Excesso de álcool no Carnaval: como evitar desidratação, desmaios e ressaca intensa
Saiba o que recomendam os especialistas para curtir a folia sem passar mal.
O Carnaval no Ceará é marcado por temperaturas elevadas e maratonas de foliões em blocos, festas e melas-melas, que muitas vezes são regadas a bebidas alcoólicas. Porém, a combinação entre calor e consumo excessivo de álcool pode acabar resultando em desidratação, desmaios e ressaca intensa, interrompendo a diversão.
Visando evitar que o abuso de álcool sobrecarregue seu o corpo e possa causar danos à saúde, a coluna conversou com especialistas sobre como reduzir as chances de passar mal nesta época do ano.
Veja também
O que é 'binge drinking' e os perigos de beber rápido no Carnaval
De início, é importante destacar que a ciência não reconhece uma dose segura para o consumo de álcool; mesmo pequenas quantidades podem prejudicar o organismo. Por isso, a recomendação para quem busca uma vida saudável é a abstinência.
No entanto, em ocasiões como o Carnaval, é comum que aconteça o "binge drinking", prática caracterizada pela ingestão excessiva de bebidas num curto período.
O fenômeno acontece quando homens consomem 5 ou mais doses de bebida num intervalo de cerca de 2 horas; para mulheres a medida é menor, 4 ou mais doses no mesmo período.
No corpo, o álcool atua diretamente no sistema nervoso central, comprometendo o raciocínio, a coordenação motora e a capacidade de tomar decisões, conforme a alerta a psiquiatra Natalia Haddad, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA).
"A percepção de risco é afetada e os efeitos se intensificam à medida que o consumo aumenta, o que pode levar a situações sérias e agravar doenças preexistentes, como problemas cardíacos e transtornos de saúde mental."
Sintomas de excesso de álcool: desidratação, desmaios e náuseas
A redução de reflexos e do raciocínio causados por bebidas ainda escondem outro perigo: a perda de percepção de sinais de alerta, como tontura, fraqueza, dor de cabeça e sensação de mal-estar, detalha o médico Pedro Araguez.
"O corpo dá avisos claros quando está chegando ao limite, mas no Carnaval as pessoas tendem a ignorar esses sinais".
O excesso de bebida também é um dos motivos para o aumento de atendimentos médicos durante este período. Ao ser associado à desidratação, longos períodos em pé e calor, a prática eleva os ricos de desmaios, geralmente causados por queda de pressão, e de problemas gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal.
Além do desconforto imediato, esses sintomas ainda aumentam as chances de desidratação, o que pode agravar ainda mais a situação do folião. "A ideia não é deixar de aproveitar a festa, mas entender que saúde também faz parte da experiência", frisa Araguez.
7 dicas para beber no Carnaval e evitar passar mal
Diante dos riscos associados a ingestão de álcool durante a folia, o gastroenterologista Wilson Catapani, conselheiro científico do CISA, listou alguns cuidados para aproveitar a festa sem comprometer o bem-estar.
1. Se hidrate, mas da maneira correta
O álcool possui efeito diurético, ou seja, estimula a produção de urina e aumenta a eliminação de água do organismo. Para combater essa reação e evitar a desidratação, o médico ressalta a importância da ingestão de água, recomendado alternar cada dose com um copo de água.
Água de coco, isotônicos e sucos naturais também são opções apontadas como excelentes para repor eletrólitos e nutrientes do corpo, geralmente perdidos durante sudorese intensa ou exercícios prolongados.
2. Se alimentem bem e de forma estratégica
O consumo de bebida nunca combina com estômago vazio, então Catapani alerta para a importância de se fazer refeições nutritivas e balanceadas antes e durante a folia.
Porém, não é qualquer comida, o ideal é dar preferência por alimentos ricos em proteínas e carboidratos complexos, como carnes magras e massas integrais, pois eles ajudam a retardar a absorção do álcool, minimizando os efeitos dele no organismo.
Veja também
3. Beba devagar e com consciência
É um momento de festa, mas isso não dispensa a importância de moderação. O foco deve ser a diversão, não a embriaguez, então tente definir um limite pessoal de doses antes de começar a beber e tente cumpri-lo.
O médico ainda destaca que o recomendado é evitar misturar tipos diferentes de bebidas alcoólicas, já que isso dificulta estimar a quantidade de álcool ingerida.
4. Durma bem
Apesar da maratona de folia, o especialista explica ser essencial manter uma rotina de descanso que garanta horas suficientes de sono entre os dias de festa, para manter a energia e a clareza mental até o fim do Carnaval.
5. Planeje a logística com antecedência
Seja de transporte público, táxi ou veículo de aplicativo, planeje a sua ida e volta da folia com antecedência, antes de consumir qualquer bebida.
E se for dirigindo, não beba, além de ser uma infração de trânsito gravíssima ainda pode colocar sua vida e dos outros em perigo. O especialista recomenda eleger o "motorista da rodada", que deve se comprometer em não consumir álcool.
6. Se proteja do sol
Usar protetor solar com alto fator de proteção, óculos de sol, chapéu ou boné e roupas leves, além de procurar por áreas sombreadas, são algumas dicas que podem ajudar a prevenir insolação e queimaduras, assim como exaustão física.
7. Fique atento ao sinais de alerta
Se sentir dor de cabeça persistente, náuseas intensas, tontura excessiva ou qualquer mal-estar incomum não ignore, é seu corpo mostrando ser o momento de parar de beber, conforme destaca Catapani. Caso os sintomas se intensifiquem ou persistam, procure atendimento médico.
Dica extra: não se automedique
O consumo de bebida alcoólica durante o Carnaval, ou em qualquer outra época, pode resultar em ressaca, condição que causa sintomas como dor de cabeça, náuseas, mal-estar e fadiga. Diante desse cenário, é comum que algumas pessoas recorram a medicamentos, no entanto, a prática não é recomendada, conforme alerta o farmacêutico Mauricio Filizola.
"A automedicação pode gerar uma falsa sensação de segurança, levando a pessoa a repetir o consumo de álcool sem respeitar os limites do próprio corpo. A orientação é que, diante de sintomas intensos ou persistentes, o ideal seja buscar a avaliação de um profissional de saúde", explica.