Casos de hepatite A aumentam 54,5% no Brasil em 2024 segundo o Ministério da Saúde

No Brasil, ano passado, a cada 100 mil habitantes, 1,7 foram diagnosticados com hepatite A

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 07:15, em 09 de Julho de 2025)
Imagem de homem doando sangue
Legenda: Em maio deste ano, o Ministério da Saúde ampliou a oferta da vacina contra a hepatite A para usuários da PrEP
Foto: Reprodução / EBC

O Ministério da Saúde divulgou, nesta terça-feira (8), novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais. Segundo o levantamento da pasta, casos de hepatite A aumentam 54,5% no Brasil em 2024. A divulgação do documento faz parte o mês de conscientização sobre as hepatites virais.

No Brasil, no ano passado, a cada 100 mil habitantes, 1,7 foram diagnosticados com hepatite A. Entre 2000 e 2024, foram mais de 174 mil casos registrados. Entre crianças, houve uma redução de 90% nas incidências.

“É importante reforçar: temos vacinas, testes e orientações claras disponíveis sobre o enfrentamento das hepatites. Por isso, quero chamar a atenção da população para a importância do diagnóstico precoce", destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

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VACINAÇÃO CONTRA HEPATITE A 

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde ampliou a oferta da vacina contra a hepatite A para usuários da PrEP. A iniciativa, segundo a pasta, visa conter surtos na população adulta e atende a uma mudança no perfil epidemiológico da doença.

A meta do Governo é vacinar 80% de todas as pessoas que utilizam a PrEP, que somam atualmente mais de 120,7 mil usuários no Sistema Único de Saúde (SUS). A imunização será realizada com duas doses, com intervalo de seis meses, garantindo proteção duradoura. Para receber as doses, é necessário apresentar a receita da PrEP. 

Com a inclusão da vacina contra hepatite A no SUS em 2014, o número de casos da doença teve uma queda contínua no País todo, passando 6.261 casos em 2013 para 437, em 2021 – ou seja, 93% a menos considerando todas as faixas etárias.

Com a aplicação de doses em meninos e meninas a partir de 12 meses de idade e menores de 5 anos, a incidência da doença caiu bastante entre as crianças. No comparativo de 2013 a 2023, os registros diminuíram 97,3%, entre menores de 5 anos, e 99,1%, na faixa etária de 5 a 9 anos.

No mesmo mês, foi lançado o Guia de Eliminação das Hepatites Virais, que orienta estados e municípios sobre ações de prevenção e eliminação da doença e prevê a concessão de selos de reconhecimento. Até o momento, 18 municípios já foram certificados, nas categorias Ouro, Prata e Bronze, conforme critérios técnicos.

QUAL HEPATITE AUMENTA O FÍGADO?

A hepatite C é uma inflamação do fígado causada pelo vírus HCV, que, quando crônica, pode levar à cirrose, insuficiência hepática e câncer. A transmissão ocorre no contato com sangue infectado – como no compartilhamento de alicates e agulhas; via perinatal, transmitida da mãe para o filho durante a gravidez e no parto ou, ainda, durante relações sexuais – o que é mais raro.

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De acordo com a médica infectologista Elna Amaral esta é uma doença silenciosa, com aumento do número de indivíduos com infecção crônica em todo o mundo. Muitos têm o vírus, não apresentam qualquer sintoma durante 10 ou 20 anos e se sentem com perfeita saúde neste tempo.

“Os sintomas, para a maioria das pessoas, só vão aparecer quando o fígado dá sinais de inflamação, o que pode demorar anos. No início, as células hepáticas vão compensando o funcionamento daquelas danificadas, e a pessoa não sente nada específico”, detalha.

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