sardinha morre aos 58 anos em Fortaleza

Mestre da música instrumental, o cearense tinha mais de 40 anos de estrada na cultura cearense e foi responsável por formar diferentes gerações de músicos e musicistas

Músico e mestre de tantos artistas cearenses, Tarcísio Sardinha faleceu nesta segunda-feira (25), em Fortaleza. Ele esteve internado em hospital da Capital desde o dia 9 de janeiro.

Considerado um dos maiores nomes da música instrumental, Tarcísio Sardinha imortalizou seu dom em diferentes áreas da cultura. Além de referência ao choro contemporâneo, o violonista, compositor, arranjador e multi-instrumentista foi um mestre para inúmeras gerações de músicos e musicistas.

Em mais de 40 anos de carreira, tornou-se especialista na execução e harmonização de diversos estilos musicais, sendo um dos profissionais mais completos e requisitados da cena musical cearense. Com o parceiro violão encantou salas de aula, rodas de choro, bares e lares.

Trajetória

Tarcísio de Lima Carvalho nasceu em uma família de músicos. Aos 11 anos, Sardinha passa aprender música como autodidata. Era um adolescente quando se profissionalizou no meio cultural. Com apenas 15 anos participava de grupos de baile e rodas de choro, paixão que herdou do avô e do pai. 

Na casa dos familiares, cresceu ouvindo choro e temas clássicos de  nomes como Altamiro Carrilho (1924-2012) e Jacob do Bandolim (1918/1969). O apelido “Sardinha” é alusivo ao famoso violonista Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955).

A alcunha foi presente do amigo e flautista José Tróglio Filho, criador do Grupo "O Pixinguinha", do qual Sardinha participou na década de 1980 ao lado de nomes como Pedro Ventura, Macumba, Joãzinho do Violão e Zivaldo.

Mestre carinhoso

Desde o final da década de 1990 Sardinha realiza trabalho voltado a oficinas de choro e de música brasileira. Nas quatro décadas de estrada, dividiu palcos e sessões de gravação com imortais da MPB. Trabalhou com Dominguinhos, Belchior, Fagner, Ednardo, Amelinha, Altamiro Carrilho, Yamandu Costa, Zé da Velha, Silvério Pontes, Maurício Tapajós e Sílvio Caldas.

O talento do mestre também se direcionava à direção musical de shows, assinando espetáculos de Zé Menezes, Clementina de Jesus, Zé Renato, Falcão, Fausto Nilo, Waldick Soriano, Zeca Baleiro, entre outros nomes. 

Pareceiro de Belchior, Sardinha foi responsável por levar aos palcos a caçula do artista sobralense. Vanick Belchior estreou na música ao lado do mestre em 2020. "Origada por segurar na minha mão, liberar tanta coisa que tava aqui guardada só pra mim e me levar para o meu próprio destino, que tão ansiosamente me esperava!", escreveu a artista em homenagem nas redes sociais.  

Vanick foi uma das artistas que subiu ao palco do Cineteatro São Luiz no dia 20 de março para um show solidário de homenagem ao multintrumentista. O espetáculo dirigido por Adelson Viana reuniu amigos e parceiros de Sardinha, como Macaúba do Bandolim, Mateus Farias, Theresa Rachel e Pantico Rocha.

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