Butantan cancela reunião com a Anvisa sobre uso da CoronaVac em crianças e adolescentes

A informação foi divulgada pelo órgão; encontro deve ser remarcado 'em breve'

Frascos da vacina
Legenda: Segundo a Anvisa, até o momento, não há solicitação do Butantan para que a Anvisa analise a indicação da CoronaVac para menores de 18 anos
Foto: Instituto Butantan/Divulgação/Arquivo

Foi cancelada a reunião desta sexta-feira (19) que discutiria sobre os estudos para a aplicação da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos no Brasil. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Butantan ainda informará nova data para o encontro 'em breve'. 

Conforme órgão, o cancelamento foi solicitado pela própria fabricante. O Diário do Nordeste solicitou, por e-mail, mais detalhes ao Butantan e aguarda retorno. 

O encontro daria continuidade à discussão realizada entre a Anvisa e o Butantan, no último dia 5 de novembro, sobre a ampliação de uso da vacina adsorvida (inativada) para a população pediátrica.

Em julho último, a Anvisa já havia negado o uso do imunizante em crianças a partir de três anos. Na ocasião, o órgão solicitou mais dados. 

Desde então, ainda não houve nova solicitação para a utilização da CoronaVac para esse público.

Atualmente, no País, apenas a Pfizer é autorizada para pessoas a partir de 12 anos.  

Butantan contesta exclusão da CoronaVac para reforço vacinal

Nesta quarta-feira (14), após o Ministério da Saúde (MS) informar a ampliação da dose de reforço aos adultos de 18 a 59 anos, o presidente do Butantan, Dimas Covas, afirmou que a não incorporação da CoronaVac é um 'erro de estratégia vacinal do Ministério da Saúde'.

Dimas lembrou que a maior parte da população acima de 60 anos foi vacinada com CoronaVac.

No caso deste público, disse, para aproveitar a intercambialidade de vacinas, é preciso adotar, na dose de reforço, um imunizante que foca em combater a proteína Spike (usada pelo SARS-CoV-2 para infectar as células), caso da vacina de vetor viral com adenovírus ou de RNA mensageiro.

Para ele, a situação da população de 18 a 60 anos, que recebeu majoritariamente os imunizantes com base em proteína Spike, é diferente.

“Há muito pouco acréscimo, do ponto de vista de estímulo imunológico, em você simplesmente mudar o fabricante se o princípio vacinal é o mesmo. Existe a necessidade de usar um princípio vacinal que, além da proteína S, contenha também as outras proteínas do vírus. E a única vacina que contém isso é a CoronaVac”, observou. 

Em setembro último, o MS já havia desistido de comprar 30 milhões de CoronaVac sob a justificativa de que o imunizante não seria adequado para a dose de reforço.

Naquela ocasião, o Instituto Butantan informou que concluiu a entrega de 100 milhões de doses de CoronaVac previstas no Plano Nacional de Imunização (PNI), e confirmou que não houve acordo para o lote citado. 

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