Master de Vorcaro gastou mais de R$ 500 mi com escritório de advocacia em quatro anos
Ao todo foram 91 escritórios citados em documento, alguns ligados a Moraes e Michel Temer.
Um documento enviado pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado, mostra que o Banco Master, do banqueiro Vorcaro, pagou R$ 543 mi a 91 escritórios de advocacia em quatro anos. O arquivo foi revelado pela Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (9).
Os pagamentos apresentados pela entidade foram registrados entre 2022 e 2025. Entre os bancos citados, há instituições relacionadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes; e ao ex-presidente Michel Temer.
Segundo a apuração da Folha, o maior valor da fatia dos 91 escritórios foi paga ao Barci de Moraes, da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes. A empresa teria recebido, entre 2024 e 2025, cerca de R$ 80,2 milhões.
Ao jornal, o escritório afirmou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".
Ainda segundo o documento, o escritório de advocacia de Temer teria recebido R$ 10 milhões. O grupo foi contratado ano passado, ainda de acordo com o jornal, para atuar no caso de compra do Master pelo Banco de Brasília. O ex-presidente se manifestou afirmando ter recebido R$ 7,5 milhões.
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PAGAMENTOS PARA POLÍTICOS
Outros dados da Receita Federal indicam que o Banco Master também declarou cerca de R$ 65,83 milhões, além dos pagamentos para escritórios de advocacia, em empresas ligadas a figuras políticas, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo.
Os valores constam na declaração apresentada à Receita pela instituição financeira de Daniel Vorcaro, que está preso acusado de liderar um grande esquema de fraudes bancárias.
Segundo a reportagem, os pagamentos ocorreram entre os anos de 2023 e 2025, e tiveram como beneficiários nomes como Michel Temer, ACM Neto, Antonio Rueda, Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles, e o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Conforme o jornal, o banco declarou o pagamento de R$ 18,4 milhões para o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por serviços prestados ao Master entre 2024 e 2025, o maior montante citado no levantamento.