Pancreatite: entenda a inflamação associada às canetas para emagrecer

Médicos revelam sintomas e medidas que devem ser tomadas em caso de suspeita da doença.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:38)
mão de homem aplicando caneta emagrecedora em área na barriga.
Legenda: Uso indiscriminado de medicamento pode estar relacionado com mortes por pancreatite.
Foto: Shutterstock.

O Brasil registrou pelo menos seis mortes suspeitas e 225 notificações de pancreatite possivelmente associadas ao uso das chamadas "canetas emagrecedoras". Os dados, obtidos via sistema VigiMed da Anvisa, são a partir de 2018 e acenderam um alerta sobre a segurança de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, utilizados no tratamento da obesidade e diabetes.

O que é a pancreatite?

Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a pancreatite é o nome dado aos quadros de inflamação do pâncreas. O órgão, uma glândula de aproximadamente 15 centímetros localizada atrás do estômago, desempenha funções vitais: secreta enzimas que auxiliam na digestão e libera hormônios como a insulina e o glucagon, que regulam o açúcar no sangue.

Conforme a Liga de Gastroenterologia, projeto de extensão vinculado ao Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), a doença ocorre quando as enzimas digestivas, que normalmente só se tornam ativas no intestino, são ativadas precocemente no interior do pâncreas. Esse processo causa uma "auto-digestão" do órgão, resultando em inflamação, lesão tecidual e, em casos graves, infecções e falência de outros órgãos como rins e pulmões.

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Duas formas principais da pacreatite

Pancreatite aguda: surge repentinamente, podendo ser leve ou grave com risco de vida.

Pancreatite crônica: uma inflamação persistente que leva à destruição gradativa e cicatrizada do órgão, resultando em perda de função ao longo dos anos.

A ligação com as "canetas emagrecedoras"

As "canetas" utilizam substâncias que imitam o hormônio GLP-1, liberado naturalmente pelo intestino para aumentar a saciedade e regular a glicose. No entanto, agências reguladoras no Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e Europa já reconhecem a pancreatite como um possível efeito adverso desses fármacos.

Médicos ressaltam que pacientes com obesidade e diabetes — o público-alvo desses medicamentos — já possuem, naturalmente, um risco elevado para desenvolver inflamações pancreáticas. Além disso, dizem que embora o risco esteja descrito em bula como "uma reação incomum", o uso sem orientação médica ou de fontes duvidosas, como canetas falsificadas, amplia o perigo. 

Vale lembrar que a Anvisa já foi notificada sobre casos envolvendo versões falsificadas ou manipuladas desses medicamentos.

Sinais de alerta e sintomas

A identificação precoce é fundamental para evitar complicações como hemorragias ou pseudocistos. Os principais sintomas incluem:

• Dor intensa na parte superior do abdômen, que pode irradiar para as costas (dor em "faixa") e piorar após as refeições ou ao deitar.
• Náuseas e vômitos persistentes.
• Inchaço e sensibilidade abdominal.
• Febre e pulso rápido.
• Fezes gordurosas e perda de peso (em casos crônicos).

Diagnóstico e recomendação

O diagnóstico, conforme a Liga de Gastroenterologia da UFC, envolve exames de sangue para verificar os níveis das enzimas amilase e lipase, que podem estar três vezes acima do normal durante uma crise, além de exames de imagem como ultrassom e tomografia.

Especialistas reforçam que essas terapias são importantes e salvam vidas, mas exigem prescrição criteriosa e acompanhamento clínico. Diante de qualquer sintoma abdominal suspeito, a orientação é interromper o uso do medicamento e procurar atendimento médico imediatamente, preferencialmente com um gastroenterologista.