Tenente-coronel preso por feminicídio pode perder patente em processo na Justiça Militar
Geraldo Leite Rosa Neto será julgado por três coronéis no chamado Conselho de Justificação.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso desde 18 de março, suspeito de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, pode perder a patente no Conselho de Justificação, um procedimento no qual será julgado por três coronéis.
Dois profissionais homens e uma profissional mulher foram nomeados no final de março para compor o conselho pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
Esposa de Geraldo, a policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento que dividia com o marido em 18 de fevereiro. O caso foi tratado inicialmente como suicídio, tese sustentada pela defesa do tenente-coronel.
O processo do Conselho de Justificação é previsto para durar 30 dias, sendo prorrogável por outros 20 dias. A partir da defesa do acusado, o colegiado pode absolvê-lo ou sugerir sanções que incluem perda do posto e da patente.
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PM de São Paulo aposentou o acusado
No dia 2 de abril, a Polícia Militar de São Paulo baixou uma portaria de inatividade que mandou o acusado para a reserva.
Pela decisão, Geraldo se aposentou e continuará recebendo salário, cerca de R$ 21 mil mensais.
De acordo com a PM de São Paulo, a aposentadoria não faz com que o tenente-coronel escape do processo de expulsão da corporação que foi aberto pela Corregedoria.
Laudo indicou que Gisele foi assassinada
A prisão de Geraldo ocorreu após pedido da Polícia Civil com base em documentos da Polícia Técnico-Científica que indicaram sinais de que Gisele teria desmaiado antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.
Segundo os documentos da perícia, manchas de sangue da soldado foram encontradas por diferentes cômodos do apartamento.
Lesões no rosto e no pescoço de Gisele foram reveladas em laudo necroscópico.
Segundo informações da TV Globo, o documento ainda aponta que as lesões encontradas na PM eram "contundentes" e tinham sido feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal", expressão que indica marcas de unhas.