Banco Master pagou mais de R$ 80 milhões a escritório da esposa de Alexandre de Moraes
Dados foram repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado do Congresso Federal.
O Banco Master pagou mais de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). É o que aponta dados da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Segundo o g1, os pagamentos ocorreram entre 2024 e 2025, no intervalo de 22 meses, em parcelas de R$ 3,6 milhões. Já a Folha de São Paulo cita um pagamento total de R$ 40,11 milhões somente em 2024.
Os valores foram pagos imediatamente após uma nota de prestação de serviços ter sido emitida pelo banco de Daniel Vorcaro. O Congresso só tomou conhecimento dessas informações recentemente, após notar a ausência delas na primeira fase de apurações com o Fisco.
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As primeiras ligações entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados foram divulgadas em março pelo jornal O Globo.
A reportagem da época mostrou que o banco declarou pagamentos que totalizaram R$ 80.223.653,84. Eles começaram em fevereiro de 2024 e duraram por 22 meses, até novembro de 2025.
Para a Receita, a instituição de Vorcaro declarou qu recolheu R$ 4.933.754,76 desse montante somente em impostos retidos na fonte.
Procurado pelo g1, o escritório Barci de Moraes afirmou que "não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".
Serviços jurídicos
Também em março, o escritório de Viviane de Moraes emitiu uma nota em que revelava um contrato de assessoria jurídica com o Banco Master.
A ligação entre os empreendimentos ocorreu no mesmo período dos pagamentos milionários, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Na nota, é dito que serviço foi prestado por uma equipe composta por 15 advogados e, no período da consultoria, foram realizadas 79 reuniões na sede da instituição financeira.
"Para a realização dos serviços, também contratou outros três escritórios especializados em consultoria, que ficaram sob sua coordenação", dizia o texto.
Prisão de Vorcaro
Vorcaro foi preso no dia 4 de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF. Ele é acusado de liderar um grande esquema de fraudes bancárias.
A investigação que culminou na prisão de Daniel Vorcaro apura fraudes financeiras no Banco Master e uma tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), vinculado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
A prisão do banqueiro foi autorizada pelo André Mendonça após pedido da PF, baseado em novos elementos que indicam que o banqueiro teria dado ordens diretas a outros investigados para intimidar jornalistas, ex-funcionários e empresários, além de ter tido acesso antecipado a informações sigilosas da apuração.
Vorcaro já encarou a Polícia Federal ao ser preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. A prisão ocorreu enquanto ele tentava fugir para os Estados Unidos no mesmo dia em que o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master.
Dez dias depois, a Justiça resolveu liberá-lo juntamente com outros quatro sócios do antigo banco. Vorcaro foi impedido de sair do país, de exercer atividades no setor financeiro e de ter contato com outros investigados. Ele também foi ordenado a usar tornozeleira eletrônica.
O banqueiro é apontado como líder de um esquema fraudulenta que envolvia carteiras "pobres", emitidas por empresas de fachada ou fantasmas, controladas pela instituição financeira, recentemente liquidada pelo Banco Central.