Quem são os mortos em ação da PM em Canindé

Sete suspeitos de integrar o Comando Vermelho (CV) morreram em ação policial na madrugada dessa sexta-feira (31). Dois deles eram adolescentes.

(Atualizado às 17:23)
Fotos de chinelos e munições deixados para trás onde sete suspeitos foram mortos pela PM.
Legenda: As marcas da violência ainda podiam ser vistas nas ruas onde sete suspeitos foram mortos pela PM.
Foto: Ismael Soares

Portas fechadas, marcas de tiros em carros estacionados, chinelos, balaclavas e garrafas de cerveja pelo chão e pichações do Comando Vermelho (CV) nas paredes. Assim ficaram os arredores do cruzamento entre as ruas Recife e Ercílio Martins, no bairro Campinas, em Canindé, horas após o suposto confronto que deixou sete pessoas mortas na cidade.

Dos mortos, cinco tinham entre 18 e 22 anos e dois eram adolescentes de 16 — todos, segundo a Polícia, vinculados ao CV. Conforme a reportagem apurou, o grupo estava pronto para tentar tomar a região dominada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP) quando foi interceptado por composições do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi) e do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio).

Vídeos divulgados nas redes sociais mostravam integrantes do grupo caminhando em uma região de mata. A maioria deles portava arma de fogo. 

Veja vídeo

O Diário do Nordeste apurou com uma fonte da Polícia Militar que essa foi a quarta tentativa do grupo de confrontar os rivais do crime organizado. A maioria deles mora em Caridade — a aproximadamente 20 quilômetros de distância de Canindé — e já havia estado na cidade outras vezes para pichar muros com dizeres do Comando Vermelho.

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Policiais teriam visto os suspeitos nessa quinta-feira (30), por volta de 18 horas, mas eles teriam fugido para uma região de mata. De madrugada, foram encontrados.

carro com marcas de tiros no bairro Campinas, em Canindé.
Legenda: Veículos que estavam estacionados na rua foram alvejados pelos tiros disparados pela PM.
Foto: Ismael Soares

Quem são os mortos?

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a polícia apenas revidou o ataque dos suspeitos, que investiram contra os policiais quando perceberam a aproximação deles. Em entrevista à TV Verdes Mares do Cariri, o governador Elmano de Freitas (PT) reforçou que o grupo perdeu a vida porque "resolveu enfrentar a PM".

Veja a lista

  1. Antônio Carlos Ferreira Teixeira, 19 (natural e morava em Caridade)
  2. Francisco Anderson Duarte Tavares, 18 (natural e morava em Caridade)
  3. Liedson da Silva Rodrigues, 19 (nasceu em Canindé e morava em Caridade)
  4. Paulo Roberto Oliveira de Lima Cavalcante, 22 (natural de Sobral e morava em Canindé)
  5. Francisco Eliedison Sousa Alves, 18 (natural de Canindé e morava em Caridade)
  6. Adolescente, 16 (não será identificado)
  7. Adolescente, 16 (não será identificado)

Montagem de fotos mostra três dos sete suspeitos mortos em Canindé. Os três são jovens.
Legenda: Da esquerda para a direita: Liedson da Silva Rodrigues; Francisco Anderson Duarte Tavares; e Francisco Eliedison Sousa Alves.
Foto: Reprodução

Família alega que suspeitos chegaram mortos a hospital

Na nota enviada à imprensa, a SSPDS informou ainda que os sete suspeitos foram socorridos e levados a uma unidade hospitalar, "onde foram a óbito". Clediane Oliveira de Lima, mãe de Paulo Roberto, um dos mortos, afirma, no entanto, que ouviu de um servidor do hospital que todos já haviam chegado sem vida.

Mandaram mensagem para o celular do meu menino informando que ele [Paulo] tinha sido baleado e estava no hospital. Isso era quatro horas da madrugada. Saí com meu menino, fui para o hospital, chegando lá, perguntei para o rapaz da portaria se tinha chegado alguém baleado. Ele disse que não, que tinham chegado cinco mortos. Pedi para ver se era o meu, implorei. Ele me deixou entrar e eu confirmei. Vi que era o meu Paulo Roberto que estava morto".
Clediane Oliveira Lima
Mãe de um dos suspeitos mortos

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Sem confirmar que sabia que o filho havia se associado a uma organização criminosa, a mãe contou que recentemente ele se afastou da igreja e que chegou a ser detido uma semana atrás, mas foi liberado no mesmo dia. "Estava com três dias que eu não via ele, mas ontem, ele veio me visitar. Parecia que queria se despedir", desabafou a mulher.

imagem de homem empurrando bicicleta pela rua onde sete pessoas foram mortas pela PM em Canindé.
Legenda: As paredes dos imóveis do bairro Campinas, em Canindé, estavam pichadas com a sigla do Comando Vermelho
Foto: Ismael Soares

Já a irmã de um dos adolescentes mortos, que preferiu não se identificar à reportagem, contou que foi acordada às 2 horas da madrugada com o telefonema da cunhada, companheira da vítima. "Minha cunhada ligou para mim porque um deles entrou em contato com ela, no mato. Ele estava no mato, conseguiu escapar dos policiais, e entrou em contato falando que estava baleado e que eles [policiais] tinham matado meu irmão", relatou.

Segundo a familiar, o suspeito afirmou ainda que o grupo havia se rendido. "Esse que estava no mato tinha falado que tinham se entregado e que os policiais não respeitaram e mataram todos eles. Eles se entregaram, mas não respeitaram e mataram todos os sete", disse ela.

O Diário do Nordeste apurou que um dos suspeitos, Liedson da Silva Rodrigues, responde a um processo por homicídio.

Entenda o caso

Os sete suspeitos de integrar o Comando Vermelho foram mortos em Canindé, na madrugada desta sexta-feira, em suposto confronto com a polícia. O governo estadual informou que os criminosos estavam preparados para atacar rivais do Terceiro Comando Puro e tentar tomar territórios dominados pela outra facção.

Segundo a PM, os homens efetuaram disparos e lançaram dois artefatos explosivos contra os agentes de segurança. Um dos criminosos teria tentado fugir em um veículo Fiat Palio prata, por uma via carroçável, mas foi alcançado pelos policiais e também morto em troca de tiros.

Nas redes sociais, o governador Elmano de Freitas comemorou a ação policial e destacou que a polícia "reagiu à altura". "A polícia foi ao local e foi recebida com tiro. Gente com fuzil, arma perigosa. E as sete pessoas que estavam lá, atirando, evidentemente, se fazem isso com a polícia, imagine com o cidadão de bem que está naquela rua", alegou.

A atuação das forças de segurança cearense foi elogiada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que, recentemente, autorizou uma megaoperação contra o CV que resultou na morte de cerca de 120 pessoas. "O episódio de hoje mostra, mais uma vez, que essa é uma guerra que não tem fronteiras e exige união entre os estados. No Rio de Janeiro, temos agido com a mesma firmeza, colocando o Estado nas ruas, retomando territórios e enfrentando o narcoterrorismo de frente", comentou o gestor fluminense.

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