Monja britânica Ani Zamba Chözom facilita o retiro "Dança das Emoções" no Clara Luz

Residente no Brasil há 19 anos, Ani retorna a Fortaleza e difunde os benefícios da meditação. O retiro começa nesta sexta (3), às 19h

Legenda: A monja Ani Zamba tem construído um centro de retiros no interior de Minas Gerais
Foto: Fotos: Helene Santos

Há um ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgava dados preocupantes sobre a ocorrência de depressão no mundo. Segundo a entidade, até 2020 a doença seria a enfermidade mais "incapacitante" do globo. E o Brasil já é o país mais comprometido, na América Latina, com 5,8% da população afetada pelo transtorno.

Convivendo com altos índices de violência e com um cenário político distante do equilíbrio social, os brasileiros se apoiam em tratamentos médicos, psicológicos e em conhecimentos para além das tradições do Ocidente, a fim de respirar. Dessa forma, muita gente tem encarado a meditação como uma saída para se harmonizar.

Nesse sentido, o retiro "Dança das Emoções", que acontece a partir desta sexta (3) até domingo (5), no espaço Clara Luz, traz a Fortaleza a monja britânica Ani Zamba Chözom, ordenada pela tradição do budismo há exatos 50 anos. Vivendo em Minas Gerais desde o ano 2000, a monja hoje ensina e difunde os benefícios da meditação pelo Brasil, por meio de palestras e outros encontros.

Ani Zamba tem procurado captar recursos para a construção do centro de retiros "Ati Ling", em Alagoa (município situado na Serra da Mantiqueira/MG). "Estou tentando arrecadar dinheiro para colocar o telhado e terminar a construção", pontua a budista.

Para Ani, o hábito de meditar tem crescido hoje, por conta do sentimento de insatisfação generalizada. "Quando eu vim ao Brasil pela primeira vez, tinha pouquíssimo interesse. Mas, com o passar dos anos, tem cada vez mais interesse e adesão. As pessoas estão começando a ver o valor da prática", percebe a monja.

Segundo ela, os brasileiros precisam compreender que a meditação transcende as religiões. Meditar é acessível para as pessoas de qualquer fé, ou mesmo para quem não crê em nada além da vida material. Ani Zamba reforça que a prática trabalha a mente e o corpo. "E todo mundo tem uma mente e um corpo. É basicamente sobre se familiarizar com um modo diferente de enxergar as coisas, diversos tipos de percepções, que sejam menos distorcidas ou confusas. Qualquer um pode estudar meditação, você não precisa ser religioso", orienta.

Integração

Ani sugere que a prática meditativa pode ser integrada a vários momentos da rotina de cada um, sem que o praticante precise definir horários e dias para o exercício. A monja não vê a meditação como algo "formal".

"A todo momento você tem uma oportunidade de praticar, se você tem as ferramentas psicológicas corretas para aplicar nas situações da vida diária. Mas você não precisa separar a meditação da própria vida. Eu sempre digo que a vida é prática e a prática é vida. Você não as separa", observa ela.

Bloqueios

Para o estilo ocidental que abarca o Brasil, o continente americano, dentre outros territórios, adotar uma prática meditativa pode parecer, à primeira impressão, algo deslocado. No cenário predominante nas grandes metrópoles, as pessoas se encontram, na maioria das vezes, confusas, apressadas, submetidas à correria no espaço público e a jornadas exaustivas de trabalho.

No entanto, a monja Ani Zamba esclarece que "entender nossa confusão" é o primeiro passo para seguir um caminho mais equilibrado, e parar de procurar a felicidade em estímulos externos. "Você entende essa confusão e depois trabalha com ela. Sempre digo às pessoas: 'não fuja das emoções, dos altos e baixos da sua vida, mas tente entender por que você tem esses altos e baixos'", sugere.

Ani reflete que, se a felicidade é encarada como algo que precisa ser preenchida com estímulos externos, o sentimento de que "falta algo", na vida de cada pessoa, se torna indomável.

"Se você conversar com qualquer um agora, todos têm esse sentimento de que algo está faltando e eles não sabem o que é, então correm para tudo que parece bom e fogem de qualquer coisa que pareça ruim. E isso é apenas a interpretação do que chega aos nossos sentidos", diz.

Ter boa educação, bom salário, bom relacionamento, segundo a monja, pode não ser suficiente para que alguém se sinta feliz, afinal, "toda a nossa vida nos ensinaram que não temos o que procuramos. Há sempre algo faltando", resume Ani Zamba.

Telas

Indagada se o uso excessivo de mídias digitais pode dificultar a prática meditativa, ela pontua que "depende da extensão do seu uso". O hábito de manter a mente ligada ao celular o dia inteiro pode viciar o usuário. Especialmente para as crianças, destaca a monja, a interação midiática constante gera deficiência de atenção.

"Se você está sempre no celular, você nunca consegue estar realmente presente, mas sempre procurando por aquele estímulo vindo da tela", atesta.

Ani, no entanto, faz uma ponderação. "Ao mesmo tempo que não acho tão saudável, eu utilizo o Facebook para me comunicar com quatro mil pessoas todos os dias. É preciso ser cuidadoso para que você use a ferramenta, e não o contrário. Para que ela não te controle", diz. "Deve haver disciplina. E a meditação é realmente sobre focar sua mente de uma forma muito relaxada", complementa. (Colaborou Stéphanie Sousa).

Serviço 
Dança das Emoções 

O retiro acontecerá a partir desta sexta (3), às 19h, e segue até domingo (5), com a presença da monja Ani Zamba Chözom (Reino Unido), no espaço Clara Luz (Rua Coronel Linhares, 452, Meireles). As inscrições custam R$ 350. Contato: retirofortaleza2019@gmail.com - (85) 3055.5029/99991.3507 
 

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