Desenhos infantis revelam um olhar de leveza e conscientização sobre os riscos da pandemia

Quatro crianças desenharam, para o Diário do Nordeste, como enxergam o período de isolamento social provocado pelo risco de contágio do coronavírus

Legenda: Catarina Saraiva, 7 anos, passou os primeiros meses de isolamento no Sertão Central e a experiência lhe inspirou a criar um desenho
Foto: Thiago Gadelha

O isolamento social vivido pela população no Brasil, desde a segunda quinzena de março, exigiu uma boa dose de "razão" de quem decidiu respeitar os cuidados necessários para reduzir os riscos de contágio do coronavírus. Essa orientação, no entanto, foi vivida na mesma sensibilidade e sinceridade com as quais as crianças experimentam o começo da vida, apesar delas terem de assimilar uma série de privações no período - a exemplo da interrupção da rotina escolar e da convivência com os avós.

Para o Dia das Crianças, celebrado nesta segunda (12), a reportagem do Diário do Nordeste convidou duas crianças residentes em Fortaleza e duas do interior do Ceará para expressarem, por meio do desenho, como elas enxergam a pandemia. 

Primeira criança a responder o convite da reportagem, a menina Lana Aguiar, 7 anos, "protestou" contra a quarentena e, além de rabiscar a forma do vírus, ainda escreveu sobre sentir saudade e esperar que um super herói resolva a situação.   

Legenda: Desenho de Lana Aguiar, 7 anos
Foto: Arquivo Pessoal

"Coloquei assim esse negócio, tipo um coronavírus, e um X, porque não gosto dele. Se a gente pegar ele, as pessoas podem até morrer. Tô com muita saudade das minhas amigas, e até dos meus vôs!", explicou. Filha do escritor e roteirista de quadrinhos José Wellington (autor de obras como "Cangaço Overdrive", de 2018), Lana mora em Sobral (CE) e, segundo o pai, ela segue a referência de casa e "adora desenhar". 

Legenda: Lana (de vermelho, à direita), o pai Zé Wellington e a irmã Clarice
Foto: Arquivo Pessoal

Filho da artista Catarina Queiroz, Yuri Godek, 8 anos, quis conversar, antes de criar os traços, sobre como ia compor sua arte. O garoto visualizou a situação e depois transmitiu, para o papel, a consciência dos cuidados em prol da saúde nesse momento, e a união de todos pelo coração. Todos os personagens do desenho usam máscara.  

Legenda: O garoto Yuri Godek, 8 anos, e seu desenho "estratégico" de eliminação do coronavírus
Foto: Catarina Queiroz

"Vou fazer tipo uma pessoa né, com máscara e tal, com álcool em gel na mão. Daí ela tá espirrando álcool, e o coronavírus tá chegando assim. Aí fica tudo mais legal, porque o coronavírus vai morrer com isso. E tudo volta ao normal, a gente vai poder ver os amigos, a família", antecipou Yuri. Agradecido pela oportunidade de se expressar, o garoto admitiu: "adoro desenhar, e o coronavírus é uma coisa muito chata mesmo".   

Também atenta aos cuidados para não pegar o vírus, Clarisse Arrais, 9 anos, desenhou com destaque para a medida de distanciamento social entre as pessoas. Filha da servidora pública Kássia Arrais, de Altaneira (CE), a criança lembrou das recomendações básicas de prevenção: "o desenho retrata sobre a importância das crianças usarem máscaras, álcool em gel e manter a distância. Mesmo que não estejam no grupo de risco, elas podem transmitir o vírus".  

Legenda: Desenho de Clarissa Arrais, 9 anos, de Altaneira (CE)
Foto: Kássia Arrais

Leveza

A privação mudou a rotina das crianças durante esta pandemia, mas nem toda experiência de quarentena segue esse tom. Catarina Saraiva, 7 anos de idade, passou os cinco primeiros meses de distanciamento social isolada no Sertão Central, em Senador Pompeu (CE), convivendo com boa parte de sua família mais próxima. 

Filha da artista visual e escritora Raisa Christina e do músico Rodrigo Colares, ela criou um desenho inspirado nos dias vividos pelo sertão. Ao lado da prima mais nova, Inaê (filha do músico Bruno Rafael, irmão de Raisa), Catarina pôde plantar com os avós, alimentar os animais e se conectar ao ritmo do campo. 

Legenda: Desenho de Catarina Saraiva, 7 anos
Foto: Thiago Gadelha

"Elas ficaram num clima muito legal. Claro que a gente falava sobre o que estava acontecendo, mas para elas (as primas) foi uma experiência muito leve. Meus pais plantam, e elas acompanhavam, viam as plantas crescendo, desabrochando", recorda a mãe.

Para além da cena que fica evidente nos traços da criança, a expressão dela sugere o que os adultos costumam "desaprender" após a maturidade: é possível ser brando, apesar das limitações de um tempo difícil. "Desenhei eu lá no sertão dando comida aos pássaros. Com a minha prima Inaê e o vovô Júnior. Dava comida no quintal, que a gente plantava flores e algumas frutas, legumes. Nós fazíamos isso depois que eu acordava", recapitulou Catarina.

Ouça o podcast "É Hit", com João Lima Neto:

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