PM do Ceará é preso em Pernambuco por suspeita de fraude em concurso no Tocantins

Grupo fazia prova por participantes por valores de até R$ 50 mil.

(Atualizado às 15:53)
Policiais em preparação contra grupo especializado em fraudes contra concursos.
Legenda: Policiais em preparação contra grupo especializado em fraudes contra concursos.
Foto: Divulgação/PC TO.

Um soldado da Polícia Militar do Ceará foi preso preventivamente nesta quarta-feira (18), na cidade de Serra Talhada, em Pernambuco, acusado de participação em esquema de fraude no concurso da Polícia Militar do Tocantins, realizado em junho de 2025.

Ítalo Nunes da Silva Mariano foi preso durante cumprimento de mandados da operação Última Etapa, deflagrada nos estados de Pernambuco, Paraíba, Pará e Goiás.

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O mandado do cearense foi expedido pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas. A captura ocorreu após buscas na residência do investigado, mas ele foi localizado em outro endereço e detido, logo em seguida, pelas equipes policiais.

Durante a abordagem, um aparelho celular foi apreendido e encaminhado para análise, podendo contribuir com o andamento das investigações. 

Segundo a decisão judicial, a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública, diante da gravidade das condutas e do risco de continuidade das ações criminosas, além de assegurar a coleta de provas. 

A defesa do policial militar não foi localizada pelo Diário do Nordeste. Este espaço segue aberto para possíveis manifestações.

Candidatos de certame eram substituídos por terceiros

Segundo a investigação, o policial militar teria participado, com outras sete pessoas, de uma "organização estruturada e estável", que atuava com a substituição de candidatos regularmente inscritos em certames por terceiros.

Os supostos envolvidos no esquema realizavam pagamento de até R$ 50 mil por candidato aprovado. Informações da Polícia Civil de Tocantins ainda relatam que há indícios da participação de um servidor do sistema socioeducativo do Distrito Federal e de um policial rodoviário federal na fraude. 

Conforme relatório, o PM é investigado pela suposta prática de crimes como associação criminosa, uso de documento falso e falsidade ideológica. 

Foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Regional das Garantias da Comarca de Palmas/TO. A operação teve apoio das Polícias Civis de Pernambuco, Paraíba, Pará, Goiás e do Distrito Federal.

Impressões digitais e assinaturas entregaram esquema

A fraude em questão, de acordo com a Polícia Civil do Tocantins, teria ocorrido na primeira fase do Concurso Público para a Polícia Militar do Estado do Tocantins, que teve mais de 34 mil inscritos e prova aplicada no dia 15 de junho de 2025. 

600 vagas para soldados e 60 para aspirantes a oficiais foram ofertadas no certame. As irregularidades teriam sido identificadas pela própria Comissão Organizadora do Concurso, que notificou a Polícia Civil de Tocantins sobre a suspeita.

Em meio à apuração do caso, a polícia identificou a diferença entre as impressões digitais e assinaturas dos candidatos originais em comparação com as pessoas contratadas no esquema.

Após a prisão, o policial cearense foi apresentado na delegacia e permanece à disposição da Justiça. Ele deve passar por audiência de custódia.

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