'Perderam a vida porque resolveram enfrentar a PM', dispara Elmano sobre morte de faccionados no CE

O governador do Ceará parabenizou a ação policial que resultou na morte de sete integrantes do CV, em Canindé.

Escrito por
Luana Severo luana.severo@svm.com.br
Elmano é um homem de meia idade de cabelos, bigode e barba grisalhos. Na foto, ele está sério, olhando para o lado.
Legenda: O governador Elmano de Freitas considerou a ação policial em Canindé exitosa.
Foto: Thiago Gadelha

Horas após a ação policial que resultou na morte de sete suspeitos de integrar o crime organizado em Canindé, no Interior do Ceará, o governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), parabenizou os agentes de segurança nas redes sociais e, à imprensa, afirmou que os faccionados morreram porque "resolveram enfrentar a Polícia Militar".

"Aqueles que resolveram enfrentar a polícia tiveram resposta à altura. Perderam a vida porque resolveram enfrentar a PM", afirmou o político na manhã desta sexta-feira (31), em entrevista à TV Verdes Mares no Cariri.

Os sete mortos seriam vinculados à facção carioca Comando Vermelho (CV) — mesmo alvo da megaoperação policial realizada nesta semana no Rio de Janeiro — e estariam prestes a atacar rivais da organização Terceiro Comando Puro (TCP). A expectativa do confronto teria sido comunicada na noite dessa quinta-feira (30) à polícia, que se deslocou com um efetivo robusto ao local na madrugada, por volta de 3 horas.

A polícia foi imediatamente ao local e foi recebida com tiro. Gente com fuzil, com arma perigosa. E as sete pessoas que estavam lá, atirando, evidentemente, se fazem isso com a polícia, imagine com o cidadão de bem que está naquela rua. A polícia reagiu à altura".
Elmano de Freitas
Governador do Ceará

Em nota enviada ao Diário do Nordeste mais cedo, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) reforçou que as composições agiram em legítima defesa e, embora não tenha identificado formalmente os corpos, disse que os homens chegaram a ser socorridos a uma unidade hospitalar, mas morreram no local.

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'A lei é frouxa para a situação que temos'

Em discurso alinhado com o do governo federal, que tenta aprovar no Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o governador Elmano de Freitas reforçou a necessidade de endurecer penas para não permitir que faccionados respondam a processos em liberdade. "A lei é frouxa para a situação que temos", disse.

"É muito importante aprovar a PEC da Segurança Pública, mudar a Constituição, para que estados e municípios atuem de maneira unificada. Da maneira que temos na Saúde. O projeto que está sendo discutido é a gente aumentar pena de faccionado, aumentar a Lei de Execução Penal", acrescentou o gestor.

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Conforme a gestão Lula, com a nova proposta para a área, a União passa a ser responsável por definir diretrizes gerais para a política de segurança e defesa social, incluindo sistema penitenciário, de maneira que se estabeleça uma "abordagem integrada e articulada" em todo o Brasil.

No pacote, há, também, a atualização das competências da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Enquanto a primeira terá ampliada a sua atuação para crimes ambientais e outros de repercussão interestadual ou internacional, a segunda se tornará ostensiva, atuando não apenas nas rodovias, mas também nas ferrovias e hodrovias.

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Entenda caso em Canindé

Em Canindé, sete suspeitos de integrar o Comando Vermelho foram mortos em confronto com a polícia na madrugada desta sexta-feira. O governo estadual informou que os criminosos estavam preparados para atacar rivais da facção Terceiro Comando Puro quando foram interceptados.

Em nota, a SSPDS afirmou ainda que os suspeitos efetuaram tiros e lançaram dois artefatos explosivos contra as composições.

Seis suspeitos morreram no local. Um sétimo tentou fugir em um veículo Fiat Palio prata, por uma via carroçável, mas foi alcançado pelos policiais. Os agentes de segurança alegaram que também foram atacados pelo criminoso e que só o mataram porque precisarem reagir.

Guerra contra facções no Rio de Janeiro

O confronto entre a Polícia Militar do Ceará e faccionados do CV em Canindé aconteceu na mesma semana em que o governo do Rio de Janeiro também decidiu enfrentar diretamente os integrantes da facção. Na capital fluminense, a megaoperação policial resultou na morte de aproximadamente 120 pessoas, entre militares e civis.

Após a repercussão na imprensa do caso de Canindé, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), foi às redes sociais parabenizar Elmano e as forças de segurança cearenses "pela coragem e determinação no enfrentamento ao crime organizado".

"O episódio de hoje mostra, mais uma vez, que essa é uma guerra que não tem fronteiras e exige união entre os estados. No Rio de Janeiro, temos agido com a mesma firmeza, colocando o Estado nas ruas, retomando territórios e enfrentando o narcoterrorismo de frente", comentou Castro.

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