Folclore brasileiro: saiba o que é e veja as 5 principais lendas

O Dia do Folclore celebra os saberes populares tradicionais e é comemorado em 22 de agosto, desde 1965

Escrito por Redação,

Verso
Legenda: O saci-pererê
Foto: Divulgação

Para a maioria das pessoas, a primeira aula de valorização da cultura brasileira se dá envolta em cores festivas e povoada de seres fantásticos. O folclore é essa porta de entrada, com seus personagens mágicos, festas e comidas típicas. Desde 1965, comemoramos o Dia do Folclore em 22 de agosto.

Folclore é como se chama um vasto repertório cultural, que engloba elementos como costumes, lendas, superstições, provérbios, manifestações artísticas, receitas gastronômicas e festas anuais.

Cada elemento se inscreve nas tradições populares, sendo, portanto, uma ligação com o passado, viva e atualizada, de geração em geração, na maior parte das vezes por meio da transmissão oral.

Como área do saber, é explorada por diversas disciplinas das ciências sociais, em especial a antropologia, a sociologia e a semiótica da cultura. "É uma ciência da psicologia coletiva, com seus processos de pesquisa, seus métodos de classificação, sua finalidade em psiquiatria, educação, história, sociologia, antropologia, administração, política e religião", definiu Luís da Câmara Cascudo (1898 - 1986), principal nome do folclore no Brasil.

No País, o Dia do Folclore foi instituído em 1965, no afã nacionalista da Ditadura Militar. O decreto nº 56.747 foi assinado no dia 17 de agosto daquele ano pelo então presidente, o marechal cearense Humberto Castello Branco (1897 - 1967).

Legenda: O curupira, figura do folclore brasileira de origem indígena. A ilustração é do livro "Abecedário de personagens do folclore brasileiro" (Edições Sesc/FTD)
Foto: Divulgação

A data foi escolhida em referência ao dia da publicação de uma carta do escritor britânico William Thoms (1803 - 1895) na revista literária The Athenaeum, em 1846. No texto, Thoms apresentou ao mundo a palavra "folklore". Ele propunha que assim fosse nomeado o conjunto do "saber tradicional do povo". Pesquisador das então chamadas "antiguidades populares", Thoms pretendia batizar uma área do conhecimento que se ocupasse dos "usos, costumes, cerimônias, crenças, romances, refrões, superstições, etc., dos tempos antigos".

Lendas folclóricas

Uma das manifestações culturais mais identificadas com o folclore é o conjunto de lendas. Histórias e personagens sobrenaturais, que aparecem em histórias e causos contados de uma ponta a outra do País. Alguns têm uma popularidade mais circunscrita a uma região, outros aparecem em todas elas. Mas a atuação de divulgadores da riqueza dos saberes populares ampliou o alcance de alguns deles.

As lendas folclóricas têm como fonte primeira os mitos indígenas, ainda que muitos personagens tenham chegado aqui por meio dos povos africanos e europeus. Com frequência, a versão final, brasileira, é o resultado de um cruzamento de fontes diversas.

Entre as principais lendas do folclore brasileiro estão: 

  • Boto cor-de-rosa - Tipo de golfinho que habita os rios amazônicos, na lenda ele ganha o poder de se transformar num homem de beleza extraordinária, que seduz e engravida mulheres em épocas de festas. 
  • Mula sem cabeça  - É uma assombração, que na origem teria sido uma pecadora amaldiçoada (quase sempre o pecado teria sido o de ter se feito amante de um padre). O encanto pode ser desfeito caso alguém tire sangue dela, com um pedaço de madeira que não tenha sido usado com outro fim.
  • Saci-Pererê - É descrito como um menino negro, de uma perna só, que usa um gorro e fuma cachimbo. Ele faz bagunça por onde passa e é considerado um "trickster", figura comum a muitas mitologias, que prega peças nos homens ou quebra regras de comportamento.
  • Cuca - Bruxa com corpo de jacaré, a Cuca sequestra crianças desobedientes. É um tipo "bogeyman", categoria mítica recorrente em diversas culturas, cujos personagens são usados para dar lições aos pequenos por meio do medo. Bicho-papão e Velho do Saco são, assim, parentes da Cuca.
  • Boitatá - De origem indígena, o mito a descreve como uma cobra-de-fogo gigante, que protege os campos  e pode cegar quem a encontra. Alguns especialistas acreditam que é uma explicação fantástica para o fenômeno do fogo-fátuo.

Parlendas e ditados populares

Ainda nos domínios da palavra, o saber tradicional se manifesta nas parlendas folclóricas e nos ditados populares.

De autoria coletiva e de domínio público, as parlendas são versos ritmados, normalmente curtos, simples e repetitivos. É um tipo de poesia oral associada ao universo infantil, memoriada e transmitida de uma geração a outra. São exemplos bem conhecidos de parlendas folclóricas:

"Um, dois, feijão com arroz
Três, quatro, feijão no prato
Cinco, seis, falar inglês
Sete, oito, comer biscoitos
Nove, dez, comer pastéis"

e

"Batatinha quando nasce,
Se esparrama pelo chão,
Menininha quando dorme,
Põe a mão no coração"

Já os ditados populares se propõem como instantâneos de sabedoria, capazes de ditar verdades universais. O repertório é vasto e tem raízes nas mais diversas culturas. Para provar o ponto defendido, muitas vezes se valem de jogos de palavras.

Alguns exemplos:

A voz do povo é a voz de Deus.

Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura.

A curiosidade matou o gato.

A mentira tem pernas curtas.