Adolescentes a partir dos 12 anos têm autorização da Anvisa para tomar vacina da Pfizer no Brasil

Órgão concluiu que o imunizante anticovid oferece segurança a eficácia aos menores de idade

anvisa aprova vacina da Pfizer em adolescentes no Brasil
Legenda: Bula da Pfizer passará a incluir a nova faixa etária apta a receber o imunizante
Foto: Thomas Kienzle/AFP

Adolescentes a partir dos 12 anos no Brasil poderão ser receber a vacina da Pfizer contra a Covid-19. O uso do imunizante nessa faixa etária foi autorizado nesta sexta-feira (10) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A inclusão do grupo ocorreu após o órgão regulador analisar estudos enviados pela Pfizer que indicavam segurança e eficácia da vacina para os adolescentes. 

Com a aprovação, a bula do imunobiológico será alterada, passando a ter a indicação da nova faixa etária. Até então, apenas adolescentes a partir de 16 anos poderiam tomar a vacina no Brasil. 

Levantamento

A Pfizer foi a primeira fabricante a anunciar resultados de seu estudo iniciado em outubro de 2020 em adolescentes de 12 a 15 anos, no início de maio, com 100% de eficácia. Combinado de fases 2/3 em adolescentes, o levantamento detectou 16 casos de Covid-19 entre os 2.260 adolescentes envolvidos, todos no grupo placebo.

Sobre a imunogenicidade da vacina, isto é, a capacidade de induzir resposta imune no organismo, foi quase duas vezes maior na faixa etária de 12 a 15 anos em relação àqueles com 16 a 25 anos.

Após a conclusão do estudo nessa faixa etária, a agência regulatória norte-americana FDA autorizou, no início de maio, o uso da vacina em maiores de 12 anos. Nos Estados Unidos, a Pfizer já vinha sendo aplicada em toda a população maior de 16 anos. Reino Unido e União Europeia também deram aval para uso em menores de 16 no final de maio.

Na última quarta-feira (9), o Uruguai começou a vacinar adolescentes de 12 a 17 anos, tornando-se o primeiro país latino-americano a imunizar esta faixa etária.

O Chile também autorizou a vacinação de adolescentes entre 12 e 16 anos com a Pfizer, mas a campanha começará a partir de 20 de junho, segundo o ministro da Saúde.

A companhia iniciou no final de maio outro ensaio combinado de fase 1, 2 e 3 para testar seu imunizante em crianças entre 5 e 11 anos e em bebês a partir de seis meses. O objetivo é avaliar cerca de 4.600 crianças nos Estados Unidos e Europa.

Eficácia

Um estudo publicado na revista médica The Lancet apontou que uma única dose da vacina da Pfizer/BioNTech tem eficácia menor contra variantes descobertas na Inglaterra, Índia e África do Sul do que a cepa original. No entanto, os autores do artigo alertam que esses resultados não são conclusivos e que outros estudos com a população real são necessários. 

Os pesquisadores avaliaram a produção de anticorpos protetores, chamados de neutralizadores, de pessoas vacinadas com Pfizer/BioNTech, colocando amostras de sangue em contato com várias versões do vírus: as primeiras versões descobertas em Wuhan (China) e a que dominou a Europa em meados de 2020, a variante Alpha (detectada na Inglaterra), Beta (na África do Sul) e Delta (na Índia). 

"Após uma única dose da Pfizer/BioNTech, 79% das pessoas tiveram uma resposta detectável de anticorpos à cepa original, mas esse nível caiu para 50% contra a variante Alfa, 32% contra Delta e 25% contra Beta", conforme o artigo.

 

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