Homem preso no Ceará em 2017 era cunhado de 'El Mencho', chefe de cartel morto no México
O mexicano ficou detido por quatro anos no Brasil, até ser extraditado aos Estados Unidos.
Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como 'El Mencho' e apontado como chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), morto pela polícia mexicana no último domingo (22), é cunhado de José González Valencia, o 'Chepa', preso no Ceará em dezembro de 2017 e extraditado aos Estados Unidos, em novembro de 2021.
A morte de 'El Mencho' em uma operação policial provocou uma onda de ataques do CJNG, no México. Segundo reportagem do portal Uol, nas horas seguintes, pelo menos 62 pessoas foram mortas, entre suspeitos de integrar o Cartel, membros das forças federais mexicanas, um funcionário da Procuradoria-Geral da República e civis.
suspeitos ainda teriam sido presos, em sete estados mexicanos. Foram registrados 27 ataques contra autoridades do país, segundo o secretário de Segurança, Omar García Harfuch.
'El Mencho' foi morto em uma operação das forças militares mexicanas, na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, com informações da polícia dos Estados Unidos. Ele foi baleado no momento em que era escoltado para um avião, que o levaria à Cidade do México para um tratamento de saúde.
O governo estadunidense oferecia uma recompensa de 15 milhões de dólares (cerca de R$ 78 milhões) por informações que levassem à prisão do chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación.
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes foi considerada o maior golpe contra cartéis mexicanos desde 2024, quando foram presos Joaquín 'El Chapo' Guzmán e Ismael 'Mayo' Zambada, fundadores do Cartel de Sinaloa - principal rival do CJNG na disputa pelo domínio do tráfico de drogas.
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Prisão no Ceará
Uma liderança do Cartel Jalisco Nueva Generación foi detida no Ceará, em dezembro de 2017. José González Valencia, conhecido como 'Chepa', é acusado de ser o chefe do setor financeiro da organização criminosa.
Reportagens dos jornais El País (19 de julho de 2020) e Band (24 de fevereiro de 2026) revelaram que José González é cunhado de Nemesio Oseguera Cervantes, 'El Mencho'.
'Chepa' foi abordado pela Polícia Federal (PF) quando estava a caminho de um parque aquático na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), na companhia de familiares. Ele estava na posse de uma identidade falsa, no nome de Jaffet Arias Becerra, expedida na Bolívia.
Conforme as investigações policiais, o mexicano estava de férias com a família no Ceará e se preparava para aproveitar o Réveillon daquele ano. Ele morava na Bolívia, mas vinha ao Brasil com frequência, desde 2015.
Quando foi preso, José González estaria hospedado em uma casa de luxo na Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, que teria sido alugada no nome de um "laranja".
O mexicano permaneceu preso na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, até o dia 10 de novembro de 2021, quando foi extraditado para os Estados Unidos, em um avião da Drug Enforcement Administration (DEA) - a agência norte-americana de combate ao narcotráfico.
O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou por unanimidade o pedido formulado pelo Governo dos Estados Unidos da América para extraditar José González Valencia, em março daquele ano.
Atuação do Cartel
O Governo dos Estados Unidos solicitou a extradição de José González Valencia ao governo brasileiro, em maio de 2017, após a Inteligência estadunidense identificar passagem do mexicano em território brasileiro.
De acordo com a Procuradoria, Gonzalez organizou ataques contra corporações policiais em Jalisco, no Oeste do México, e também liderou operações a fim de retomar território em Michoacán. Ele era o responsável pelo setor financeiro do Cartel, ao lado do irmão Abigael Gonzalez Valencia.
O Cartel Jalisco Nueva Generación foi fundado no ano de 2007 e, em pouco tempo, se tornou um dos maiores do país, valendo-se do envio de cocaína e drogas sintéticas em grande escala para os Estados Unidos.
A organização criminosa também ficou conhecida por agir com grande violência contra os rivais e contra agentes de segurança, no México.
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), revelado em agosto de 2023 pela Coluna do Paulo Cappelli, no portal Metrópoles, apontou que pelo menos dois cartéis mexicanos avaliavam atuar no Brasil, atraídos pelo alto consumo de drogas e pelas rotas do tráfico.
Os cartéis citados pela Abin eram o Sinaloa e o Jalisco Nueva Generacíon (CJNG). Conforme o relatório, os grupos mexicanos firmaram parceria com a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), atuante em todo o Brasil, inclusive no Ceará.
O principal negociador do PCC, segundo o relatório da Abin, seria Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho' - que também tem ligação com o Ceará.
'Fuminho' foi acusado pelo Ministério Público Estadual (MPCE) como o mandante das mortes dos chefes da facção paulista, Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', em fevereiro de 2015, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Entretanto, a Vara Única Criminal de Aquiraz decidiu não levar Gilberto Aparecido dos Santos a julgamento pelo duplo homicídio, "em razão da ausência de indícios suficientes de autoria".