Cearense que lutou contra estuprador relembra omissão de socorro e importância de defesa pessoal
Jéssica fala que por mais de 10 minutos gritou pedindo ajuda, mas ninguém foi até a sua casa.
A nutricionista cearense Jéssica Soares, vítima de uma tentativa de estupro em Barueri, na Grande São Paulo, recordou, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, no sábado (7), as tentativas sem sucesso de pedir ajuda aos vizinhos enquanto sofria ataque. Para ela, houve omissão dos vizinhos.
Jéssica pontua que, por mais de 10 minutos, gritou pedindo ajuda, mas ninguém foi até a sua casa: "A porta estava destrancada, eu estava gritando, pedindo socorro. Eu dizia que eu não o conhecia, falava: 'quem é você'? Os vizinhos escutavam, ninguém foi...".
A vítima recorda que, quando estava no corredor tentando fugir do agressor Wellington de Oliveira Santos, uma mulher a ajudou: "Ela foi um anjo na minha vida".
Ela relata ainda que, diante de outras pessoas, ele tentava fingir que eles se conheciam. Depois da ajuda de uma mulher, outras pessoas apareceram.
“Eu fiquei um bom tempo segurando ela. Na hora, ela vai para cima dele como se eu fosse filha dela. Ela não quis saber se estava armado, se não estava. Ela foi um anjo de Deus, uma mulher salvando outra mulher, entende? Porque os homens não saíram nenhum, saíram depois, foram lá onde ele estava e ficaram em volta dele. Mas, em momento nenhum, encostaram, perguntaram nada, só ficaram em volta para ele não fugir até a Polícia chegar", relembra.
"Estava com muito sangue, até o corredor ficou com sangue nas paredes...", disse a vítima.
Neste sábado, Jéssica Soares voltou para Fortaleza e reencontrou sua família: "É aqui que eu recarrego minhas energias, é no meu canto, é com os meus".
DEFESA PESSOAL
Jéssica escapou do ataque após ficar cerca de 13 minutos em luta corporal e aplicar um "mata-leão" no agressor.
A vítima contou à reportagem que dormia quando teve o apartamento invadido. Wellington teria dito a ela que já vinha a observando há algum tempo. A defesa do preso não foi localizada pela reportagem.
A nutricionista lembra ainda que acordou assustada, tentando se defender no primeiro momento, até sem entender o que estava acontecendo. O caso aconteceu na manhã do dia 23 de maio de 2026.
"Eu estava muito cansada, ofegante, não consegui fechar o 'mata-leão' e fiquei pensando em uma estratégia para sair dali. Consegui imobilizar ele", diz.
"Treinei defesa pessoal em Fortaleza, treinei boxe, Jiu-jitsu, Muay Thai... Todos os ensinamentos e Deus foram o que salvaram a minha vida".
A cearense destaca a importância das mulheres aprenderem a se defender e diz precisar "de uns dias para recarregar e voltar mais forte".
Quem é o suspeito preso por tentativa de estupro?
Wellington de Oliveira Santos implorou ao menos quatro vezes ao juiz para não permanecer preso.
O suspeito já tem uma condenação por estupro em 2015 e estava em livramento condicional desde julho de 2021.
O acusado alegou à Justiça que estava embriagado e que cuida do pai de 74 anos e do filho de 11 anos. Ele afirmou ser ajudante geral e também admitiu já ter respondido por roubo.
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O homem teria pedido ainda um "voto de confiança" ao juiz, dizendo que "não era toda essa periculosidade". "Não sou esse monstro todo. Te imploro, doutor, que o senhor possa me ajudar, me dar uma confiança", suplicou.
No entanto, o magistrado determinou a necessidade da prisão, convertida em preventiva, para preservação da vítima.
Ainda na audiência de custódia, Wellington disse que tinha saído para beber e decidiu entrar em um prédio, enquanto caminhava de volta para casa, pois estava chovendo.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
Em casos de violência contra a mulher, a prioridade é garantir a segurança da vítima e agir rapidamente buscando os canais oficiais de proteção. Se a agressão estiver ocorrendo no momento ou houver risco iminente, deve-se ligar imediatamente para a Polícia Militar pelo número 190.
Para realizar denúncias de violências passadas ou recorrentes, buscar acolhimento psicológico, ou receber orientações jurídicas de forma totalmente gratuita e sigilosa, o canal adequado é o Ligue 180, disponível 24 horas por dia.
Além dos canais telefônicos, é fundamental que a vítima ou testemunhas registrem um boletim de ocorrência presencialmente na Delegacia de Defesa da Mulher ou em qualquer outra delegacia da Polícia Civil, buscando também atendimento médico para tratar possíveis lesões e documentar legalmente as provas da agressão.
Em casos de violência sexual, a ação imediata é fundamental tanto para a proteção da saúde da vítima quanto para a coleta de provas materiais. O primeiro passo é procurar uma unidade de saúde de referência o mais rápido possível para receber a profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a contracepção de emergência.
Após ou conjuntamente ao atendimento médico, deve-se registrar o Boletim de Ocorrência na delegacia especializada ou em qualquer delegacia comum, que fará o encaminhamento para o exame de corpo de delito.