São João: saiba origem das festas juninas, quadrilhas e comidas típicas

De acordo com pesquisador, as transformações culturais foram dando as características do período junino

Legenda: As bandeirinhas e as quadrilhas são alguns dos ícones das festas juninas
Foto: Kléber A. Gonçalves

A origem da festa junina e o que significa o "São João" se deram a partir da mistura de costumes europeus com os hábitos indígenas, produzindo uma das mais fortes expressões culturais do Brasil. Bandeirinhas coloridas, passos de quadrilhas, comidas típicas, festejos religiosos, forró pé de serra, simpatias são marcas do período enraizadas, principalmente, na região Nordeste. De acordo com o professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Aterlane Martins, o processo de colonização foi o ponto inicial da tradição. 

“Os portugueses, católicos, trouxeram a fé e os rituais dos santos juninos, Antônio, João e Pedro e difundiram essa tradição nas terras brasileiras. Com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil em 1808 a quadrilha, como dança nobre, chegou aos palácios e de lá saiu para as periferias das cidades e para os sertões”, explica. As datas em homenagens aos santos da Igreja Católica se mantêm até hoje, no São João 2019

Nesta quinta (13), é comemorado o dia de Santo Antônio. Já no dia 24 de junho, a festa tem como foco o Dia de São João, o santo protetor dos doentes. No fim do mês, no dia 29 de junho, a comemoração é para São Pedro, o encarregado, segundo a crença do catolicismo, por trazer as chuvas ao Sertão.

Comida típica da festa junina

A religião teve o papel de transformação na festa das colheitas, por exemplo, realizadas nesse período para comemorar a fartura no campo. Inclusive, como os povos nativos já cultivavam o milho e a mandioca, eles passaram a ser a matéria-prima principal quando o assunto são as comidas dessa época do ano. “Ambos eram colhidos nessa época, daí o motivo para a presença efetiva na culinária sazonal das festas juninas”, diz Martins. Por isso, nessa época do anos, há tantos vatapá, canjica, pamonha, mungunzá e outros. 

Quadrilha Junina

Porém, mesmo com força das comemorações mantida ao longo dos anos, as mudanças aconteceram, e deram uma nova cara ao tradicional. “Esse processo acompanha muito o de transformação sociocultural. Quando mudam os hábitos de produção/criação, distribuição e  consumo/fruição das pessoas, também muda a festividade. A partir dos anos 70, a festa de São João tomou um formato mais mercadológico, da indústria cultural, surgiram os festivais, com disputas, prêmios, regulamentos, e por aí vai”. 

Para o professor do IFCE, isso acarretou mudanças na dança típica do período: a quadrilha. Sem uma data específica para o surgimento, ela começou a aparecer com força ainda no início do século XX e não passou despercebida ao tempo. “Cada tradição criada acompanha as mudanças sociais. Ela é viva por que é feita pelas pessoas que as criam, as legam aos seus herdeiros, dão continuidade, e muitas vezes as ressignificam”.

Hoje em dia, as quermesses ainda continuam sendo realizadas, os "pratinhos" surgem em diferentes locais da cidade e as caracterizações enchem a rotina das crianças nas escolas. Enquanto isso, a cultura vai descobrindo novas formas de tomar os espaços de uma sociedade e se transformando continuamente.
 

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