Em alusão ao Dia da Mulher, ciclo pragmático lança programação sobre gênero e decolonialidade

"Mulheres em CriAção - arte e pensamento" busca trazer mulheres com vivências distintas que atuem em diferentes linguagens artísticas

Esta é uma imagem do grupo Aquas
Legenda: Grupo Aquas apresenta repertório unindo axé e jazz na abertura do ciclo pragmático "Mulheres em CriAção: arte e pensamento"
Foto: Luiz Alvez

O Dia Internacional da Mulher só acontece na próxima segunda-feira (8), mas as atividades em alusão a data já começam nesta quinta (4) no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Durante as três primeiras semanas de março, o equipamento realiza o ciclo pragmático "Mulheres em CriAção - arte e pensamento", com exibições artísticas e formativas de trabalhos produzidos por mulheres artistas e pesquisadoras atuantes em Fortaleza e no interior do Estado. 

No primeiro momento do ciclo, que vai de 4 a 9 de março, o Dragão do Mar exibe apresentações artísticas individuais e coletivas de artistas mulheres da música, do circo, do teatro, da dança e das artes visuais, a partir das 19h, no YouTube e no Instagram do centro cultural. 

Para marcar a abertura do ciclo que começa hoje (4), o grupo Aquas, formado pelas musicistas Luiza Nobel, Lu Basile, Mirele Alencar e Ayla Lemos, comanda o show o “Aquas: um mergulho no som de Joyce e Donato”, com um repertório que reúne axé, jazz e swing. 

“Essa questão do swing e de repetições acabam soando como um mantra e você vai criando um clima de cada ritmo”, diz Ayla Lemos sobre a escolha das músicas que fazem parte do disco “Aquarius”, lançado em 2012 por Joyce e João Donato.

"Acho que gravar esse vídeo teve um tom especial, no sentido de que somos uma banda só de mulheres ocupando a cena e se expressando e isso não deixa de ser uma referência, um gesto de certo modo político que lembra, faz notar a importância e papel das mulheres na arte, na música", projeta Lu Basile. 
 

Já no fim de semana, a programação abre destaque para as atividades cênicas. No sábado (6), o Coletivo Desvie, quinteto integrado por mulheres cis e trans, estreia com o espetáculo circense “Carne sólida: Levantes para sustentar o peso do céu”, enquanto no domingo (7) a apresentação fica por conta do Coletivo Arremate de Teatro com o espetáculo “Entre Nós: em casa”, que provoca reflexões sobre questões que têm permeado o cotidiano de mulheres, especialmente durante esse período de isolamento social.

Esta é uma imagem do espetáculo do coletivo Entre nós
Legenda: Coletivo Arremate de Teatro traz “Entre Nós: em casa”, adaptação virtual do espetáculo “Entre Nós: buzinas, chicotes e ácidos”
Foto: Leandro Monteiro

Em um solo autoral, a intérprete-criadora Janaína Bento inicia o encerramento das atividades do primeiro momento do projeto, na terça-feira (9) às 19h, com uma performance de dança-movimento. Em seguida, Maria Macêdo estreia “Via, 2018”, videoarte que metaforiza o corpo/casa em constante processo de refazimento, reproduzindo como a matéria se comporta a partir de vivências distintas e cotidianas.

“A ideia era trazer mulheres nas mais diversas atuações. Se considerar o mês todo, a gente tem mulheres na música, temos mulheres nas artes cênicas no teatro, no circo e na dança. (...) De um modo geral, a gente buscou uma diversidade de perfis. Como são essas mulheres? De onde elas vêm?”, explana Roberta Félix, gerente de Ação Cultural do Dragão do Mar. 

Pensamento 

Para compor esse painel a partir da presença de mulheres com vivências distintas, o Dragão do Mar inicia na segunda-feira (8) uma série de partilhas de saberes e experiências de artistas, ativistas e pesquisadoras que versam sobre questões contemporâneas em torno da criação, da produção de pensamento e da mobilização política do ser feminino. 

