Cearense de 38 anos que fingiu ter 12 e foi adotada passará por 1ª audiência em SC

Amanda Maria Souza foi "adotada" por uma família de Joinville após dizer que passava por dificuldades financeiras, agravadas por problemas de saúde.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
15 de Agosto de 2026 - 13:38 (Atualizado às 13:39)
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Legenda: Amanda Maria confessou o crime à Polícia.
Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina e Reprodução.

A cearense Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos em Joinville, em Santa Catarina, passará pela primeira audiência de instrução na próxima quarta-feira (19).

Na ocasião, serão ouvidas a ré e as equipes de defesa e acusação. Essa é apenas uma das fases do processo criminal, quando são feitos os testemunhos e outras provas são produzidas antes de a Justiça decidir se o caso seguirá para julgamento.

Amanda foi presa em 2 de junho, após passar cerca de 14 meses convivendo com uma família de Pirabeiraba, distrito de Joinville, usando o nome falso de “Gabriele”. Em audiência de custódia, a Justiça manteve a detenção preventiva.

Em nota ao g1, a defesa da ré afirmou que "demonstrará, com base no conjunto probatório dos autos, a inocência de Amanda, evidenciando as fragilidades da acusação e os elementos que sustentam sua versão dos fatos".

Acusações e exame de sanidade mental

A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) indiciou Amanda, no início de junho, pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

A defesa de Amanda pediu a realização de um exame psiquiátrico, o que foi autorizado pela Justiça de Santa Catarina.

"Eu fiz esse pedido porque há informação nos autos de que, em um determinado momento em que ela foi presa, ela estava com 200 agulhas sob a pele. Isso me chamou a atenção. Atrelado a isso, ela apresentava lesões no corpo", justificou o advogado Rafael Luiz Siewert, na época.

Ao portal da TV Globo, o outro advogado dela, Lúcio Sousa, informou que houve divergência entre os dois laudos, que tiveram diagnósticos diferentes.

O estatal indicou uma doença e o da defesa, três. O resultado deles, no entanto, não foi divulgado porque o processo corre em sigilo.

Ainda conforme o profissional, o juiz recebeu ambos os relatórios, que são considerados provas no processo e ajudarão o magistrado na decisão final, sobre a sentença.

Essa não é a primeira vez que se pede uma avaliação psiquiátrica de Amanda. Em 2024, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) havia solicitado um exame de sanidade mental para ela.

Na época, ela tinha procurado atendimento em um hospital infantil em Florianópolis, e os profissionais de saúde identificaram agulhas dentro do corpo dela. Contudo, o pedido não foi atendido.

Cearense foi 'adotada' por uma família 

Amanda, ou "Gabriele", como se apresentava, viveu durante 14 meses com a família de Joinville, até que uma parente denunciou o caso à polícia.

Ao chegar à cidade catarinense, Amanda procurou uma igreja, onde contou sobre os maus-tratos dos quais teria sido vítima e disse que havia fugido da família no Pará.

Contudo, segundo as investigações, ela não disse ter 12 anos. Por meio de um pastor, foi apresentada a uma família e disse ter 18 anos e estar em busca de emprego.

Após se aproximar da família, começou a dizer que estava passando por grandes dificuldades financeiras, agravadas por problemas de saúde. Foi assim que foi acolhida na casa, onde viveu por 14 meses.

Somente após conquistar a total confiança da família ela mudou a narrativa: disse ter 11 anos e justificou a aparência de adulta afirmando que tomou hormônios durante a infância de forma forçada.

Após ser presa em flagrante, Amanda admitiu ter aplicado o mesmo golpe nas cidades de Curitiba (PR) e Nova Iguaçu (RJ), além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.

Conforme a PCSC, as suspeitas nesses outros episódios ainda precisam ser analisadas individualmente pela Justiça, e Amanda tem direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.