Policiais relatam agressões de tenente-coronel Neto contra Gisele dentro do quartel

A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada sem vida com um tiro na cabeça em casa. Marido e tenente-coronel é o principal suspeito.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 08:53)
Imagem de um homem e uma mulher sorrindo em uma selfie ao ar livre, com carros de estacionamento ao fundo, sugerindo um momento alegre e descontraído.
Legenda: Crime ocorreu em 18 de fevereiro.
Foto: Reprodução.

Policiais militares que trabalhavam com Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça em fevereiro, presenciaram episídos de violência contra ela protagonizados pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito do crime.

As denúncias fazem parte do processo instaurado para investigar a morte de Gisele. Elas foram obtidas e divulgadas pela Folha de São Paulo e o g1.

Os depoimentos relatam comportamentos violentos, ciúmes excessivos, coação e ameçaca por parte do tenente-coronel, que está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.

Além desse caso, Geraldo Neto também foi denunciado nesta semana ao Ministério Público de São Paulo, suspeito de assédio sexual e moral contra uma policial militar.

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O que dizem os policiais

Dois depoimentos relatam um episódio de violência de Neto contra Gisele, que teria acontecido em um corredor entre a reserva de armas e a seção de logística, onde a soldado trabalhava.

Um dos relatos descreve que Neto teria pego Gisele pelos braços e a pressionado contra a parede. Já outro aponta que ele teria levado à mão ao pescoço dela. Apesar das divergência, as duas testeminhas concordam que agressões foram filmadas por câmeras de segurança.

Não há uma data precisa de quando esse fato aconteceu, mas estima-se que teria ocorrido antes do casamento dos dois. Gisele iniciou o trabalho na corporação em dezembro de 2022 e se casou com Neto em junho de 2024.

Ainda segundo o processo, um soldado da PM também afirmou que "chegou a presenciar desentendimentos do casal no departamento, inclusive uma vez viu o tenente-coronel Neto encurralando Gisele em um canto".

Ciúmes e perseguição

Vários policiais relembraram casos de "ciúmes descontrolado" que o tenente-coronel protagonizou. Em um deles, durante um café, uma sargento teria elogiado Gisele.

Ao saber disso, e pensando que o comentário foi feito por um homem, Neto começou a fazer questionamentos insistentes à soldado de quem teria sido o autor.

Quando a sargento pediu licença e se retirou do local, o tenente-coronel a seguiu e teve de ser contido por Gisele e outros policiais. Esse fato é recontado em mais de um depoimento.

Os policiais recordaram que Neto se aproxiamava sorrateiramente do local de trabalho da esposa e se "espreitava" atrás de colunas para escutar o que ela conversava. Ela foi descrita pelos colegas como uma pessoa extrovertida, leve e falante, mas que se retraía quando o marido aparecia no recinto.

Outro policial afirmou que, após ficar sabendo de mais uma discussão, o comandante-geral da PM teria conversado com Gisele e impedido Neto de entrar no quartel. Depois do casamento, segundo a mesma testemunha, ele voltou a frequentar o local.

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Denúncia por assédio sexual

Na última quarta-feira (25), Geraldo Neto foi denunciado por uma policial militar que relata ter sido vítima de investidas indesejáveis e convites obscenos. Esses episódios teriam ocorrido enquanto o tenente-coronel estava casado com Gisele.

Conforme o relato da policial, obtido pelo g1, Neto tentou beijá-la a força na sede da companhia, mas foi impedido por ela. Ambos trabalharam no mesmo batalhão entre julho e novembro do ano passado.

Neto também teria cobrado favores em troca de segundas intenções, além de insistir em convidar a policial para saídas fora do horário de serviço.

Para envitar contato com o tenente-coronel, a policial pediu mudança para o turno da noite. Porém, Neto voltou a procuá-la durante o plantão noturno. Dias depois, a vítima foi transferiada para uma ala distante da residência dela, uma ação que ela entendeu como vingança por parte do suspeito.

A policial relata também que tinha medo de formalizar a denúncia a superiores por receio de represálias. Ela tomou a iniciativa de apresentar uma denúncia contra o oficial após a morte de Gisele, com orientação de uma procuradora de Justiça.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento que dividia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, em 18 de fevereiro.

A Polícia Civil pediu a prisão de Geraldo à Justiça com base em documentos da Polícia Técnico-Científica que indicam sinais de que Gisele teria desmaiado antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa.

Segundo os documentos da perícia, manchas de sangue da soldado foram encontradas por diferentes cômodos do apartamento.

Gisele Alves Santana. Mulher sorridente usando uniforme e boina militar posa para foto em frente a painel com imagem urbana ao fundo.
Legenda: Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça.
Foto: Reprodução.

Além disso, o laudo necroscópico revelou lesões no rosto e no pescoço da vítima.

De acordo com informações da TV Globo, o documento ainda aponta que as lesões encontradas na soldado eram "contundentes" e tinham sido feitas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal", expressão que indica marcas de unhas.

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