No segundo momento do ciclo, que vai do dia 8 a 19 de março, o Dragão do Mar abre o debate sobre a representatividade da mulher indígena. Para a palestra de quarta (10), o espaço convida a antropóloga indígena e realizadora audiovisual Rute Anacé, que discorrerá sobre o tema “Terra e Memória: construção e reconstrução Anacé”. A temática também será dialogada no dia 15 de março, quando a cacique e diretora da Escola Indígena Jenipapo-Kanindé Juliana Jenipapo debaterá sobre “Mulheres Indígenas na Luta pelo Território”.

Esta é uma imagem de Rute Anacé
Legenda: Rute Anacé discorre sobre “Terra e Memória: construção e reconstrução Anacé” no ciclo pragmático “Mulheres em CriAção”
Foto: Diego Souza

Além da representatividade indígena, a série apresenta também questões da população feminina LGBTQIA+. A temática será discutida pela artista visual Marília Oliveira, a qual apresenta o tema “O corpo sapatão político, agenciador de memória e as alternativas à pedagogia visual que se abate sobre nós”, no dia 12. Já o encerramento da programação “Pensamento” fica por conta da pesquisadora de gênero e ativista transfeminista Helena Vieira, que discutirá sobre “Feminismos e Dissidência”.

“A gente percebe também as atuações dessas mulheres nos seus segmentos, não necessariamente falando de feminismo, não necessariamente falando do ser mulher, mas a própria presença delas nesse ambiente as vezes já uma situação de enfrentamento, de pensar diferente. De trazer um contraponto”, pontua Roberta.

As discussões, embora partam de lugares de fala que atravessam temáticas distintas, trazem como base comum o gênero e a decolonialidade. “A gente percebeu que há um fio que passa por todo mundo. Vai além da perspectiva de gênero. Todas essas mulheres de alguma forma refletem sobre o seu lugar e o lugar da mulher de modo geral, na sociedade e na arte”, diz a gerente de ação cultural.

Crítica

Do “Pensamento”, nasce o momento “Crítica”. Presentes nos debates narrativos anteriores, Ana Aline Furtado, Helena Vieira e Marília Vieira retornam ao ciclo "Mulheres em CriAção - arte e pensamento" com uma nova participação. A partir do dia 16 de março, as convidadas comentam obras artísticas de outras criadoras que são objeto de suas pesquisas, autoras de conceitos por elas estudados ou referência para os seus trabalhos.

No dia 16, Ana Aline Furtado apresenta "A importância da chuva", uma conversa com o trabalho da artista visual, rádio host, curadora, fotógrafa, escritora e editora Ana Lira. Dano continuidade a programação do dia 17, Helena Vieira destacará “A crítica feminista à categoria ´mulher´”. Por fim, em 18 de março, Marília Oliveira faz uma análise sobre “A produção híbrida de Fernanda Magalhães: o corpo gordo, a fotografia, a performance e algumas possibilidades de leitura de seu trabalho”.

Partilha de processos

Completando o ciclo pragmático "Mulheres em CriAção - arte e pensamento", a programação apresenta ainda um conjunto de partilhas de processos artísticos que será exibido sempre às 17h entre os dias 15 e 19 de março. Na série, cinco artistas visuais - Paloma Pajarito, Soupixo, Jamile Queiroz, Marissa Noana e Dhiovana Barroso - comentam suas obras, previamente lançadas no site. 

“Não vamos ouvir só mulheres brancas, bonitas e bem sucedidas no modo padrão da sociedade, mas que a gente escute mulheres que estão oprimidas, mulheres que estão lutando, mulheres que não só estão sofrendo, mas que estão criando, que tão fazendo várias coisas com seus recursos e com as suas condições”, completa Roberta.

Serviço

"Mulheres em CriAção - arte e pensamento"

De 4 a 19 de março, a partir das 17h, no YouTube e Instagram do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Mais informações no site.

 

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