Hugo Bianchi, primeiro bailarino do Ceará, morre aos 95 anos

Causa da morte ainda não foi divulgada

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
(Atualizado às 15:19)
Hugo Bianchi
Legenda: Além de dançarino, Hugo Bianchi foi professor de dança e coreógrafo
Foto: Natinho Rodrigues

O primeiro bailarino do Ceará, Hugo Bianchi, faleceu, na manhã desta terça-feira (18), aos 95 anos. A informação foi divulgada pela escola de dança fundada por ele, Ballet Hugo Bianchi, através das redes sociais. 

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"É com extremo pesar que comunicamos infelizmente a partida do nosso Mestre Hugo Bianchi nesta manhã de janeiro. Um homem íntegro que é só espalhou a disciplina e o amor ao próximo", declarou a instituição. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Além de dançarino, Hugo Bianchi foi professor de dança e coreógrafo. A Sala de Dança do Theatro José de Alencar leva o nome dele, em homenagem à trajetória dedicada à arte. 

Bianchi não dançava há mais de 40 anos. Nesse período, dedicou-se exclusivamente ao ensino do balé. Segundo o Ballet Hugo Bianchi, ele fazia questão de acompanhar a formação de alunos, mesmo aos 95 anos.

Em 2006, ele recebeu o prêmio Sereia de Ouro em homenagem à trajetória importante para o Ceará. 

Após a notícia do falecimento do bailarino, a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) se pronunciou nas redes sociais. 

Dançarino autodidata

Hugo Bianchi em apresentação de ballet
Legenda: O dançarino coreografou, ao longo de 54 anos, espetáculos do balé clássico como Giselle, Otelo, A Valsa Proibida e O Quebra Nozes
Foto: reprodução/redes sociais
 

Na dança, começou como autodidata, escolhendo como mestres os dançarinos Gene Kelly e Fred Astaire nos musicais que assistia na tela do extinto Cine Diogo, em Fortaleza. A carreira como bailarino começou mesmo aos 16 anos. 

Dedicado, tornou-se destaque nas grandes apresentações do palco principal do Theatro José de Alencar, além de prestar grandes contribuições ao teatro cearense.

Em 1948, aos 22 anos, deixou as terras alencarinas, e seguiu para a capital do Rio de Janeiro. Sem conhecer ninguém na cidade fluminense, chegou a dormir na rua, até ser apresentado, por um conterrâneo, ao empresário e à coreógrafa do Teatro Carlos Câmara, Madame Lou, que aprovou o ingresso de Hugo Bianchi no corpo de baile ao lado dos principais bailarinos da capital. 

Formou-se bailarino pelo Serviço Nacional de Teatro do Rio de Janeiro, onde aperfeiçoou a própria técnica com Dina Nova, Maria Olenewa, Vaslav Veltchek, Tatiana Leskova e David Dupré. A trajetória de sucesso no município o fez ser o parceiro preferido de artistas como Luz Del Fuego e Dercy Gonçalves

Em 1951, retornou a Fortaleza por três anos, mas logo depois foi novamente ao Rio, onde se tornou pupilo da coreógrafa Eros Volúsia, no elenco do Serviço Nacional de Teatro. A parceria dos dois durou cerca de uma década. 

A escola de dança Ballet Hugo Bianchi foi fundada por ele em 1966. O dançarino coreografou, ao longo de 54 anos, espetáculos do balé clássico como Giselle, Otelo, A Valsa Proibida, O Quebra Nozes, Lago dos Cisnes, muitos deles encenados no Theatro José de Alencar.

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